“A internet está mudando nosso modo de viver”, afirma sociólogo

A reflexão de Francisco Mesquita vem no dia em que o domínio “.br” completa 30 anos de utilização

18/04/2019 08:54h - Atualizado em 18/04/2019 09:08h

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Participar virtualmente de um velório, encontrar um par romântico, ver em tempo real alguém do outro lado mundo, fazer compras sem sair de casa, ganhar dinheiro para “influenciar digitalmente” outras pessoas, essas são algumas das possibilidades de fácil acesso através da internet. Para especialistas, a internet e o avanço tecnológico estão remodelando comportamentos e mudando o modo de se viver em sociedade. No Brasil, pode-se dizer que a internet começa a se popularizar do fim dos anos 1990 para frente, é o que diz o sociólogo Francisco Mesquita.

Para o pesquisador, a descoberta das informações transmitidas por satélite revolucionou e ampliou as condições e o modo como as pessoas se comunicam. “Podemos dizer que a internet como um todo é uma mata desconhecida. Todos que entram nesta mata estão em busca de chegar a algum lugar ou realizar algo. A grande maioria, o que em porcentagem seria uns 70%, não conhece de fato por onde navegam. As redes sociais surgem para facilitar o caminho por entre essa mata, digamos assim”, exemplifica o sociólogo.


No Brasil, a internet começa a se popularizar no fim dos anos 90. Foto: Arquivo O DIA

Segundo Francisco, uma das mudanças sociais notáveis é o modo de interação entre as pessoas, antes mais físicas, hoje mais virtuais. “Além do tempo corrido e a facilidade de resolver boa parte dos problemas pelo celular, há também a exposição cotidiana. As pessoas fazem posts, por exemplo, na intenção de receber uma reação do outro à sua atividade. A comunicação física, o famoso cara a cara, diminui; a virtual aumenta e, por consequência, o isolamento social tende a ser algo cada vez mais comum”, conta.

“As interações primárias de uma pessoa com outra é o que constrói a sociedade”, ressalta Francisco. De acordo com o sociólogo, é possível elencar duas grandes funções da internet, aproximar as pessoas e democratizar serviços e informações. “O que precisa ser revisto é o modo a utilizamos”, completa.

Da internet discada à fibra ótica

Se você nasceu entre os anos 1996 a 2000, provavelmente usou ou ouviu falar da internet discada, um marco da época era o famoso computador todo branco com monitor de tubo e o uso de disquetes, que antecedeu o uso de CDs e pen drives. Com a evolução dos aparelhos, hoje é possível uma velocidade maior, com máquinas menores proporcionando maior comodidade aos usuários.


Com a fibra ótica, é possível uma troca maior de dados em alta velocidade. Foto: Reprodução

O técnico de Tecnologia da Informação, Davi Nascimento, explica que a melhoria nos aparelhos e no cabeamento proporcionou a evolução da conexão de internet. “A internet discada precisava de uma placa de rede só que para telefone, no computador. Toda a configuração e a troca de informações demorava. Com estudos, houve uma mudança de discada para DSL, que já utilizada o modem, e isso facilitava o processo. Após alguns anos, chegamos na fibra ótica, onde há um tráfego de dados com uma velocidade muito maior”, explica.

Domínio completa 30 anos

Para validar um site na internet, ou seja, consegui acessá-lo é preciso que haja o domínio. No Brasil, o utilizado é o “.br”, que pode ser acompanhado de subdomínios, por exemplo, o “.com. br”. Nesta quinta-feira (18), o domínio completa 30 anos de utilização. O serviço atua como uma pasta onde estão aguardadas todas as informações de cada página.

O analista de sistema, Francis Dias, esclarece que o domínio funciona como um decodificador que possibilita o acesso à determinada informação. “É muito mais que um nome físico. Ele armazena os códigos, traduz e apresenta as informações através do acesso. Cada página possui um único domínio. O que significa dizer que cada site tem uma pasta só”, disse.

Com toda a popularização da internet, há também a parte ruim do processo, que podem ser exemplificado pelos vírus e pelas armadilhas para coleta de dados através de páginas falsas. “O domínio é uma das principais ferramentas para identificar um site falso. Às vezes, não observamos e acabamos caindo na armadilha. E após inserir os dados, não tem volta. Por exemplo, no caso dos bancos, só existe um site da caixa econômica. Às vezes, os sites falsos usam domínio onde a diferença do site oficial é muito pouco, por isso é preciso estarmos em atentos”, finaliza.

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Edição: Virgiane Passos
Por: Geici Mello

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