Em Teresina, bebê indígena de um mês morre e entidade pede providências

A criança indígena do povo Warao morreu na última terça-feira, 08 de junho, em decorrência de uma diarreia

12/06/2021 17:06h - Atualizado em 12/06/2021 17:55h

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Um bebê indígena do povo Warao morreu na última terça-feira, 08 de junho, em decorrência de uma diarreia. O pequeno Euclide Moreno Mendoza, de apenas um mês, estava sob os cuidados da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), assim como sua família e outros venezuelanos que estão recebendo abrigo em Teresina.

Segundo o grupo Piauí Indígena, entidade composta por pessoas nativas-originárias, organizadas e autodeclaradas indígenas, a família do pequeno Euclide, nascido em Teresina, recebeu pouco apoio dos responsáveis pelos abrigos. De acordo com o coletivo, os indígenas falam e compreendem falam e compreendem muito pouco o idioma português e que foram sozinhos ao hospital público em busca de ajuda. 

“Essa é a tática da Prefeitura para expulsar os Warao da cidade. Para a gestão municipal de Teresina e para a Semcaspi existe valor para uma vida? E o valor para a vida de um bebê indígena, será que existe ou é inferior aos demais? Em uma cidade referência em Saúde como nossa capital, em uma cidade com um prefeito médico, Dr. Pessoa, uma criança indígena sob os cuidados de sua gestão, morreu em decorrência de uma diarreia. Nossos parentes Warao choram por essa vida que viveu tão pouco tempo entre nós. Mais uma mãe e pai indígena choram, pois seu bebê não está mais em seus braços”, diz a publicação deita na rede social do grupo Piauí Indígena.

Um dos membros do grupo Piauí Indígena destacou que outra criança de 04 anos e um rezado estão apresentando os mesmos sintomas que Euclide. “Mortalidade infantil é algo grave nos dias de hoje, isso é sinal de maus tratos, má alimentação, péssimas condições de habitação. Uma criança morreu de diarreia, lideranças foram expulsas do abrigo, é uma situação que parece um campo de concentração”, afirma o representante do grupo.

Além disso, eles denunciam que a alimentação recebida pelos Warao está sendo dificultada pela administração, bem como os indígenas estão sendo coagidos por guardas que atuam no abrigo e fazem uso de cassetetes.

Os representantes do coletivo cobram mais assistência ao povo Warao, como profissionais capacitados e que acompanhem os indígenas de maneira a oferecer uma assistência digna. Além disso, pedem a criação de uma rede de apoio à saúde, bem como outras medidas que visam solucionar conflitos dos abrigos, como:

1. Reanalise dos atos cometidos por Yovini Torres;
2. Rever a prática de expulsão dos abrigos;
3. Atuação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS);
4. Transparência nas regras impostas nos abrigos dos Warao;
5. Retirada da Guarda Municipal dos abrigos;
6. Garantia da segurança alimentar;
7. Inclusão dos abrigos no programa Piauí Conectado

Atualmente, cerca de 290 indígenas venezuelanos são atendidos pela Semcaspi, divididos em três abrigos em Teresina.

- Antigo prédio na Emater, BR-343 (abrigo onde o bebê de três meses morreu);
- CSU, no bairro Buenos Aires, zona Norte;
- Piratinga, no bairro Poty Velho.

“Somos povos originários e exigimos respeito. Nossas vidas são preciosas. Queremos dignidade! Chega de racismo! Chega de omissão e negligência! A vida de toda criança indígena importa! Que o pequeno Euclide e sua família possam encontrar paz”, completa o relato do post.

Por meio de nota, a Semcaspi esclareceu sobre a morte do bebê Euclides, lamentando o falecimento da criança e destacando que o órgão tem dado todo apoio aos indígenas. 

Confira abaixa a nota de esclarecimento na íntegra.

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), por meio da Gerência de Proteção Social Especial (GPSE), confirma o falecimento de Euclide Moreno Mendoza, de um mês, indígena de etnia Warao, que estava acolhido no abrigo Emater. O falecimento de Euclide Mendoza ocorreu na noite da última terça-feira, (08/06), por complicações de infecção intestinal. 

A Semcaspi esclarece que a mãe de Euclide Mendoza, Sophia Maria Mendoza, 19 anos, recebeu toda a assistência, inclusive, durante o período gestacional, com consultas pré-natal, exames iniciais que apontaram normalidade e sem alterações para os resultados, como ultrassonografia computadorizada, e foi prescrito e oferecido a suplementação com ácido fólico e ferro, além disto, foi encaminhada para atualizar o cartão de vacina. E concedeu o kit natalidade, composto de fraldas descartáveis e de pano, lenço umedecido, banheira, materiais de higiene, fita, entre outros, que auxílio que faz parte do serviço Benefício Eventual.

No Relatório Situacional, elaborado pelo Serviço de Acolhimento Institucional (Abrigo Ka Ubanoko II – EMATER),aponta que no dia 25 de maio de 2021, Sophia Mendoza foi a UBS Estaca Zero para o encerramento do pré-natal e do acompanhamento puerperal, sob a companhia da educadora social do abrigo, e relatou não estar amamentando Euclide Mendoza e em troca estaria oferecendo o leite da marca Ninho. Com as orientações médicas, foi providenciado no dia seguinte, 26 de maio de 2021, o leite NAN 1, ideal para bebês da idade de Euclide Mendoza, sendo entregue ao pai, Wilmer Moreno Zapata. 

Ao apresentar infecção intestinal, no dia 07 de junho de 2021,aproximadamente às 14h, Euclide Mendoza foi encaminhado para a UPA do Satélite. Ao retornar da UPA, às 17h, os pais já tinham providenciado o medicamento prescrito: paracetamol e simeticona e relataram que o médico teria pedido para substituir o leite NAN I pelo Nestogeno. 

No dia seguinte, 08 de junho de 2021, às 16h, Euclide Mendoza foi levado ao abrigo CSU, para que um dos acolhidos, Lautério Perez, rezasse no bebê, o que faz parte da cultura deles. Embora, os coordenadores não tenham autorizado a saída da família para outro abrigo, devido ao período de pandemia, eles optaram por levar acriança para o tratamento com base em rituais religiosos. Euclide Mendoza faleceu poucas horas depois. 

A Semcaspi concedeu o suporte necessário, por meio do serviço de Benefícios Eventuais, como: auxílio funeral e auxílio de transporte, respeitando as tradições culturais deste grupo. E ainda, lamenta profundamente o ocorrido e se disponibiliza para prestar maiores esclarecimentos ou dúvidas.

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