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Notícias Tecnologia

26 de dezembro de 2018

Há 50 anos, a tripulação da Apollo 8 foi a primeira a partir rumo à Lua

Por 20 horas, a espaçonave esteve na órbita lunar, completando uma revolução a cada duas horas, dos quais passava 45 minutos sem contato com a Terra.

Em 24 de dezembro de 1968, os membros da missão Apollo 8, viram, enquanto orbitavam a Lua, o planeta Terra. Daí surgiu a icônica foto -que, junto à presença humana na órbita lunar, completou 50 anos-feita pelo astronauta William Anders.

"A Lua é essencialmente cinza, sem cores", disse o astronauta James Lovell, enquanto a missão passava sobre o Mar da Fecundidade, na Lua.

A tripulação da Apollo 8 antes da missão espacial. (Foto: NASA)

A frase foi proferida logo após vários minutos de silêncio por parte da Apollo 8, o que era esperado, pela nave estar passando por trás da Lua, e significava que a entrada na órbita lunar tinha sido bem-sucedida -um contato em menor tempo significaria que a missão teria falhado.

A Apollo 8 se tornava, assim, a primeira da humanidade a orbitar o satélite.

Por 20 horas, a espaçonave esteve na órbita lunar, completando uma revolução a cada duas horas, dos quais passava 45 minutos sem contato com a Terra. 

Esta foto ficou conhecida como "Earthrise", mostrando o "nascer" da Terra vista da Lua (Foto: William Anders/NASA)

A missão contou até com uma transmissão de TV diretamente da Lua. Durante as filmagens, os astronautas descreviam o terreno e os possíveis locais de pouso no Mar da Tranquilidade. Segundo a Nasa, estima-se que cerca de um bilhão de pessoas de 64 países assistiram a transmissão.

20 de dezembro de 2018

Número de usuários de internet cresce 10 milhões em um ano no Brasil

Em todas as regiões do país houve variação positiva entre quatro e seis pontos percentuais.

Passou de 64,7% para 69,8% o número de brasileiros com 10 anos ou mais (181 milhões da população) que acessaram a internet de 2016 para 2017. São quase 10 milhões de novos usuários na comparação entre o último semestre de cada ano.

Os dados constam no suplemento Tecnologias da Informação e Comunicação da Pnad Contínua, divulgado hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A edição foi divulgada pela primeira vez trazendo informações relativas a 2016.

Em todas as regiões do país houve variação positiva entre quatro e seis pontos percentuais. "Esse é um processo que vem ocorrendo de uma maneira relativamente rápida. Em um ano, houve um avanço de quase 10 milhões usuários de internet. Isso está ocorrendo em diversos grupos etários, tanto entre os jovens quanto entre os mais velhos", explica a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE Adriana Beringuy.

Idosos

Proporcionalmente, o maior crescimento ocorreu entre as pessoas com 60 anos ou mais, com alta de 25,9%. A pesquisa também mostra aumento de 7,4% no uso da internet entre adolescentes de 10 a 13 anos. Nesta faixa etária, 71,2% das pessoas já acessaram o ambiente virtual e 41,8% têm telefone celular pessoal.

Internet na TV

De acordo com a pesquisa, no último trimestre de 2017, 16,3% da população brasileira com 10 anos ou mais fizeram uso da internet através da televisão. Em 2016, esse percentual foi de 11,3%. Esse aumento de 5 pontos percentuais foi o mais expressivo. "[Isso] é viabilizado pelas Smart TVs, que vem ganhado cada vez mais espaço no mercado", diz Adriana.

No caso dos celulares, houve um salto de 2,4 pontos percentuais, saindo de 94,6% para 97%. De outro lado, em 2016, 63,7% dos usuários acessaram a web através de um computador, percentual que caiu para 56,6% em 2017. A redução no tablet foi de 16,4% para 14,3%. A pesquisa também mostrou que de 2016 para 2017, cerca de 835 mil casas deixaram de ter um computador.

Conexão

Em relação aos tipos de conexão, a banda larga móvel é mais usada, com presença em 78,5% dos domicílios. A banda larga fixa está em 73,5%. A internet discada se mostrou irrelevante: apenas 0,4% dos domicílios com acesso registraram esse tipo de conexão.

Os dados de banda larga não são uniformes para todo o país. "Em áreas mais afastadas, prevalece a banda larga móvel", explica Adriana. Em comunidades da floresta amazônica, por exemplo, há maior dificuldade de implantação de internet a cabo. Dessa forma, na Região Norte, em 88,7% dos domicílios com acesso à internet, as pessoas se conectam usando serviços de banda larga móvel, enquanto em apenas 48,8% das casas há banda larga fixa.

No Sudeste, de outro lado, os percentuais são mais próximos. A banda larga móvel está presente em 83,5% dos domicílios com conexão e a fixa em 72,5%. O Nordeste é a única região em que os índices se invertem: a banda larga fixa existe em 74,2% dos domicílios com internet e supera os 63,8% da banda larga móvel.

A Pnad Contínua também mostrou crescimento mais expressivo de conexão na área rural do que na urbana. De 2016 para 2017, a quantidade de casas na área rural com acesso subiu mais de sete pontos percentuais, de 33,6% para 41%. No mesmo período, as residências com conexão nos centros urbanos tiveram alta de cinco pontos percentuais, de 75% para 80,1%.

Finalidade

Outro dado que consta na pesquisa diz respeito à finalidade de uso. O acesso para enviar e-mails foi relatado por 66,1% dos usuários, uma queda em relação aos 69,3% de 2016. De outro lado, houve aumentos expressivos na utilização da internet para fazer chamadas de voz ou de vídeo, que saltou de 73,3% para 83,8%, e para assistir a programas, séries e filmes, número que saiu de 74,6% e alcançou 81,8%.

Foi ainda observado crescimento do acesso para enviar mensagens de texto ou de voz através de aplicativos diferentes de e-mail, como o Whatsapp ou o Telegram. Essa finalidade foi mencionada por 95,5% dos usuários, representando aumento em relação aos 94,2% registrados em 2016.

Não uso

A falta de conhecimento é a principal causa para não acessar a rede mundial de computadores. O motivo foi citado por 38,5% dos entrevistados. "A população que afirma não saber usar a internet é maior na região urbana do que na região rural. Pode influenciar o fato de a região rural ter uma estrutura etária mais jovem. E apesar do acesso à internet entre a população mais velha ter crescido de forma mais expressiva, os idosos ainda são os que a utilizam em menor proporção", analisa Adriana.

A falta de interesse foi o segundo motivo mais alegado para o não uso da internet. Ele foi mencionado por 36,7%. Somadas, não saber usar a internet e a falta de interesse foram as razões apresentadas por 75,2% das pessoas que não acessam a internet. O preço, a indisponibilidade do serviço na região e o custo do equipamento necessário para o acesso estão entre as outras explicações.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua substituiu a Pnad e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Por meio da pesquisa, são publicados relatórios mensais e trimestrais com informações conjunturais relacionadas à força de trabalho. Também são divulgadas informações educação e migração. Há ainda suplementos em que determinados assuntos são pesquisados com periodicidades diferentes.

14 de dezembro de 2018

Facebook anuncia vazamento de fotos que afetou até 6,8 milhões de usuários

Facebook anuncia vazamento de fotos que afetou até 6,8 milhões de usuários

Em comunicado, Tomer Bar, diretor de engenharia do Facebook afirma que o problema esteve no ar entre 13 e 25 de setembro deste ano.

O Facebook anunciou nesta sexta-feira (14) um vazamento de fotos que pode ter afetado até 6,8 milhões de usuários.
Em comunicado, Tomer Bar, diretor de engenharia do Facebook afirma que o problema esteve no ar entre 13 e 25 de setembro deste ano.
A falha foi corrigida, segundo a empresa. No entanto, nesse intervalo de 12 dias, aplicativos de terceiros que funcionam no site tiveram acesso "mais amplo que o normal" às fotos, ainda segundo o Facebook.
Uma página na central de ajuda informa o usuário se ele foi ou não afetado pelo vazamento. Essa mesma página deverá ser enviada por meio de alerta na plataforma para quem possa ter sido afetado no começo da próxima semana, segundo o Facebook.
Via de regra, os desenvolvedores de apps que se comunicam com a rede social têm acesso apenas a fotos postadas como públicas nos perfis.
Com a falha, no entanto, o Facebook diz ter concedido acesso também a fotos publicadas no sistema de stories (aquelas que se apagam após 24h) e, inclusive, a imagens que nem chegaram a circular na rede -por exemplo, quando um usuário prepara o conteúdo, mas desiste antes de apertar o botão de compartilhar.


Foto: Olhar Digital

"Acreditamos que isso pode ter afetado 6,8 milhões de usuários e até 1.500 aplicativos de 876 desenvolvedores diferentes", afirmou a rede social. Segundo relatórios da empresa, o Facebook possui mais de 2 bilhões de usuários ativos por mês, 127 milhões deles no Brasil.
A plataforma lamentou o ocorrido e afirmou que no começo da próxima semana irá disponibilizar uma ferramenta para que os desenvolvedores possam analisar quem foi afetado pelo problema e que irá trabalhar para que as fotos sejam deletadas.
Procurado pela reportagem, o Facebook não indicou se usuários brasileiros foram afetados pelo vazamento.
Problemas recentes
Em setembro, o Facebook anunciou que invasores roubaram os chamados "tokens de acesso" de 50 milhões de contas. Como medida de segurança, na época, 90 milhões de contas foram deslogadas -ou seja, pessoas que entravam no site de modo automático (sem incluir a senha), foi desconectado.
Com esses tokens de acesso, informações que ficam armazenadas no computador e permitem esse acesso sem digitar as credenciais, hackers têm total controle sobre as contas -podem ver mensagens e álbuns privados, por exemplo.
Em março, tornou-se público o caso da Cambridge Analytica, que, com dados dos usuários da rede, a firma conseguiu montar perfis de eleitores a serem bombardeados com mensagens políticas dentro da plataforma. O caso afetou informações de até 87 milhões de pessoas, a maioria nos EUA.
A empresa enfrenta uma série de crises desde 2016, quando foi acusada de influenciar o resultado da eleição presidencial dos EUA em favor de Donald Trump.
No dia 15 de novembro, o executivo-chefe Mark Zuckerberg publicou um documento descrevendo os planos do Facebook para ser mais transparente na gestão do conteúdo que circula pela rede.

Twitter registra aumento de 10% em pedidos de governos sobre dados

O aumento de 10% nas solicitações em nível global a respeito do período anterior é o mais alto registrado desde o segundo semestre de 2015.

O Twitter divulgou hoje (13) que registrou, de janeiro a junho deste ano, um aumento de 10% no número de solicitações de dados de usuários por governos do mundo todo. No relatório de transparência que apresenta os números correspondentes ao primeiro semestre, a rede social indicou ter recebido 6.904 pedidos oficiais de governos para terem acesso a informações de usuários, 10% a mais que as 6.268 solicitações recebidas no segundo semestre de 2017.

Esse tipo de requerimento é encaminhado por um governo ou agência governamental que pede ao Twitter informações relacionadas a aspectos como o endereço de e-mail vinculado a uma conta, os conteúdos publicados nessa conta e as mensagens diretas enviadas pelo usuário.

O maior número de solicitações de dados entre janeiro e junho corresponde ao governo dos Estados Unidos, com 2.231 pedidos, dos quais o Twitter deu resposta total ou parcial a 56%. O segundo lugar ficou com o governo do Japão (1.426 pedidos, 76% respondidos), seguido pelo do Reino Unido (947, 67% respondidos). O governo brasileiro ficou na 12ª posição, 45 pedidos, 31% deles respondidos.


Foto: Reprodução

O Twitter informou que, quando considera "apropriado", rejeita solicitações feitas mediante processos jurídicos "inválidos ou genéricos demais". De acordo com a empresa, uma alta porcentagem dos pedidos governamentais terminam sem nenhuma informação repassada ou apenas uma parte do pedido atendida. O aumento de 10% nas solicitações em nível global a respeito do período anterior é o mais alto registrado desde o segundo semestre de 2015.

Além disso, a rede social recebeu, entre janeiro e junho, 12.244 solicitações de supressão de conteúdos por parte de governos, organizações dedicadas a combater a discriminação e advogados representando cidadãos.

Esse número representa um aumento de 80% com relação ao último relatório, mas, ao contrário das solicitações de informação, que ocorrem no mundo todo, os pedidos de supressão se concentram de maneira muito substancial em dois países: Turquia e Rússia, que somam 87% das reivindicações.

De todos os requerimentos de supressão recebidos pelo Twitter em nível global entre janeiro e junho, a rede social, que segundo os últimos dados conta com 336 milhões de usuários, só deu resposta total ou parcial a 17% deles. 

11 de dezembro de 2018

Robôs-táxis começam a levar passageiros nos Estados Unidos

A empresa não revelou exatamente quantos veículos estão em teste, mas falou em "centenas".

 A Waymo, empresa ligada ao Google, lançou na semana passada um serviço de táxi autônomo na região de Phoenix, Arizona, no Oeste dos Estados Unidos.

Apelidado de robô-taxi, o serviço faz viagens desde o dia 5 de dezembro numa área de cerca de 160 km², que abrange áreas de subúrbio. Inicialmente, apenas pessoas que receberam convites podem pedir viagens. Os passageiros precisam baixar um aplicativo e pagar a corrida via cartão de crédito. O preço é similar ao do Uber ou do Lyft no país: cerca de US$ 7,50 (cerca de R$ 30) por um trajeto de cinco quilômetros.

A empresa não revelou exatamente quantos veículos estão em teste, mas falou em "centenas".

Embora o carro seja guiado de forma autônoma, um motorista fica a postos para assumir a direção em caso de necessidade. Nos bancos de trás, há monitores sensíveis ao toque que dão as boas-vindas ao passageiro e passam informações sobre o trajeto. Uma voz automatizada avisa os movimentos que o carro fará, como virar à esquerda.

Numa viagem de teste feita pela agência de notícias Reuters, o veículo se movimentou de forma bastante contida, como se fosse um condutor recém-habilitado.

Embora seja capaz de ler as placas de trânsito e de detectar objetos e pessoas ao redor, o sistema teve dificuldade para entender as intenções de pedestres e parou diante de um homem que esperava na esquina, mas que não tinha intenção de atravessar a rua, por exemplo.

Neste teste, o carro fez algumas trocas de faixa de um jeito um tanto confuso. Em um momento, ele atravessou três pistas de uma vez para chegar a um estacionamento.

O avanço dos veículos autônomos ocorre em meio à uma grande disputa entre empresas de tecnologia e fabricantes de automóveis, que buscam começar a ganhar dinheiro com o serviço para compensar anos de investimento para criar os sistemas que pretendem substituir o trabalho do motorista.

A General Motors anunciou que pretende lançar seu serviço de robô-táxi em 2019 e a Ford, em 2021. A Uber também tem planos, mas não divulgou datas.

No entanto, as regras para este mercado ainda precisam ser definidas. O Senado dos EUA debate há mais de um ano uma lei para regular a circulação. No país, alguns Estados permitem testes, e outros não.

O Brasil também precisa criar suas regras para estes novos tipos de veículo, sob risco de se repetir os confrontos gerados com a chegada repentina de aplicativos como o Uber, alguns anos atrás.

03 de dezembro de 2018

Físicos anunciam maior colisão de buracos negros já detectada

O evento monumental teria acontecido há 5 bilhões de anos.

A rede de detecção de ondas gravitacionais formada pelos sistemas Ligo (americano) e Virgo (europeu) anunciou, nesta segunda-feira (3), a descoberta da maior e mais distante colisão de buracos negros já registrada até o momento. O evento monumental teria acontecido há 5 bilhões de anos.

"O evento GW170729, detectado em 29 de julho de 2017, foi o mais massivo e distante até hoje detectado, envolvendo buracos negros de 51 e 34 massas solares e emitindo quase cinco massas solares de energia no pulso de radiação gravitacional", diz Odylio Aguiar, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e membro da colaboração Ligo-Virgo. "Esta coalescência aconteceu numa época em que a Terra e o Sol não existiam."

Propagando-se à velocidade da luz, as ondas gravitacionais são o único método conhecido para detectar fenômenos desse tipo. Previstas pela teoria da relatividade geral de Einstein, elas consistem em flutuações no próprio tecido do espaço, que se encurta e se estica quando objetos com muita massa se deslocam por ele -mais ou menos do mesmo jeito que jogar uma pedra na superfície de um lago gera ondas concêntricas na água.

A GW170729 é apenas a mais marcante das novas descobertas, que incluem outros três novos eventos de colisão de buracos negros, registrados em 9 de agosto, 18 de agosto e 23 de agosto de 2017. Somando todos os anúncios até agora, já foram 11 as detecções confirmadas de ondas gravitacionais: dez delas ligadas à colisão de dois buracos negros, e uma do encontro de duas estrelas de nêutrons.

11 BINÁRIAS E VÁRIOS SEGREDOS

Até agora, o sistema de detecção (de início apenas com as instalações gêmeas do Ligo, depois com Ligo e Virgo operando conjuntamente) realizou duas baterias de observações, a primeira entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, e a segunda entre novembro de 2016 e agosto de 2017. Os artigos científicos divulgado nesta segunda consistem em um catálogo que compila os dados detalhados de todas as detecções e uma análise da população de buracos negros binários identificada até o momento.

O acúmulo de novas ocorrências ajuda a entender coisas como a frequência estatística das coalescências. "Com o conhecimento dessas dez binárias de buracos negros, pode-se ter uma ideia bem mais clara da taxa de ocorrência dessas fusões", diz Aguiar.

Uma surpresa dos cientistas até agora foi encontrar buracos negros muito maiores do que eles esperavam a princípio. A se confirmar essa tendência, isso significa que há mais massa "invisível" na forma de buracos negros do que se imaginava antes. Será que a ponto de explicar parte dos efeitos gravitacionais que atribuímos à chamada matéria escura? De acordo com Aguiar, essa é uma possibilidade. "Além disso, pode-se testar melhor a teoria da relatividade geral de Einstein e obter mais informações que possam elucidar a origem dessas binárias de buracos negros", completa Aguiar.

COMO FUNCIONA

Todos os três detectores em operação são basicamente uma estrutura em forma de L com braços de 4 km (no caso do Ligo) ou 3 km (no caso do Virgo), por onde correm feixes de laser divididos em dois. Enquanto um feixe corre numa direção, bate num espelho e volta, o outro corre na perpendicular do primeiro, também fazendo um percurso de vai e volta. A ideia é que, se houver qualquer distorção do espaço, os lasers que até então estavam perfeitamente alinhados (eles vão e voltam exatamente ao mesmo tempo, já que viajam à mesma velocidade) sairiam desse sincronismo, indicando a passagem de uma onda gravitacional.

Para que se tenha uma ideia da escala que estamos medindo, o sistema Ligo-Virgo é sensível a variações da escala de um décimo de milésimo do tamanho de um único próton.

E a brincadeira está só começando: a próxima "corrida" (expressão usada pelos cientistas para descrever uma bateria de observações com os detectores) deve começar em março de 2019.

Sob Trump, EUA estimulam missões privadas à Lua

A estratégia é replicar o sucesso obtido com o envio comercial de carga e, em breve, tripulações à Estação Espacial Internacional.

A Lua vai ser o lugar mais agitado do Sistema Solar nos próximos anos. Na última quinta-feira (29), a Nasa anunciou um programa para estimular missões privadas à superfície do satélite natural. A estratégia é replicar o sucesso obtido com o envio comercial de carga e, em breve, tripulações à Estação Espacial Internacional, agora para promover missões lunares.

Nove empresas foram selecionadas, num grupo que inclui tanto gigantes da indústria aeroespacial, como a Lockheed Martin, quanto recém-chegadas ao mercado, como a Astrobotic e a Moon Express. Cada uma dessas companhias está desenvolvendo seu próprio módulo de pouso e a Nasa espera poder contratar o envio de equipamentos à superfície lunar por meio delas, com um orçamento de US$ 2,6 bilhões em dez anos. A primeira missão nesses moldes poderia já sair em 2019, embora 2020 seja mais realista.

Trata-se do primeiro movimento claro de realinhamento do programa espacial americano após a diretriz estabelecida por Donald Trump para tornar a Lua o alvo prioritário da agência espacial, em preparação para o futuro envio de astronautas.

Com a iniciativa, os EUA começam a recuperar o tempo perdido e se recolocar nesta nova corrida lunar, que tem até o momento a China como maior expoente. Por sinal, nos próximos dias deve partir a sonda Chang'e 4, que fará algo jamais antes realizado na história da exploração lunar: um pouso no lado afastado da Lua. No começo de 2019, será a vez dos indianos, com sua segunda missão científica à Lua, a Chandrayaan-2.

O projeto americano, ao despertar o poderio da iniciativa privada em torno do processo de ocupação lunar, pode tornar o jogo ainda mais interessante. Não é loucura imaginar que teremos ao menos uma tentativa de pouso lunar por ano.

Em paralelo, a Nasa projeta liderar a construção de um complexo orbital lunar para astronautas, chamado de Gateway. A previsão no momento é de que o primeiro voo tripulado ao redor da Lua possa acontecer em 2023, numa arquitetura que depende do sucesso da futura cápsula Orion e do foguete de alta capacidade SLS.

Isso, claro, sem falar no rinoceronte solto na loja de cristais: a SpaceX. A companhia de Elon Musk está desenvolvendo a Starship, uma nave de alta capacidade que poderia promover missões tripuladas à superfície da Lua a um custo muito inferior. Se ficar pronta em coisa de cinco anos, como sugere Musk, isso pode tornar a arquitetura da Nasa embaraçosamente ultrapassada.

29 de novembro de 2018

China punirá testes genéticos que "violarem leis e princípios éticos

O cientista He Jiankui afirmou há três dias ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo.

O  diretor-adjunto da Comissão Nacional de Saúde da China,  Zeng Yixin, anunciou hoje (29) que "punirá" firmemente os responsáveis por um caso que "viola leis e regulações" do país, assim como "princípios éticos", em referência aos embriões humanos supostamente modificados geneticamente pelo cientista chinês He Jiankui.

O vice-ministro de Ciência e Tecnologia chinês, Xu Nanping, acrescentou que o governo combaterá as experiências e confirmou a suspensão das pesquisas conduzidas pelo cientista chinês que modificou os genes de gêmeas futura infecção ao vírus HIV.  "É contra a lei e contra a ética. É inaceitável", afirmou.

Em entrevista à Televisão Central da China ("CCTV"), Zeng Yixin afirmou que os departamentos e os governos locais "estão investigando o caso e que punirão firmemente os infratores". O vice-ministro complementou que: "Com o rápido desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a pesquisa e a aplicação científica devem ser mais responsáveis e devem acompanhar normas éticas e técnicas".

Huai Jinpeng, secretário do partido da Associação Chinesa de Ciência e Tecnologia, também disse hoje à CCTV que se opõe ao experimento e disse que o órgão dará "todo apoio" às investigações das autoridades.

O pesquisador Wang Haoyi, da Academia de Ciências da China, condenou o experimento em entrevista à emissora estatal e afirmou que o caso alterou "gravemente" as bases da pesquisa científica e prejudicou a reputação da China nesta área.

"Ele não nos representa. Nem o chamaria de cientista. É uma pessoa impiedosa que sabe muito pouco de ciência e que fez um experimento muito irresponsável em um ser humano", disse Wang.

Experiências

O cientista He Jiankui afirmou há três dias ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo. Em discurso no Congresso Internacional de Edição de Genomas Humanos, na Universidade de Hong Kong, ele disse estar "orgulhoso" pelo uso da técnica de edição genética CRISPR/Cas9 em duas gêmeas e destacou que o estudo não tinha o objetivo de eliminar doenças genéticas, mas de "dar às meninas a habilidade natural" para resistir a uma possível futura infecção ao vírus HIV.

No dia 26, a direção da Universidade de Shenzhen, onde He Jiankui trabalhou, anunciou que a abertura de investigação e classificou o episódio como  "grave violação da ética e dos padrões acadêmicos".

O comando da revista científica Nature se uniu ao debate e sustentou que o anúncio provocou "indignação" da comunidade científica internacional e que, se for verdade, representará "um salto significativo - e controverso - no uso da edição do genoma humano".

21 de novembro de 2018

Bitcoin cai mais de 10% e atinge o menor valor desde 2017

O recuo no mercado de criptomoedas coincide com o mesmo movimento no mercado de ações.

O bitcoin chegou a despencar mais de 10% nesta terça-feira (20) e ficou abaixo dos US$ 4.500 (cerca de R$ 17 mil). Com isso, a queda no valor da criptomoeda mais conhecida do mundo supera os 25% em uma semana. O movimento ocorre após um período de relativa estabilidade que durou alguns meses, nos quais o bitcoin foi cotado em valores próximos a US$ 6.500 (R$ 24,4 mil).

Operadores afirmam que a baixa resulta da intensificação de vendas de moedas digitais, impulsionadas por agentes da Ásia. Além disso, uma restrição regulatória no comércio de criptomoedas no início de 2018 e um maior desinteresse de investidores também estariam entre os fatores do declínio.

O bitcoin chegou à marca de US$ 4.200 (R$ 15,9 mil) durante o dia, patamar mais baixo na Bitstamp desde outubro de 2017. Outras moedas digitais também tiveram perdas acentuadas. A ether perdeu 10% do valor, e a ripple caiu 13%, em movimento provocado pelo fator emocional.

O recuo no mercado de criptomoedas coincide com o mesmo movimento no mercado de ações. Na Europa, as quedas foram influenciadas por resultados ruins do varejo e, nos Estados Unidos, por quedas nas ações da Apple, que caíram mais de 20% desde o início de outubro.

Desde o pico de valorização em dezembro de 2017, o bitcoin perdeu cerca de 75% do valor. Na segunda-feira (19), a moeda digital ficou abaixo de US$ 5 mil (R$ 18,7 mil) pela primeira vez desde outubro de 2017.

No mês passado, os volumes de negócios também recuaram ao menor nível em um ano, segundo a revista especializada Diar. Lançado em 2009 por um ou vários especialistas em computação sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, o bitcoin opera em uma tecnologia descentralizada chamada blockchain, cuja funcionalidade tem sido testada em diferentes setores da economia.

A criptomoeda foi criada para funcionar sem a presença de intermediários, como bancos ou cartões de crédito, nas transações.

14 de novembro de 2018

Prédio do bilionário acelerador de partículas de Campinas é entregue

O Sirius é um acelerador de partículas que vem sendo construído no Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).

A máquina mais cara e sofisticada da ciência brasileira começou a testar suas turbinas. Feixes de elétrons já circulam por parte da estrutura do Sirius, acelerador de partículas que vem sendo construído no Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).

Projeto do Sirius. (Foto: Divulgação/CNPEM)

O projeto já consumiu cerca de R$ 1,3 bilhão (de um total previsto de R$ 1,8 bilhão) e, quando ficar pronto, colocará o país na vanguarda das pesquisas que utilizam esse tipo de artefato, como as que envolvem a visualização em altíssima resolução de estruturas de vírus e proteínas (em busca de novas vacinas), de solo (com a ideia de aprimorar fertilizantes) e de rochas, e de novos materiais (para melhorar a exploração de gás e petróleo), entre outras.

Nesta quarta-feira (14), uma cerimônia celebrou em Campinas a entrega do prédio de 68 mil m2 (equivalente à área de um estádio de futebol) que abrigará a mastodôntica infraestrutura do Sirius, além da conclusão da montagem de dois dos seus três aceleradores.

"Sempre se diz que o Brasil é o país do futuro. Face a esse projeto, pode-se dizer que o futuro já chegou ao nosso país. Essa máquina é motivo de orgulho. Ela engrandece a ciência nacional", disse o presidente Michel Temer durante a cerimônia.

No palco onde foi descerrada a placa de inauguração da primeira etapa do projeto, também estiveram presentes o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, o ministro da Educação, Rossieli Soares, o diretor do projeto Sirius e diretor-geral do Cnpem, Antônio José Roque, e o presidente do Conselho de Administração do Cnpem, Rogério Cezar de Cerqueira Leite.

Obras de infraestrutura do Sirius. (Foto: Folhapress)

A próxima fase é delicada: a criação de um vácuo próximo ao existente no espaço dentro dos túneis percorridos pelos elétrons. Só aí o terceiro acelerador poderá entrar em ação. As partes do Sirius têm que ser ligadas e calibradas uma de cada vez. Sem isso há risco de danificação de componentes eletrônicos sensíveis e todo o potencial da construção, que tem precisão milimétrica inclusive no nível do solo, pode não ser explorado.

Só então entrará em operação a primeira linha de luz -estação experimental que utiliza radiação gerada pelo acelerador para conduzir experimentos das mais diversas áreas. Prevê-se que as primeiras pesquisas ocorram no segundo semestre de 2019.

O projeto final, com 13 linhas de luz (a capacidade total é de 40), deve ficar pronto somente em 2021 e ainda depende da liberação de cerca de R$ 500 milhões.

"Trata-se de um projeto estruturante da ciência nacional", disse o diretor-geral do Cnpem. "Leva à formação de recursos humanos, ao engajamento de médias e pequenas empresas nacionais, favorece a internacionalização da nossa pesquisa."

Um dos pontos destacados pelos presentes foi a participação de empresas brasileiras na construção do Sirius. Cerca de 80% dos componentes têm origem no país.

Segundo José Roque, a consecução de um dos mais avançados aceleradores de partículas do mundo também alimenta a autoestima nacional. "Conseguimos chegar onde quisemos. Fazer ciência de ponta para ajudar o país."

Gilberto Kassab também lembrou a importância do Sirius para aumentar a internacionalização da nossa pesquisa. "Cientistas do mundo inteiro virão morar em Campinas para desenvolver suas pesquisas. Isso nos ajudará a produzir uma ciência mais competitiva internacionalmente."

Segundo o ministro, a finalização da primeira parte do Sirius foi uma das prioridades estabelecidas pelo atual governo.

"Se não tivéssemos feito nada no nosso governo, mas tivéssemos concluído essa etapa, como estamos fazendo, já teríamos feito muito para o país", gabou-se o presidente.

Fazendo alusão às dimensões do prédio que abriga o Sirius, Michel Temer ainda brincou: "É um Maracanã do conhecimento".

Após pedir recuperação judicial, importador anuncia carro elétrico no Brasil

Suas 12 últimas lojas Citroën foram fechadas neste ano. Habib diz ter tido grande prejuízo com a queda nas vendas entre 2014 e 2016 e agora briga com a montadora francesa na Justiça.

O tema principal do encontro é o anúncio de um novo carro a gasolina, mas, no meio de sua apresentação, o empresário Sergio Habib afirma que a marca chinesa JAC venderá um carro elétrico no Brasil, o E40. Será o mais barato do Brasil de sua categoria, com preço a partir de R$ 130 mil, afirma o empresário, que passa por um momento difícil. Na semana passada, ele confirmou que o Grupo SHC está em processo de recuperação judicial.

Para Habib, não é incoerente lançar novos carros em meio aos problemas de suas empresas. "Tinha que proteger a operação da JAC das dívidas da Citröen". O empresário foi o responsável pelo lançamento oficial da marca francesa no Brasil, no início dos anos 1990. Presidiu a montadora por anos e foi dono da rede concessionária, mas o casamento se desfez.

Suas 12 últimas lojas Citroën foram fechadas neste ano. Habib diz ter tido grande prejuízo com a queda nas vendas entre 2014 e 2016 e agora briga com a montadora francesa na Justiça. Sobre o desempenho de mercado da JAC, Habib diz que a marca chinesa passa por um bom momento, crescendo 20% no acumulado de 2018 sobre igual período do ano passado, acima do mercado.

Entre janeiro e outubro, a venda total de carros de passeio e comerciais leves teve alta de 14,4%, segundo a Fenabrave, entidade que representa as distribuidoras de veículos. Os novos modelos chegam para consolidar a marca chinesa, que direciona seus investimentos para o segmento de SUVs. O E40 é a versão elétrica do T40, o jipinho urbano da JAC. Sua autonomia é de 300 quilômetros com uma carga completa, mas Habib explica que essa medição é feita a 60 km/h em rodovia plana.


Novo JAC T50, utilitário esportivo chinês, chega ao Brasil. Foto: Divulgação

Sua potência é equivalente a 115 cv, com velocidade máxima limitada a 130 km/h. As vendas começam em junho de 2019, de acordo com o empresário. Enquanto o elétrico não vem, cabe ao utilitário T50 ser a principal novidade da JAC no Brasil. O utilitário de porte médio chega às lojas por a partir de R$ 84 mil. Embora seja uma evolução do T5, há muitas diferenças. Frente e traseira mudaram bastante, com troca de faróis, para-choques, grade e lanternas.

O motor 1.5 flex é substituído pelo 1.6 a gasolina. Apesar de não poder rodar com etanol, há ganho de potência, que passa de 127 cv para 138 cv. Por dentro, o novo painel tem tela do sistema de som colocada em posição elevada, tendência do momento. Todos os T50 são equipados com câmbio automático do tipo CVT com seis marchas, controles de tração e de estabilidade, ar-condicionado digital, direção com assistência elétrica e sistema que monitora a pressão dos pneus.

A versão mais cara (R$ 88 mil) traz sistema de auxílio ao estacionamento com quatro câmeras, retrovisores com rebatimento elétrico, câmera de ré e central multimídia que espelha as telas de smartphones dos sistemas iOS e Android. Há possibilidade de o carro ser montado no Brasil, mas os planos seguem em ritmo lento.

Em dezembro de 2017, o grupo SHC divulgou que passaria a produzir carros em Goiás, um investimento de R$ 200 milhões. Com isso, cumpriria sua parte após ter recebido incentivos do programa Inovar-Auto. Se essa contrapartida não ocorrer, estará sujeita a pagar multa milionária aos cofres públicos.

11 de novembro de 2018

Sem isenção, 5G não trará revolução na economia, diz novo chefe da Anatel

Novo presidente aguarda a aprovação do projeto de lei que modifica o marco regulatório do setor para reduzir "exigências desnecessárias" hoje impostas às operadoras.

Indicado pelo presidente Michel Temer a menos de dois meses do final de seu mandato, o novo presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Leonardo Morais, tomou posse nesta quinta-feira (8) com uma agenda que sinaliza sua permanência no cargo quando o presidente eleito Jair Bolsonaro tomar posse.

Leonardo Morais, presidente da presidente Agência Nacional de Telecomunicações (Foto: Divulgação)

Servidor há 13 anos, Morais é o primeiro técnico a assumir o comando da agência desde sua criação, em 1997. O novo presidente aguarda a aprovação do projeto de lei que modifica o marco regulatório do setor para reduzir "exigências desnecessárias" hoje impostas às operadoras.

Também quer fazer o leilão das frequências de 5G no próximo ano. Para ele, a nova tecnologia levará ao aumento da produtividade mas somente se for aprovada uma lei que retire a cobrança do Fistel, taxa anual fixa, sobre os chips 5G.

Folha - O senhor toma posse em um momento de mudança de governo. Existe acordo com o presidente eleito Jair Bolsonaro para sua permanência no cargo?

Leonardo Morais - Eu conheço economistas da equipe de transição, mas o cargo de presidente não tem mandato e cabe ao presidente [Bolsonaro] decidir quanto à minha permanência ou não [na presidência]. Um dos presidentes será um dos conselheiros. Caso Boslonaro prefira nomear outra pessoa à presidência, eu continuarei exercendo minhas funções como conselheiro que, aí sim, tem mandato.

Folha - A indicação do atual secretário de radiodifusão do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Moisés Moreira, para compor o conselho facilita sua permanência, já que Bolsonaro não poderá indicar um nome para o conselho e para a presidência?

Leonardo Morais - Não tem relação. O Moisés é um quadro preparado, conhece radiodifusão e vai agregar muito como conselheiro na Anatel.

Folha - É primeira vez que um funcionário de carreira assume o comando da agência. O que isso representa na sua avaliação?

Leonardo Morais - Sou avesso a questões corporativas. Mas espero que minha presidência contribua para a percepção de que as agências ganham com quadros de carreira no comando. À medida que os servidores de carreira se mostrarem preparados para assumir funções de comando, será bom para o amadurecimento institucional.

Folha - Acredita que o governo Bolsonaro possa desidratar as agências devolvendo para os ministérios competências que hoje estão nos órgãos reguladores?

Leonardo Morais - Não acho que isso deve ocorrer. A sinalização é que esse governo promova investimentos e, para isso, precisa fortalecer o estado regulador.

Folha - A lei das agências deve avançar?

Leonardo Morais - Um marco legal que fortaleça o papel institucional das agências é importante.

Folha - O que levou o projeto de lei que modifica o marco regulatório a avançar depois de ficar parado mais de dois anos no Congresso?

Leonardo Morais - O que importa é que essa discussão avança porque se trata da principal reforma microeconômica desde a desestatização do setor, que culminou com a privatização da Telebras. Esse projeto é fundamental porque, como está hoje, trava investimentos em banda larga.

Folha - Como esse projeto vai destravar investimentos na prática?

Leonardo Morais - A lei atual define como serviço público, em regime de concessão, a telefonia fixa. Os demais serviços são prestados com autorizações, em regime privado. Desde a privatização, o avanço tecnológico permitiu oferecer serviços de banda larga e até de celular na rede por onde é prestada a telefonia fixa. Em 2025, quando o contrato de concessão se encerrar, há dúvida sobre a necessidade de se devolver ou não os bens [incorporados à rede de telefonia fixa] à União. O projeto cria uma segurança jurídica sobre isso. A reversibilidade de bens é uma coisa que só existe no Brasil. Sem essa trava para novos investimentos, áreas menos providas de infraestrutura poderão ser atendidas.

Folha - Quanto é o saldo decorrente da mudança de contrato a ser investido?

Leonardo Morais - Estamos ainda discutindo a metodologia para o cálculo. A reversibilidade é uma parte desse valor [saldo]. Implantação e manutenção de orelhões, por exemplo, deixam de existir e esse valor estará computado no saldo. Entre 2015 e 2018, essas obrigações consumiram R$ 1,1 bilhão. Se isso tivesse sido alocado em infraestrutura de banda larga, o retorno social e econômico teria sido muito maior. Quanto mais nos aproximarmos de 2025, menor será o valor exigido das empresas em contrapartida de investimento. É uma pedra de gelo derretendo.

Folha - Quais serão suas propostas?

Leonardo Morais - A redução do fardo regulatório desnecessário, especialmente no atendimento ao consumidor. Mas esse fardo só será retirado à medida que as empresas tomarem providências para melhorarem sua relação com os clientes. Outro ponto é mexer na política sancionatória, que não funcionou como o esperado. Precisamos de outros mecanismos. Pretendo, por exemplo, estimular os TACs [Termos de Ajustamento de Conduta, que trocam multas por compromissos de investimento]. Acredito na coexistência dos interesses públicos e dos privados.

Folha - Prevê o leilão da telefonia 5G?

Leonardo Morais - Estou trabalhando para disponibilizar a faixa de 3,5 GHz no final do ano que vem ou no primeiro trimestre de 2020. Estamos fazendo estudos e testes para verificar possíveis interferências [deste serviço] com a recepção de sinais de TV na banda C [por satélite]. Outra barreira é a existência de um ecossistema [cadeia fornecedora de aparelhos e equipamentos]. Além disso, também gostaria de colocar as faixas de 4G nas frequências de 2,3 MHz e o último lote de 700 MHz.

Folha - Vai ser um leilão pela maior outorga?

Leonardo Morais - Se eu coloco só dois blocos [para o 5G], haverá mais competição [e duas das quatro principais operadoras ficarão fora]. Quem adquirir os blocos de 2,3 MHz ou 700 Mhz se consolida na tecnologia 4G. Prefiro obrigações de investimento do que obrigações de pagar [maior outorga]. O Brasil tem lacunas de infraestrutura e isso poderia ser contrapartida prevista no edital.

Folha - O 5G não será só mais uma tecnologia voltada à classe de renda mais elevada?

Leonardo Morais - Essa tecnologia vai remodelar a sociedade e os meios produtivos. Teremos a internet das coisas, sensores de diversos tipos de aplicações, que elevarão a produtividade de diversos setores. No agronegócio, que responde por 23% do PIB, será possível reduzir os custos dos insumos ao saber o melhor momento de plantar ou de colher. Toda a indústria 4.0 dependerá disso. Mas nada ocorrerá se o Fistel [taxa anual fixa que incide sobre linhas ativas da telefonia] for cobrado sobre esses sensores [chips], porque eles vão gerar pouca receita [para as operadoras].

20 de outubro de 2018

WhatsApp bane 100 mil usuários por uso irregular do aplicativo

A iniciativa da empresa ocorre após reportagem da Folha de S.Paulo da última quinta-feira (18) revelar o financiamento por empresas.

O aplicativo de mensagens WhatsApp anunciou ter banido cerca de 100 mil usuários no Brasil nesta semana para conter desinformação, spam e notícias falsas.

A iniciativa da empresa ocorre após reportagem da Folha de S.Paulo da última quinta-feira (18) revelar o financiamento por empresas, como a varejista Havan, de campanha contrária ao PT com pacotes de disparo de mensagens em massa. Esse tipo de doação é proibido pela legislação eleitoral.

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), teve a conta suspensa. Segundo o WhatsApp, Flávio foi impedido de usar o mensageiro porque estava disseminando spam, isto é, mensagens não solicitadas. Ele já recuperou o número.

Na sexta (19), o WhatsApp também bloqueou as contas ligadas às agências de mídia Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, que são suspeitas da prática mostrada na reportagem da Folha de S.Paulo.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu investigação sobre o caso; e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal um inquérito sobre a disseminação de notícias falsas.

A reportagem da Folha de S.Paulo monitorou 123 grupos, com mais de 10 mil usuários desde setembro e viu a multiplicidade coordenada de núcleos de disseminação de conteúdos feitos por apoiadores do capitão reformado para a Presidência.

Não há irregularidade se a ação é voluntária e se as pessoas que estão nos grupos são adicionadas com consentimento.

Entre as mensagens compartilhadas, há um vídeo em que Fernando Haddad (PT) sai de uma Ferrrari. Uma mensagem diz que o carro seria do ex-prefeito de São Paulo. A informação é falsa. A imagem foi feita na inauguração do autódromo de Interlagos, em 2016, quando Haddad era prefeito.

Do outro lado do espectro político, proliferam grupos pró-Haddad, sobre os quais eleitores dizem que foram adicionados sem permissão.

Os nomes dos grupos contêm a frase "Defesa Democracia". "Somos defensores da democracia e de Haddad presidente. Você foi inserido aqui porque seu nome consta como filiado ao PT no TSE. Se você não é filiado, simpatizante ou mesmo defensor da democracia, desculpe-nos", diz a mensagem de boas vindas aos integrantes, que termina com o link do site oficial da campanha petista.

O PT afirma que os grupos não foram criados por qualquer pessoa ligada ao partido e avalia que eles podem ser uma "arapuca" para a esquerda.

No começo de outubro, o Facebook, empresa que também é dona do WhatsApp, removeu 11 páginas e 42 perfis administrados pela empresa de marketing digital Follow Análises Estratégicas, ligada ao deputado federal Miguel Corrêa (PT-MG). 

A Follow é a mesma empresa que contratou a agência Lajoy, que recrutou influenciadores digitais que disseram, em agosto de 2018, terem sido pagos para falar bem de candidatos do PT no Twitter.

Em julho de 2018, em ação semelhante, o Facebook removeu uma rede de 196 páginas e 87 perfis falsos ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre).

22 de setembro de 2018

Facebook anuncia medidas para combater contas falsas e desinformação

De acordo com a empresa, foram removidas páginas inicialmente criadas para reunir pessoas com interesses diversos (como esportes e música) e que tiveram seus nomes e propósitos alterados para apoiar um candidato ou tomar partido na disputa eleitoral.

O Facebook divulgou nesta semana nota com novas medidas para evitar abusos na plataforma relacionados ao debate eleitoral. Ao longo do ano, a empresa já havia anunciado diversas iniciativas para o pleito de outubro relacionadas à propaganda eleitoral paga, a contas “não autênticas” e à disseminação de desinformação, como as chamadas notícias falsas. 

Segundo comunicado divulgado pela companhia, foram removidas páginas inicialmente criadas para reunir pessoas com interesses diversos (como esportes e música) e que tiveram seus nomes e propósitos alterados para apoiar um candidato ou tomar partido na disputa eleitoral.

“Removemos essas páginas porque nossas políticas não permitem mudanças de nome de páginas que resultem em conexões falsas ou não intencionais, e que alterem substancialmente o assunto das páginas”, justificou o informe. A empresa, contudo, não divulgou o nome das páginas.

A plataforma também derrubou o que chamou de contas impostoras. Perfis que se faziam passar por candidatos disputando as eleições. Essa violação foi enquadrada no que a companhia chama de “comportamento não autêntico”, conduta que foi usada para remover 186 páginas e 97 perfis ligados ao Movimento Brasil Livre em julho.


Foto: Reprodução

Aplicativos e santinhos

No comunicado, o Facebook relatou ter retirado aplicativos que convidavam pessoas a votar pela internet. Esses programas “poderiam levar eleitores a acreditar que tinham efetivamente votado, ferindo nossas políticas que impedem apoio a fraude”, pontuou a nota. Pessoas que usaram esses aplicativos estão sendo notificadas.

A companhia está removendo também fotos nas quais o número não corresponde ao candidato, bem como molduras com números trocados. “Nossas políticas não permitem declarações de intenção ou apoio a fraude, por isso a remoção dessas imagens”, reiterou a empresa no comunicado divulgado.

Verificação de fotos e vídeos

No dia 13 de setembro, em outro comunicado,  o Facebook anunciou ter iniciado a verificação de desinformação também em fotos e vídeos. Até então, o monitoramento era focado apenas em textos. A partir deste mês, os sistemas automatizados da plataforma passarão a fiscalizar fotos e vídeos em busca de indícios de problemas, como manipulações.

Essa análise é complementada pela realizada por agências de checagem parcerias do Facebook. No Brasil, realizam este trabalho Lupa, Aos Fatos e Agência France Press. Conteúdos identificados como enganosos por essas agências têm seu alcance reduzido na plataforma.

21 de setembro de 2018

Acelerador de partículas do país terá R$ 70 mi para 1ª volta de elétrons

A obra, que ao todo deve custar cerca de R$ 1,8 bilhão, deve permitir que o Brasil assuma posição internacional destacada nos estudos que dependem desse tipo de dispositivo.

O MCTIC (Ministérío da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) liberará R$ 70 milhões para conclusão da primeira etapa da construção do Sirius, acelerador de partículas brasileiro que, em alguns aspectos, será o melhor do mundo.

A obra, que ao todo deve custar cerca de R$ 1,8 bilhão, deve permitir que o Brasil assuma posição internacional destacada nos estudos que dependem desse tipo de dispositivo, como os que envolvem a visualização em altíssima resolução de estruturas de vírus e proteínas (de olho em novas vacinas), de solo (com a ideia de aprimorar fertilizantes) e de rochas e de novos materiais (para melhorar a exploração de gás e petróleo), por exemplo.

Com a liberação recém-anunciada, será possível concluir a obra civil (são 68 mil m², tamanho similar ao de um estádio de futebol) e finalizar a montagem dos três aceleradores que compõem o Sirius. Com o aporte, serão R$ 134 milhões destinados ao projeto em 2018. O total já investido soma R$ 1,29 bilhão.

Trata-se de uma boa notícia em meio à estagnação e aos cortes que afetam a área da pesquisa científica no país. "Nada pode parar. Temos tido uma boa convivência com o Ministério do Planejamento. Nesses últimos anos, as deduções [do MCTIC] foram menores que as dos demais ministérios", disse à Folha de S.Paulo o ministro Gilberto Kassab.

Dessa forma, em novembro será possível que os elétrons acelerados pelo aparato deem sua primeira volta em dois dos três aceleradores do Sirius, provavelmente no dia 15, dia da Proclamação da República. "É como se estivéssemos testando as turbinas de um foguete", compara Antônio José Roque da Silva, diretor do projeto Sirius e diretor-geral do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas, do qual o novo acelerador faz parte.

Depois disso, o projeto entrará em uma fase delicada: a criação de um vácuo próximo ao existente no espaço sideral dentro dos túneis percorridos pelos elétrons. Só aí o terceiro acelerador poderá entrar em ação. As partes do Sirius têm que ser ligadas e calibradas uma de cada vez. Sem isso, explica José Roque, há risco de danificação de componentes eletrônicos sensíveis e todo o potencial da construção, que tem precisão milimétrica inclusive no nível do solo, pode não ser explorado.

Só então entrará em operação a primeira linha de luz -estação experimental que utiliza radiação gerada pelo acelerador para conduzir experimentos das mais diversas áreas. Se tudo correr bem, as primeiras pesquisas poderão acontecer com alguma sorte no segundo semestre de 2019.

O projeto final, com 13 linhas de luz (a capacidade total é de 40), deve ficar pronto somente em 2020 e ainda depende da liberação de mais R$ 510 milhões. Para o ano de 2019, o governo colocou a previsão de R$ 270 milhões para o Sirius no projeto de lei de orçamentária anual. "Estamos confiantes que o Congresso vai entender a importância desse investimento para o país e aprovará a verba", diz José Roque.

"Já existem dezenas de projetos, de estrangeiros, inclusive, querendo usar a máquina. Experiências que nunca puderam ser feitas agora poderão acontecer no Brasil", afirma o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, presidente do conselho de administração do Cnpem e um dos entusiastas do projeto. Ele foi um dos idealizadores do acelerador de segunda geração do Cnpem em operação desde 1997, o primeiro do hemisfério sul. O atual é de quarta geração.

"Além da versatilidade na análise de materiais biológicos, metais e outros materiais, um segundo efeito importante é na autoestima do brasileiro. Nós temos uma espécie de complexo de vira-lata. Isso vai mudar um pouco. Essa máquina, se bem usada, vai colocar os cientistas brasileiros em outro nível", diz Cerqueira Leite.

Manter a o fluxo de verbas é importante para garantir a permanência de pessoas altamente especializadas no projeto, explica José Roque.  "O risco que estávamos sofrendo não era somente o de atrasar em alguns meses a instalação e a montagem. Ao longo desses anos, desenvolvemos tecnologias que não existiam e formamos pessoas que têm muito valor para o mundo inteiro. A demora poderia significar a perda desses profissionais, que sofrem muito assédio de outras instituições."

Outro ponto importante, afirma o pesquisador, é a participação de empresas de pequeno, médio e grande porte na obra e na produção de componentes para o acelerador -80% dos componentes têm DNA nacional . "Elas se organizam na estrutura de RH e de logística para o fornecimento em um determinado prazo. Com cancelamentos de contratos ou diferenças de velocidade da obra, fica difícil saber se conseguiríamos nos reorganizar mais para frente. O descrédito pode comprometer o cronograma", diz.

Para Kassab, o papel da pesquisa é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país, não só do Brasil, e o país será colocado na fronteira do conhecimento com o novo acelerador.

"Meu sonho é que cada brasileiro venha conhecer o que é feito aqui, é algo transformador", diz José Roque.

14 de setembro de 2018

Espécie de crocodilo de 85 mi de anos é batizado de 'caipira mineiro'

Os detalhes anatômicos do fóssil, oriundo da Fazenda Três Antas, no município de Campina Verde (MG), deixam claro que ele era muito diferente dos crocodilos modernos.

Um esqueleto de 85 milhões de anos, preservado de modo quase perfeito em rochas do interior de Minas Gerais, corresponde a uma nova espécie de crocodilo pré-histórico, afirmam pesquisadores. Batizado de Caipirasuchus mineirus, o réptil de apenas 70 cm foi apresentado ao público nesta sexta (14).

Os detalhes anatômicos do fóssil, oriundo da Fazenda Três Antas, no município de Campina Verde (MG), deixam claro que ele era muito diferente dos crocodilos modernos. Para começar, era um bicho 100% terrestre -trata-se, na verdade, de uma característica comum da rica fauna desse grupo durante a Era dos Dinossauros.

Além disso, os diferentes formatos de seus dentes, o padrão de desgaste em alguns deles e a maneira como sua mandíbula se articulava indicam que ele deve ter incluído quantidades consideráveis de vegetais em sua dieta, algo impensável para jacarés e crocodilos de hoje.

Para completar o rol de esquisitices, suas patas traseiras eram bem maiores que as dianteiras. "A gente poderia pensar numa postura similar ao dos suricatos", compara um dos responsáveis pela descoberta, o paleontólogo Thiago Marinho, referindo-se aos pequenos mamíferos africanos que se tornaram conhecidos graças ao personagem Timão, de "O Rei Leão".

Os suricatos às vezes assumem a postura ereta, e talvez os membros do C. mineirus lhe permitissem fazê-lo também. 

Marinho, que trabalha no Centro de Pesquisas Paleontológicas L.I. Price, da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), assina a descrição formal da nova espécie em artigo na revista científica de acesso livre PeerJ.

O trabalho foi coordenado por Agustín Martinelli, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, e conta ainda com a participação de Luiz Carlos Borges Ribeiro, também da UFTM, e Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Professor Antonio Celso de Arruda Campos (Monte Alto, interior paulista).

O nome latino mineirus é quase autoexplicativo: embora já fossem conhecidas três espécies do gênero extinto Caipirasuchus, todas achadas em rochas do interior de São Paulo, esta é a primeira vez que um animal do grupo aparece do lado mineiro da fronteira interestadual.

Portanto, as quatro espécies são bichos com parentesco relativamente próximo entre si, embora uma série de detalhes anatômicos tenha sido suficiente para propor que o C. mineirus deveria ser classificado como uma espécie à parte.

Os pesquisadores ainda estão tentando entender como e por que essa diversidade dentro do gênero se estabeleceu. É possível que houvesse algum tipo de barreira entre as populações, levando-as a seguir caminhos evolutivos ligeiramente distintos durante mais ou menos a mesma época. Ou então, se houver diferença significativa de idade entre os espécimes paulistas e mineiros, pode ser que os paleontólogos estejam vendo o processo de diferenciação do grupo ao longo de alguns milhões de anos. Para saber qual possibilidade é a mais provável, é preciso avançar nos estudos sobre a idade geológica das camadas de rocha em São Paulo e Minas. 

Alguns detalhes do esqueleto, como a falta de fusão entre determinados ossos, indicam que se tratava de um indivíduo que ainda não chegara à idade adulta, embora já estivesse quase com o tamanho "final" da espécie, segundo Marinho. Mais descobertas devem vir da região de Campina Verde: desde 2009, o grupo já achou por lá vários exemplares de outro crocodilo extinto, o Campinasuchus dinizi, ovos (de crocodilo), dentes e ossos de dinossauros carnívoros e diversos fósseis de peixes.

O grau de preservação do C. mineirus, mesmo em meio a uma colheita tão rica quanto essa, chama a atenção. "A gente tem o esqueleto da ponta do focinho à ponta da cauda. Certamente está no 'top 3' dos mais preservados entre os crocodilos fósseis do Brasil", estima Marinho.