Acervo da Casa da Cultura de Teresina é remanejado para outros espaços culturais

Com o fim do contrato entre Prefeitura e Arquidiocese de Teresina, o prédio, que é alugado, será desocupado e devolvido.

06/07/2021 13:23h - Atualizado em 06/07/2021 15:08h

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Inaugurada no dia 12 de agosto de 1994, a Casa da Cultura de Teresina é um dos importantes patrimônios culturais da cidade. O local já foi palco de inúmeras apresentações artísticas, de grupos de dança e balé, cenário para exposições e desfiles. Além disso, conta em suas salas, corredores e paredes, histórias e memórias de uma cidade, de um Estado, de personalidades e de muitos que por aqui passaram.

(Fotos: Assis Fernandes/ODIA)

Se a pandemia da Covid-19 não perdoou nenhum segmento, com a Cultura não foi diferente. Sem receber apresentações e visitantes, a Casa seguiu fechada até janeiro deste ano, quando a nova gestão da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMCMC), que mantém o espaço,  assumiu e fez mudanças na diretoria. 

O prédio é alugado e pertence à Arquidiocese de Teresina . O local foi interditado por questões estruturais, por apresentar problemas na edificação e na parte elétrica, exigindo uma reforma urgente. Mas, com o fim do contrato entre a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT), que encerra em julho, o local deve permanecer sem reparos e fechado por tempo indeterminado.

O presidente da FMCMC, Sheyvan Lima, pontuou que o uso do espaço, atualmente, é inviável. Destacou que a estrutura do local está bastante comprometida e que isso se deve ao descaso humano, já que não foram feitos reparos para amenizar a ação do tempo. O gestor enfatizou também que a Casa da Cultura não está sendo abandonada e que a problemática não tem relação com fatores políticos.

“As necessidades estruturais da Casa da Cultura, a busca de recursos e outros fatores, nada têm a ver com o abandono ou descarte daquele prédio. A nossa luta é para manter aquele espaço, mas, como ele está hoje, é inviável, insalubre e inseguro. Essa ação do tempo na Casa da Cultura foi prolongada demais sem intervenções, ao ponto de precisarmos sair de lá para reformar. É uma consequência da ação do tempo e da falta de ação do homem nessa manutenção. Não está na pauta de problema político-administrativo, é um problema estrutural”, disse.

Apesar da necessidade de reforma, essa é uma pauta que segue indefinida, já que o prédio é Arquediocese de Teresina e toda e qualquer obra deve ser feita mediante autorização. Além disso, por se tratar de um imóvel tombado, outros fatores precisam ser considerados. Com tantas incertezas, o destino do prédio da Casa da Cultura tornou-se uma incógnita.

“Estamos na busca de recursos para uma futura parceria com a Arquidiocese para reformar aquele prédio. Essa reforma ainda é uma vontade do movimento cultural, da Prefeitura, mas dependemos de recursos externos, porque não é uma obra simples, já que é um prédio antigo, que não tem acessibilidade e é tombado. São fatores que complicam a busca de recursos. Nós dependemos da vontade da Igreja em querer tudo isso, se não, arrumamos as malas e vamos para outro lugar”, frisou.

Acervo será remanejado

Enquanto a Casa da Cultura segue interditada, todo o acervo será transferido para outros espaços culturais. A antiga Casa da Dona Carlotinha, na Praça João Luís Ferreira, prédio do Instituto de Previdência Municipal de Teresina (IPMT), está sendo alugada e deve receber parte da coleção.

O material de arte sacra deve ser levado para o Museu Dom Libório, localizado na Rua Olavo Bilac. Já o Balé da Cidade será encaminhado para o Teatro João Paulo II.

Casa da Cultura 

O espaço possui duas bibliotecas em homenagens ao jornalista Carlos Castello Branco e ao prefeito Raimundo Wall Ferraz, com acervo de 6.827 livros e 1.918 periódicos;

- Memorial Raimundo Wall Ferraz, com homenagens, fotos e objetos pessoais. Memorial Carlos Castello Branco, com homenagens, livros, periódicos e objetos pessoais do jornalista, como o fardão da Academia Brasileira de Letras;

- Mostra permanente de geologia, paleontologia e numismática;

- Coleção Fotográfica de José Medeiros - arquivo fotográfico, livros, recortes de periódicos, troféus, telas, cartografia, objetos indígenas, objetos de trabalho e pessoais do fotógrafo e cineasta;

- Coleção sacra da Arquidiocese de Teresina e do Professor Noé Mendes - objetos sacros, oratórios e paramentos;

- Coleção do historiador Josias Clarence Carneiro da Silva - mobiliário colonial, porcelanas e instrumentos musicais;

- Pinacoteca Lucílio Albuquerque; Auditório Professor Clemente Fortes; Sala de Artes Cênicas; Sala de Artes Plásticas; Videoteca; Pátio com palco a céu aberto.

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