Cerca de 30 casas foram invadidas no Angelim em um ano, diz moradora

População relata que arrombamentos de casas são recorrentes, e que vítimas são feitas reféns

04/07/2017 08:19h

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No conjunto Livramento, do bairro Angelim, zona Sul de Teresina, os moradores dormem temerosos com a quantidade de casas que já foram invadida por assaltantes na região. Só nestes últimos meses, pelo menos sete casas foram roubadas em intervalos curtos de tempo. Televisões, celulares, notebooks, câmeras, e videogames são tirados das residências durante a madrugada e a população não sabe mais como controlar. De acordo com a moradora Jossilandia Rodrigues, que também teve sua casa invadida enquanto estava em casa, cerca de 30 residências do bairro já sofreram com o problema. 

Moradora passou por momentos de pânico ao ter a casa invadida (Foto: Moura Alves/ O Dia)
O caso da cabelereira aconteceu há um ano, mas a sensação de insegurança para ela é cada vez maior, pois desde então vários assaltos como esses foram relatados por diferentes moradores. Grande parte deles com algo comum, o horário das invasões. Os casos são registrados com frequência na madrugada, enquanto os proprietários estão dormindo. 

“Eles entraram em casa 4h da manhã pela porta da cozinha, ele pulou o muro, arrombou a porta e entrou. Eu me senti horrível, eu já estava acorda e comecei a gritar. Ele levou bolsa, celular, dinheiro e saiu. Logo depois chegou gente aqui para me socorrer. Chamei a polícia, mas não deu em nada, como sempre, não tomam providência nenhuma, como agora. Já teve casos aqui que trancaram as pessoas de refém no banheiro para roubarem”, lamenta Jossilane. 
A professora Janaina Morais, que tem dois filhos, um menino de 13 e uma menina de 17 anos, ainda está se recuperando do trauma da invasão em sua casa no começo do mês de abril deste ano. Ela conta que o assaltante entrou em sua residência por volta das 4h da manhã, entrou no quarto dos seus filhos enquanto dormiam, levou os celulares dos dois e a câmera fotográfica da mais velha, além de outros objetos da casa, como a TV da sala, camisas do marido, videogame da criança. A família acredita que o assaltante colocou todos os pertences roubados enrolados na toalha do sofá, que também desapareceu e que eles trabalham em grupo. 
“A gente teve que mudar as portas, adquirir um cachorro, colocar cerca elétrica, que era algo que a gente não queria aceitar porque a gente que fica preso e teve que passar por cima da nossa vontade. E isso é um absurdo, a minha filha ficou preocupada em saber como estava quando eles entraram no quarto, meu filho ficou revoltado e a gente passou noites dormindo com nossos filhos no quarto, com medo de acontecer novamente. É um sensação horrível. Não é para ser assim, não era para ninguém entrar na minha casa, pegar as coisas que a gente tem um sacrifício tão grande para a adquirir”, desabafa a moradora. 
Eles fizeram um Boletim de Ocorrência, a perícia foi analisar o local, mas não obtiveram resultado. A família relata que um caso semelhante e na mesma rua aconteceu poucos dias depois e que durante o acionamento da polícia militar, o delegado afirmou já ter uma lista com a quantidade de casos de invasão do conjunto Dignidade. 
Outra moradora, a dona de casa Josefa Cardoso, conta que no começo da manhã da última sexta-feira (30), a casa de sua vizinha foi assaltada e levaram TV, celular, carro e bolsa dos proprietários. O assalto aconteceu 7h a manhã, mas a polícia só chegou às 8:30h. “Estamos sem segurança, passa mais de uma hora para a polícia chegar, e esses casos são todos recorrentes aqui, não muda”, reclama. 

(Foto: Moura Alves/ O Dia)
Na casa da moradora Talita Rejane o problema se repetiu. É um dos mais recentes dos denunciados, aconteceu no dia 27 de maio e levaram duas TV’s durante a madrugada. O último aconteceu na noite da última sexta-feira (30) em uma pizzaria próximo à rua da moradora, na Q 18 do conjunto, com arrastão em clientes e proprietários. 

Talita explica que, ao denunciar o delegado falou que a Secretaria de Segurança tinha tirado os dois agentes da delegacia, e por isso, ele atendia à região, que vai do bairro Lourival Parente ao bairro Angelim, sozinho. “Ele chegou a pedir para eu ir na Secretaria de Segurança para pedirem mais agentes, já que ele fez as solicitações, mas não tinha sido atendido. Pela quantidade de gente que chega dizendo que foi assaltado, teve uma época que foi uma casa por semana, eles já deveriam ter noção de onde vinham os criminosos”, enfatiza ela. 
O que os moradores pedem é que o policiamento seja intensificado e uma investigação seja feita sobre todos os casos de invasão para dar fim ao problema e garantir segurança para todos da região. Essa convivência com o medo de assaltos na pró- pria residência, um local que deveria ser a segurança, mas que é violado, está sendo motivo de tirar o sono de muitas famílias. 
Resposta 
A equipe de reportagem do Jornal ODIA tentou contato com o delegado responsável pela área para saber quanto às providências, mas até o fechamento desta edição as ligações não sofram atendidas.
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Edição: Isabela Lopes
Por: Karoll Oliveira

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