64% dos pacientes que buscam tratamento param de fumar, aponta médico

Experiência do Hospital do Parque Piauí revela que muitos pacientes conseguem abandonar o vício logo na primeira tentativa

01/06/2017 08:35h

Compartilhar no
Ontem, 31 de maio, foi celebrado o Dia Mundial sem Tabaco, data que mobilizou ações em diversas partes do mundo. Em Teresina, o Hospital do Parque Piauí, que mantém o Programa de Tratamento do Tabagismo, através da Fundação Municipal de Saúde (FMS), comemorou o dia com a presença de pacientes e profissionais que fazem parte do serviço. 
O Hospital do Parque Piauí é referência no tratamento de pessoas que desejam parar de fumar. Segundo o médico Rivaldo Macêdo, que compõe a equipe de multiprofissionais, 64,4% das pessoas que procuram o programa deixam de fumar, percentual mais elevado até que em hospitais de referência nacional. 
“Nós mostramos, através de dados, os prejuízos que o tabagismo causa, assim como os desafios e ganhos que o paciente tem ao parar de fumar. O fato do paciente ingressar no programa e não conseguir parar está na estatística do Inca (Instituto Nacional do Câncer), mostrando que o paciente precisa tentar entre três e quatro vezes e aqui conseguimos que muitos parem já na primeira tentativa”, fala. 

Rivaldo Macêdo alerta para os malefícios do cigarro à saúde (Foto: Elias Fontenele/ O Dia)
Fases 

Rivaldo Macêdo pontua que o tabagismo é uma doença que se divide em três fases: dependência física, comportamental e psicológica, e que a participação de uma equipe de multiprofissionais é fundamental para atender à demanda do paciente de acordo com sua especificidade. A equipe é composta por assistente social, psicopedagogo, terapeuta, nutricionista, dentista, entre outros profissionais. 
Perigo 
O médico também destaca que o tabaco é a principal causa de adoecimento que se pode evitar. A doença é a primeira causa de morte entre pacientes que fumam ativamente e a terceira entre os quem não fumam ativamente. 
“A pessoa quando fuma elimina na fumaça três vezes mais nicotina, poluindo o meio ambiente. Agora imagina em uma casa que tem criança ou idoso, gerando asfixia nesse público mais sensível, provocando problemas respiratórios agudos. A longo prazo, causa doenças crônicas degenerativas, como hipertensão e cânceres”, ressalta. 
Os prejuízos do fumo nos pacientes do sexo feminino são ainda mais graves, vez que a primeira causa de morte entre as mulheres é por conta das doenças cardiorrespiratórias e circulatórias, com infarto do miocárdio e derrame cerebral. A segunda está relacionada aos cânceres, como mama, pulmão e colo; e a terceira relacionadas às doenças respiratórias.
Programa já atendeu mais de mil pacientes 
Desde quando foi criado, em 2010, o Programa de Tratamento do Tabagismo, oferecido no Hospital do Parque Piauí, já atendeu mais de mil pessoas. Desses, 604 conseguiram ingressar de fato no tratamento e 390 conseguiram deixar de fumar. Esse número poderia ser ainda maior se a quantidade de pessoas que busca tratamento fosse compatível com a quantidade de vagas disponíveis nas unidades bá- sica de saúde. 
Segundo a assistente social Alba Valéria de Sousa, que faz parte da equipe multiprofissional da unidade de saúde, há uma grande demanda reprimida de pacientes, vez que, atualmente, há apenas cinco unidades especializadas, sendo a do Hospital do Parque Piauí, do Hospital Universitário e mais três em outros pontos da cidade. 

Hospital do Parque Piauí é referência no tratamento anti-fumo (Foto: Elias Fontenele/ O Dia)
Entretanto, ela pontua que esse trabalho está sendo ampliado para outras dez unidades básicas de saúde em Teresina, de modo a atender à população em todas as zonas da Capital. “Quanto mais perto esse tratamento estiver da população, maior será a cobertura”, fala. 

Ainda de acordo com Alba Valéria, os pacientes atendidos no programa são bastante variados em faixa etária, classe social e grau de escolaridade. Ela pontua também a importância da família no momento que a pessoa decide tomar a decisão de parar de fumar. “É importante que a família apoie, principalmente em casa. Há parentes que vêm acompanhando o paciente e isso também é muito bom. A pessoa já é acolhida aqui e se tiver isso em casa, certamente terá êxito”, enfatiza Alba Valéria de Sousa.
Compartilhar no
Por: Isabela Lopes

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário