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Dispositivo auxilia deficientes visuais a reconhecerem pessoas e objetos

Com uma câmera inteligente, o aparelho consegue fazer a leitura das informações à sua frente e, por meio de áudio, repassar ao usuário.

14/05/2019 07:44h

Um aparelho que pretende mudar a vida das pessoas com deficiência visual. Esta é a finalidade de um dispositivo de inteligência e visão artificial desenvolvido para pessoas cegas ou com baixa visão. O OrCam MyEye possui aproximadamente o tamanho de um pen drive e é um dispositivo que fica acoplado aos óculos. Com uma câmera inteligente, ele consegue fazer a leitura fácil das informações à sua frente e, por meio de áudio, repassar ao usuário.

No Piauí, há apenas três desses dispositivos, que se encontram na biblioteca da Associação dos Cegos do Piauí (Acep) e estão disponíveis para o público gratuitamente. A advogada Camila de Sousa Marques é uma das pessoas que já fez uso deste aparelho e conta como ele mudou sua vida.

“Eu não tenho [o aparelho], mas usei o da Associação dos Cegos, dentro das dependências da instituição. Eu utilizava para estudar, inclusive para a segunda fase da prova da OAB. Levava meus livros para a instituição e utilizava o equipamento lá. Fui treinada e usava com a supervisão de um professor. É fácil usar, basta posicionar o objeto na frente da câmera, ele tira uma foto e, a partir do banco de dados dele, ele analisa e fornece a informação do que está aparecendo lá, como um produto, pessoa ou texto”, comenta.


Camila de Sousa usou o dispositivo para estudar para as provas da OAB e o resultado foi positivo. Foto: Assis Fernandes/ODIA

Segundo Camila de Sousa Marques, o dispositivo visa dar mais autonomia para a pessoa com deficiência, garantindo que ela consiga desenvolver qualquer atividade. Graças ao aparelho, a jovem conseguiu estudar para o Exame da Ordem e logrou êxito. Para Camila, a popularização do dispositivo daria a possibilidade de mais pessoas com deficiência visual serem incluídas na sociedade, inclusive assumindo funções em cargos públicos.

“Uma pessoa que em deficiência procura mais autonomia e meios que possam torná-la o mais independente possível, esses óculos possibilitam isso. Eu conseguia ler as páginas sozinha e a emoção de abrir um livro, de ler, ver as cores e até mesmo por conta da minha profissão, é indescritível. É uma nova janela que se abre para as pessoas com deficiência, uma oportunidade de inclusão. Seria de fundamental importância ter esse dispositivo nas bibliotecas públicas. Imagina o quanto tornaria uma pessoa independente se ela trabalhasse em um órgão público? Seria incrível. Inclusive, o dispositivo lê escritos manuais, ou seja, o chefe pode deixar um bilhete para mim e eu vou poder ler”, pontua.

O presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência da OAB-PI destaca que a instituição tem o interesse em discutir com os órgãos públicos a possibilidade de adquirir mais aparelhos, para que mais pessoas possam ter acesso de forma gratuita. “Nós vamos conversar com os órgãos públicos, até porque temos uma Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência do Piauí, então fazer com que esse órgão público possa adquirir esse equipamento e colocar à disposição das pessoas com deficiência do Estado, para que elas possam progredir”, ressalta.

O dispositivo

O aparelho pesa apenas 22,5g e pode ser acoplado à armação de quaisquer óculos. Ele lê a informação disponível de forma prática, fácil e instantânea em qualquer superfície, de perto ou de longe e a reproduz em áudio, discretamente, no ouvido do usuário. Também faz leituras, mesmo offline, de textos e números. Além disso, consegue identificar cores e tonalidades, reconhecer pessoas e gêneros, rostos, informar a data e a hora com o simples gesto de girar o pulso, cédulas de dinheiro (reais e dólares) e identificar produtos pelo código de barras. E tudo isso em três idiomas: português, inglês e espanhol.

Por: Isabela Lopes

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