Colégio Inec ofereceu lotes de terra a funcionários demitidos para quitar dívidas

De acordo com ex-funcionários, os lotes são de um sítio de propriedade dos antigos donos que era usado em passeios escolares com os alunos.

22/04/2021 10:21h - Atualizado em 22/04/2021 10:35h

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Os funcionários demitidos do antigo Colégio Inec, em Teresina - hoje, Colégio Cívico Militar Batalha do Riachuelo (CCMBR), administrado por uma razão social diferente da antiga escola - denunciaram à reportagem do Portalodia.com que receberam a oferta de lotes de terra como proposta de negociação das dívidas trabalhistas que a instituição tem com o grupo. Mais de 60 funcionários, entre professores e servidores, foram desligados da escola no final do ano passado quando esta foi adquirida por um grupo escolar de Fortaleza e transformada em colégio militar.

A propriedade em questão é um sítio na região de Timon, que pertence aos donos do antigo Colégio Inec, e era usado como destino de excursões e passeios escolares com os alunos. De acordo com a denúncia, a oferta dos lotes de terra vinha acompanhada de uma redução de até 30% dos valores em dinheiro a serem pagos pela escola aos funcionários demitidos. 

"Tem gente ali que tinha que receber de R$ 20 mil a R$ 30 mil, e teve que ouvir proposta de R$ 3 mil pelos direitos trabalhistas e os salários atrasados. Isso não paga nem os meses de salário atrasado. Não paga a humilhação que é a gente estar mandando mensagem e cobrando o que é nosso de direito", diz um dos ex-funcionários.


Foto: Reprodução/Google Maps

A informação de que o antigo Colégio Inec ofereceu lotes de terra aos seus ex-colaboradores para diminuir as dívidas trabalhistas foi confirmada pelo Sindicato dos Professores de Escolas Particulares do Piauí (Sinpro-PI). De acordo com a diretoria da entidade, alguns funcionários chegaram a aceitar o acordo e saíram tendo em mãos menos de um quarto do que realmente deviam receber. Em conversa com a reportagem de O Dia, o diretor financeiro do Sindicato, professor Ricardo Lima, informou que a entidade está acompanhando de perto a situação dos ex-funcionários do Colégio Inec, dentro de suas possibilidades legais.

"Infelizmente, nós não temos poder de polícia nem de justiça para determinar que a escola pague o que deve e honre com os direitos de seus funcionários, mas dentro das nossas capacidades, estamos atuando. Já acionamos o Ministério Público, já foram firmados vários TAC's (Termos de Ajuste de Conduta) com a direção administrativa-financeira do Inec e o que podemos fazer, estamos fazendo: é pressionar a instituição, exigir esclarecimentos, buscar os órgãos responsáveis e dar o assessoramento àqueles que procuraram o sindicato para ter um respaldo jurídico e legal", explica o professor Ricardo.

A reportagem do Portalodia.com tentou contato com o diretor financeiro do antigo Colégio Inec, Thiago Parente, mas as ligações não foram atendidas.

Colégio Cívico Militar e antigo Colégio Inec são empresas diferentes

Procurado pela reportagem de O Dia, o Colégio Cívico Militar Batalha do Riachuelo informou que não tem relação empresarial com o antigo Colégio Inec e que as dívidas trabalhistas da antiga administração com seu ex-funcionários dizem respeito aos gestores da antiga escola e não com os da atual. Em conversa com o Portalodia.com, o coronel Nixon Frota explicou que a razão social da escola militar é diferente da razão social do antigo Colégio Inec. "São CNPJ's distintos, porque são duas empresas diferentes. As dívidas do Inec, eles levaram com eles e não tem relação com o Colégio Cívico Militar" explicou.

O antigo Colégio Inec foi adquirido por um grupo educacional de Fortaleza no final de 2020, que, de posse do prédio onde funcionava a escola anterior, fez as adaptações e instalações necessárias para criar uma nova instituição, batizada de Colégio Cívico Militar Batalha do Riachuelo.

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