Antigo Clube da Telemar está desativado há quase 20 anos

Água acumulada dentro do Clube, quebrou o muro e atingiu aproximadamente 45 casas no Parque Rodoviário. Duas mortes foram confirmadas.

05/04/2019 11:05h - Atualizado em 05/04/2019 14:52h

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A tragédia que ocorreu na noite desta quinta-feira (04), no Parque Rodoviário, zona Sul de Teresina, foi causada pelo rompimento do muro do antigo Clube da Telemar, que não suportou o acumulado da chuva que caiu na Capital. A Defesa Civil apontou que dentro do terreno havia uma lagoa e que o muro do clube servia como contenção. Mas, de acordo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel), João de Moura Neto, essa informação não procede.

Segundo ele, no terreno do Clube da Telemar, que está desativado desde 2004, havia um grotão e uma galeria. João de Moura ainda pontua que o entupimento da tubulação pode ter causado o acúmulo da água, resultando no rompimento do muro. “Ali no Clube é um grotão, então quando chove fica acumulado e vira uma enxurrada. Do (bairro) Morada Nova, por trás da Rodoviária, e os bairros próximos, a água passa toda por aquele grotão, então toda vez que chove o volume de água lá é muito grande, por isso fizeram aquela galeria, mas ali nunca teve lagoa. Pode ser que a água tenha acumulado porque o bueiro pode ter entupido”, comenta.

O presidente do Sinttel afirma que, desde que o Clube da Telemar fechou o espaço ficou abandonado e que, apesar de ter torres instaladas da operadora de telefonia OI, “não tem nada que seja mantido pela OI ou pelo Clube, o clube acabou mesmo”. “Existe o muro de separação e nesse local tem uma galeria e ali não tem como acumular água. Se foi entupida, aconteceu do lado da direita, que é da Rodoviária. Eu conheço o terreno e asseguro que lá nunca teve lagoa, é um grotão, que eventualmente pode ter acumulado água por conta do entupimento do bueiro por conta do aterramento”, frisa.

João de Moura Neto salienta também que o clube foi depredado pela população que reside no entorno do local. De acordo com ele, parte da estrutura física foi roubada pelos moradores, como o telhado do almoxarifado.

O superintendente de Desenvolvimento Urbano (SDU/Sul), Paulo Lopes, disse que a água que atingiu as casas tinha um volume muito grande e uma velocidade muito alta, invadindo vários imóveis no entorno do Parque Rodoviário. Ele cita ainda que nenhuma reclamação em relação ao abandono do clube foi feita à SDU/Sul e que os moradores não tinham conhecimento da situação que se encontrava o terreno.

“Segundo os moradores, existe uma briga judicial entre sócios ou servidores antigos da Telemar e o próprio clube, ninguém tem acesso ao interior do clube. O canal passa por baixo do terreno, e praticamente no muro houve um represamento dessa água que, inclusive, parte dessa água estava dentro do clube conforme nós olhamos ontem. O muro está afastado uns 20 metros do local onde aconteceu o rompimento. Ou seja, a água entrou até esse ponto dentro do clube e ficou represada, mas ninguém tinha acesso”, disse Paulo Lopes.

Posicionamento

A equipe de reportagem do Portal ODIA entrou em contato com a OI, mas até o momento a concessionária não se manifestou sobre o caso.

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Por: Isabela Lopes

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