"œCompro gasolina ou compro comida", diz consumidora após novo aumento de combustíveis

Após novos aumentos, consumidores relatam dificuldades para abastecer em Teresina. Preços reajustados nas refinarias passam a valer a partir desta terça-feira (26)

25/10/2021 15:52h - Atualizado em 25/10/2021 17:18h

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O novo reajuste nos preços dos combustíveis– anunciado pela Petrobras – tem afetado diretamente na qualidade de vida de muitos teresinenses. Nesta segunda-feira (25), a petroleira anunciou que aumento será de 7% para a gasolina e de 9,15% para o diesel já a partir de amanhã nas refinarias.

A notícia pegou muita gente de surpresa – que tem feito de tudo um pouco para cortar gastos. É o caso da autônoma Ana Raquel, de 29 anos, que já pensou em trocar de meio de transporte devido aos sucessivos aumentos.  

Foto: Assis Fernandes/ODIA 


“Estou para deixar de andar de moto para andar de bicicleta. Todo dia é um preço diferente. Tem hora que eu encontro por R$ 6,99 e tem outra R$ 6,78”, lamenta.


A dona de casa Paula Oliveira, de 48 anos, relata que família tem escolhido entre comprar comida ou colocar gasolina.


“Você chega no supermercado e está tudo muito caro. A nossa família tem uma moto, mas já pensamos várias vezes em guardar dinheiro para comprar comida do que botar gasolina. Pego ônibus de vez em quando para economizar”, disse.


O taxista Benício Damasceno faz viagens intermunicipais diariamente e está vendo seu lucro reduzir.


“Está terrível. Cada dia mais sério. Estou pagando para trabalhar com esses aumentos que acontecem praticamente toda semana. Reduziu muito meu lucro”, desabafou o motorista, que gasta por semana mais de R$ 1 mil em combustíveis para se deslocar tosos os dias de Piripiri à Teresina.


Segundo a Petrobras, com o reajuste, o preço médio de venda da gasolina passará de R$ 2,98 para R$ 3,19 por litro, um reajuste médio de R$ 0,21 por litro (7,04%). Já o litro do diesel A passará de R$ 3,06 para R$ 3,34 por litro, refletindo reajuste médio de R$ 0,28 por litro (9,15%).

Foto: Assis Fernandes/ODIA 

O presidente do Sindicato dos Postos do Piauí (Sindipostos), Alexandre Valença, explicou que o valor do preço da gasolina é livre no país, mas deve seguir diretrizes. O consumidor deve pagar mais caro a partir desta terça-feira (26).

“Os empresários a partir de amanhã já compram com esse preço reajustado. O consumidor também já pode sentir esse aumento a partir desta segunda-feira porque o preço do combustível é livre. Se eu quiser subir ou descer é uma decisão minha. O preço quem faz é o dono do estabelecimento, mas seguindo algumas diretrizes. Ele espera acabar o estoque para repassar o valor mais caro ou mais baixo dependendo da situação. O valor final que será pago iremos descobrir nesta terça-feira (26)”, afirma.  

O presidente complementa: “o valor ainda não temos como precisar. Essa é uma decisão de cada empresário que analisa todo o mercado e toma uma decisão final. Provavelmente, a partir de amanhã os postos que estão com estoque baixo irão repassar esse valor”.

Os reajustes ocorrem em meio a reclamações de distribuidoras regionais e importadores de que a Petrobras vem praticando preços abaixo da paridade internacional e em meio a ameaças de greve por parte dos caminhoneiros.

Em nota, a Petrobras alegou que os reajustes mostram o compromisso da companhia com a prática de preços competitivos, em equilíbrio com o mercado. Os preços reajustados, segundo a empresa, refletem em parte a valorização internacional do petróleo, em meio à oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e em parte a taxa de câmbio.

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