Artesão piauiense é sucesso na internet produzindo peças em biscuit

Ricky Calado, de 28 anos, mora em Teresina e montou um ateliê em sua casa para reduzir os custos e manter seu negócio funcionando

10/06/2021 12:12h - Atualizado em 10/06/2021 17:02h

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Fazer bonecos personalizados em biscuit, uma porcelana fria, moldados com detalhes artísticos para casamentos e linha sacra (especialidade)é o negócio de um artesão piauiense que fatura R$ 48 mil por ano.

Ricky Calado, de 28 anos, mora em Teresina e montou um ateliê em sua casa para reduzir os custos e manter seu negócio funcionando. O amor pela construção das peças começou ainda na adolescência. Na fase adulta, o artista sofreu uma violência racial – o que deu ainda mais força para continuar com o empreendimento.



Foto: Assis Fernandes/ODIA


“Eu sou artesão porque tenho a felicidade de ter uma mãe artesã, a dona Elisangela Calado. Eu conheci o biscuit na minha adolescência e, na fase adulta, morando no Rio Grande do Sul, eu sofri uma violência racial e dei a volta por cima. Voltei para Teresina e abri esse negócio com o meu companheiro. Hoje já temos mais de 70 mil seguidores no Instagram”, disse.


O jovem empreendedor faz diversos bonecos personalizados e, sua especialidade, são peças para casamentos (noivos) e linha sacra (com complemento de animais). Por mês, ele consegue produzir 20 peças e as distribui para diversas regiões do país. Com a pandemia da Covid-19, Ricky conta que a procura pelas peças aumentou. 


“Por mês, eu consigo produzir 20 peças, 10 a cada 15 dias, dentro de casa, e saio apenas para enviar por correio quando necessário. O nosso faturamento chega a R$ 4 mil a R$ 4,5 mil por mês. Na pandemia, a gente percebeu que a internet seria o principal veículo de busca pelo nosso produto e investimos nisso. Comprei uma câmera para eu trabalhar com o Instagram. Com isso, vieram mais seguidores, comentários, orçamentos e as nossas peças viralizaram”, conta. 


Foto: Assis Fernandes/ODIA

O alcance das peças atingiu artistas famosos como Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Pablo Vittar, Karol Conká, dentre outros.

“A primeira pessoa famosa que trabalhei foi para Ivete Sangalo, o que potencializou bastante o nosso empreendimento. Eu fico muito feliz porque são pessoas que viajam o mundo todo e têm acesso a todo tipo de arte”, disse.

Os planos para esse ano são aumentar bastante a divulgação para alavancar as vendas.


Mãe artesã é o incentivo

Ricky conta que sua mãe, a artesã Elisangela Calado, sempre o incentivou com o empreendimento mesmo sem trabalhar com biscuit.

“Minha mãe trabalha com sabonete, com um material de forma mais rústica. Ela sempre me deu apoio, incentivou é também minha fonte de inspiração. Nas férias, eu trabalhei em uma pequena loja que ela tinha, fiz oficinas... Meu companheiro já tinha algumas habilidades com e-commerce e usei o Instagram para crescer. Sou muito grato por tudo que minha já fez por mim”, ressalta.

Rick concluiu usando seu negócio para dar visibilidade as outras pessoas que precisam de oportunidades.

“Como LGBT, eu tento, nos lugares que eu ocupo hoje, jogar luz sobre aquelas pessoas que são parecidas comigo. Dizer para elas que apesar de todas as dificuldades, elas podem também. Eu tento ser inspiração e dar voz para elas. Esse é meu sentimento, de crescer junto, com os meus”, finaliza.

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