Avanço tecnológico cria confronto de gerações?

A tecnologia mudou as formas de relacionamento e de lidar com o trabalho e a vida.

16/01/2011 11:32h

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Davi Rego tem 9 anos e utiliza bastante o computador em atividades cotidianas: pesquisas escolares, assistir a vídeos, digitar textos, conversar com amigos. Sua mãe, a professora aposentada Conceição Rego, não possui tanta familiaridade com o computador e busca a ajuda do filho, principalmente quando precisa acessar a internet.

A história de Davi e Conceição é comum e pode ser vista em diversos lares, das mais diferentes classes sociais. Davi Rego faz parte da chamada geração Z, que compreende pessoas nascidas após o ano 2000.

Essa geração nasceu na velocidade do conhecimento: internet banda larga, iPhone, smartphone, Xbox, TV digital, jogos online e muitos outros aparatos tecnológicos. Os indivíduos dessa geração são globalizados desde criancinhas, ou desde o ventre, e para eles o mundo não possui fronteiras geográficas.

"Usar o computador é muito divertido. Eu posso estudar, brincar, conversar, assistir a filmes, ouvir música, tudo com o computador. Com ele, faço diversas coisas ao mesmo tempo; estou parado, mas estou em movimento", diz Davi Rego.

Davi Rego usa o computador para estudar e se divertir - Foto: Regis Falcão

O que é fascinante para Davi muitas vezes parece estranho para sua mãe, Conceição Rego: "Ele é quem me ajuda com o computador. Ligar e desligar, conectar à internet, tudo. Para ele é tudo fácil, natural, diferente de como é para mim", declara dona Conceição Rego.

As diferenças de pensamento entre as pessoas que nasceram em diferentes épocas sempre foram um obstáculo presente e razão para muitos mal-entendidos, brigas e mágoas. Porém, nunca como nos séculos XX e XXI existiram transformações tão rápidas e drásticas na sociedade, e isto acentuou as diferenças.

Conheça as gerações X, Y e Z

Como já foi dito em relação ao menino Davi Rego, a geração Z compreende pessoas nascidas a partir do ano 2000 e totalmente à vontade com os avanços tecnológicos, sem os quais o mundo parece não existir.

Nascidos muito antes desse boom tecnológico está a geração conhecida como Baby Boomers, que compreende indivíduos nascidos entre 1946 e 1964. A noção de hierarquia é muito presente em indivíduos dessa geração, que viveu uma época marcada por altas taxas de desemprego e pelo fim da indústria bélica.

Os Baby Boomers possuem mais de quarenta e cinco anos de idade. São filhos do pós-guerra e da ditadura. Já não conheceram o mundo destruído e, mais otimistas, puderam pensar em valores pessoais e na boa educação dos filhos. São
focados e preferem agir em consenso com os outros.

Típico representante dessa geração, o médico Roberto Veras tem 59 anos e conta como o mundo mudou da sua juventude para os dias atuais, em função da tecnologia: "Sou de uma geração que não conviveu com computadores pessoais na época da juventude. Para me fazer entender melhor: existia uma biblioteca que nós alcançávamos pelo Correio para obter trabalho científicos publicados pelo mundo afora. Fora isso, só as revistas importadas e livros texto. Hoje, desfrutamos de ferramentas extremamente ágeis para obtermos a mais recente bibliografia sobre qualquer assunto, fora a possibilidade de conversarmos com os autores pelas diversas formas e de meios na Internet. Eu sempre gostei de escrever com grafite e borracha, mas hoje não posso me separar dos editores de texto", compara.

Roberto Veras acompanhou transformações - Foto: Elias Fontinele

Nascidos entre 1965 a 1977 (alguns autores colocam até 1980), estão os indivíduos da geração X. Nesse período, houve grandes transformações históricas e culturais, como a queda do Muro de Berlim e o início do microcomputador. As condições
materiais do planeta permitiram pensar em qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações. A mulher quebrou tabus e conquistou postos de destaque no mercado de trabalho.

Mais de meio século de mudanças

Foram tantas novidades e mudanças, que a provocaram a ruptura ideológica e social com o que os Baby Boomers acreditavam.

"Presenciei muita coisa acontecendo. Desde a TV com seletor manual, o advento do controle remoto sem fio, até as TVs LEDs atuais. O vídeo cassete foi uma novidade na adolescência; o computador pessoal apareceu, o CD, e por aí vai. Presenciei a troca da tecnologia, a evolução, a partir da adolescência. Desde a adolescência utilizo computador; desde o aparecimento do celular de massa tenho o meu e utilizo a internet desde o início da década de 1990", declara o publicitário e professor Júlio Santana, que tem 40 anos e pertence à geração X.

Logo após a geração X, nasceu a geração Y(1978 a 2000), que possui uma relação mais natural com a tecnologia, se comparada às gerações anteriores. É a geração Power ranger, Matrix, Orkut.

Os indivíduos Y cresceram em uma década de valorização intensa da infância, com internet, computador e educação mais sofisticada que as gerações anteriores. Ganharam autoestima, não se sujeitam a atividades que não fazem sentido em longo prazo e estão ocupando um grande espaço no mercado de trabalho.

"Quando garoto gostava de videogames, seriados e filmes de ficção científica, comecei a ter contato com a internet e com a famosa era mIRC, o precursor das ferramentas de comunicação instantânea, mercado dominado hoje pelo MSN Messenger, Skype, Google Talk e Facebook. Posso afirmar que sou casado, e muito bem casado, com tecnologia e internet, pois é minha profissão e por ela sou apaixonado", conta Rodrigo Lima, um autêntico representante da geração Y.

Aos 29 anos, Rodrigo Lima é bacharel em Ciência da Computação, sócio-fundador de três empresas e diretor técnico do órgão responsável pela gestão de Tecnologia da Informação - TI da Prefeitura de Teresina.

"Em 2006 fundei a minha primeira empresa, onde atendemos clientes de vários segmentos desenvolvendo soluções web, desde sites institucionais, portais, lojas virtuais, eventos locais e nacionais, campanhas políticas, revendas de veículos, call centers até sistemas integrados de gestão para construtoras. Atualmente, tudo relacionado a negócios e internet me interessa: empreendedorismo digital, comércio eletrônico, redes sociais e mobilidade, principalmente. Os smartphones e as redes 3G hoje nos permitemestar conectados 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana) sem a necessidade do computador ou notebook, inclusive funcionando como meio de pagamento para transações em estabelecimentos físicos como shoppings, restaurantes e postos de combustível, ou para compras on-line e isso é fantástico do ponto de vista comercial", completa Rodrigo Lima.

Para Rodrigo Lima, a tecnologia aumenta a produtividade e facilita a comunicação com os colegas e parceiros de trabalho, com a família e os amigos, mas deve ser usada de forma racional e eficiente.

"Eu já sinto inveja do que o meu filho Heitor, hoje com 6 meses, vai viver daqui a dez, quinze anos. Eles vão pegar todo esse potencial que criamos (e que ainda estamos experimentando) e inovar bastante, criando novas profissões, novos mercados, novos tipos de organizações e formas de relacionamento que não podemos nem imaginar. Só precisamos tomar cuidado para não nos tornarmos, nem a nossos filhos, zumbis de toda essa tecnologia. Precisamos usar e ensinar a usar a tecnologia de que dispomos como aliada na formação de um mundo mais justo", considera Rodrigo Lima.

A íntegra da reportagem você confere no Jornal O DIA deste domingo

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Fonte: Jornal O DIA
Por: Viviane Bandeira

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