Cresce número de pessoas em situação de rua em Teresina

Em alguns casos, famílias se expõem ao período e situações insalubres, ocupando espaços públicos da cidade

17/09/2021 10:49h - Atualizado em 17/09/2021 13:11h

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A pandemia da Covid-19 causou impactos profundos na vida econômica e social da população. Muitas pessoas perderam seus empregos, afetando diretamente outros direitos básicos, como alimentação e moradia. Em Teresina, o número de pessoas vivendo em situação de rua aumentou consideravelmente. Em alguns casos, famílias se expõem ao período e situações insalubres, ocupando espaços públicos da cidade.

 O número de pessoas vivendo em situação de rua aumentou consideravelmente. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Na Avenida Barão de Castelo Branco, no bairro Cristo Rei, zona Sul de Teresina, uma parada de ônibus tem servido de moradia para um casal. Há um mês, eles ocuparam o local, que não recebe mais passageiros, já que o transporte coletivo está reduzido na cidade e algumas linhas deixaram de circular. Para garantir um mínimo de privacidade e segurança, os dois moradores utilizam lençóis para limitar o espaço. O único sustento vem do que conseguem arrecadar no lixão de Teresina.

Casal faz da parada de ônibus sua moradia. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Na mesma calçada, eles dividem espaço com outro morador. Esse, por sua vez, construiu sua moradia com pedaços de madeira e lona, e essa construção precária comporta apenas uma única pessoa. E assim o homem tem vivido nos últimos oito meses.

A situação é bem semelhante ao que vive uma outra família, na zona Norte de Teresina. Na beira de um barranco, na Rua Treze de Maio, próximo à linha férrea, eles ergueram uma pequena tenda com paus e lonas.

Família vive em tenda de lona na Zona Norte. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

“Não temos como pagar aluguel com auxílio do governo”, conta família em situação de rua

Na região do Centro de Teresina, a Praça Pedro II acabou virando lar temporário de uma família que veio do Ceará. Há cerca de cinco meses, eles dormem, tomam banho, lavam roupas e se alimentam na praça. A família, que conta com dois homens, uma idosa e duas crianças, não têm para onde ir e pedem que as pessoas os ajudem, seja com empregos ou moradia.

Família veio de Ceará e já mora na praça há cinco meses. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Sem internet, as crianças de 10 e 13 anos que estavam assistindo aula online, não possuem mais acesso à educação. A idosa, que não quis ser identificada, afirma ainda que tem uma neta internada em um hospital da capital, realizando tratamento contra um tumor no cérebro. Esta situação, aliada a pandemia do coronavírus, inviabilizou que a família pudesse arcar com as despesas de um aluguel.

“Tivemos que vir do Ceará para continuar com o tratamento da minha neta, tentamos alugar uma casa, mas não deu. Então, nós ficamos aqui na praça, enquanto a minha neta e a mãe dela estão no hospital. Já estamos aqui há mais ou menos cinco meses e não temos como pagar aluguel, água e luz com o auxílio do governo. A gente só se alimenta porque tem uma mulher que faz esse trabalho em outra praça e vamos até lá”, conta a senhora.

A família dorme, toma banho, lava roupas e se alimenta na praça. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

A idosa ressalta que todos os dias a família corre um sério risco de perder a vida, devido aos perigos de se viver em uma praça pública. “Aqui sempre escutamos tiros, é muito perigoso. Também corremos o risco de sermos assaltados e levarem nossas coisas. O nosso maior bem é a vida e estamos correndo risco de perdê-la aqui”, explica.

A família pede que quem puder ajudar, seja com uma moradia, trabalho, ajuda econômica ou alimentação, entre em contato com os números: (86)  9 8879-5990 / (85) 98568-6692. 

Políticas Públicas 

Segundo Lidiane Oliveira, gerente do Centro de Valorização para População em Situação de Rua (Centro Pop), da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), a quantidade de pessoas vivendo nas ruas tem crescido e isso se deve a diversos motivos. Entretanto, a questão econômica é o fator mais agravante. 

“A atual conjuntura faz com que muitas pessoas estejam em situação de risco, por diversas situações, especialmente a questão econômica, já que estamos nesse processo pandêmico, desestabilizou muitas pessoas, até psicologicamente. Retornamos às atividades em janeiro deste ano e esse número vem crescendo significativamente mensalmente dentro da unidade. Já percebemos que, em agosto, tivemos 40 novas pessoas buscando o Centro Pop, fora os outros que já são atendidos cotidianamente”, conta a gerente.

Segundo Lidiane Oliveira, a quantidade de pessoas vivendo nas ruas tem crescido. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Lidiane Oliveira pontua que o Centro Pop tem feito o acompanhamento dessas pessoas, por meio da busca ativa, e atendimento psicológico e social. Por meio do serviço de abordagem especializado, é possível chegar a esse público que, em geral, não consegue chegar ao Centro.

“Conseguimos realizar o atendimento e encaminhar para a rede de atendimento especializado para a população de rua. um dos serviços ofertados é o acolhimento social dentro da Casa do Caminho, em Teresina. Mas há uma necessidade de ampliar o Centro Pop em outras áreas da cidade. É bom destacar que existe a população em situação de rua, que utiliza a rua para tudo, moradia e banho, e os que estão, que são aquelas que passam o dia em mendicância, mas tem um destino em sua casa, como flanelinha, pedintes em sinais”, disse.

O Centro Pop fica localizado na Rua Clodoaldo Freitas, centro/norte de Teresina. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

No Centro Pop são ofertados atendimentos:

- psicossocial;

- CadÚnico (para receber benefícios eventuais e sociais);

- atendimento com educadores sociais, como banho, cursos, encaminhamento para o mercado de trabalho, entre outros.

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