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Notícias Tecnologia

25 de janeiro de 2019

Zuckerberg afirma que Facebook não vende dados pessoais dos usuários

Zuckerberg afirma que Facebook não vende dados pessoais dos usuários

O bilionário americano afirmou que o Facebook armazena os dados de seus usuários para melhorar sua experiência.

O cofundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, voltou a repetir, nesta quinta-feira, que a rede social não vende dados pessoais de seus usuários, em mais uma tentativa de rebater as críticas cada vez mais recorrentes sobre a empresa. “Nos últimos tempos surgiram muitas perguntas obre nosso modelo econômico, por isso quero esclarecer a forma como funcionamos”, escreveu Zuckerberg em um artigo publicado por jornais como o americano Wall Street Journal ou o francês Le Monde.

“Se nos comprometemos a servir a todos, então precisamos de um serviço que seja acessível para todos. A melhor forma de fazer isto é oferecer um serviço gratuito, e isto é o que a publicidade nos permite fazer”, completou.

O bilionário americano afirmou que o Facebook armazena os dados de seus usuários para melhorar sua experiência. “As pessoas nos dizem que se devem ver anúncios, estes devem ser pertinentes para eles”. Mas isto não significa que a empresa vende os dados de seus usuários, destacou, em resposta a uma das críticas mais frequentes contra o Facebook, sobretudo desde o escândalo Cambridge Analytica, um caso de troca de informações pessoas sem o conhecimento dos usuários e com fins políticos.


Mark Zuckerbeg, cofundador do Facebook. Foto: Reprodução

O Facebook não proporciona diretamente os dados aos anunciantes ou demais companhias, e sim cobra para permitir o acesso destas empresas aos usuários, classificados graças às informações que fornecem à rede social. A rede cria categorias com os dados, como por exemplo “pessoas que gostam de jardinagem e vivem na Espanha”, a partir das páginas que elas curtem ou dos conteúdos nos quais elas clicam”.

O empresário de 34 anos respondeu a outra crítica recorrente: “Nos perguntam se deixamos conteúdos nocivos ou de conflito em nosso serviço, com o objetivo gerar mais tráfego”, o que pode contribuir para difundir conteúdos ofensivos ou notícias falsas. “A resposta é não”, afirmou.

Zuckerberg destacou que a rede social não tem interesse em abrigar este tipo de conteúdo porque não agrada os usuários e, portanto, tampouco os anunciantes. As polêmicas abalaram a empresa e custaram um preço elevado, já que a rede social teve que gastar bilhões de dólares para melhorar sua imagem

23 de janeiro de 2019

Especialistas veem com cautela limite de mensagens no WhatsApp

Especialistas veem com cautela limite de mensagens no WhatsApp

Limitação será para até cinco grupos de conversa.

O WhatsApp anunciou a limitação do encaminhamento de mensagens para até cinco grupos de conversa (chats). Segundo a empresa, tal medida teve como objetivo reforçar o caráter da plataforma como espaço de trocas de mensagens privadas. A decisão foi uma reação para lidar com o que a companhia chamou de “questão do conteúdo viral”, ou seja, a difusão massiva de informações por pessoas e grupos.

“O WhatsApp avaliou com cuidado essa teste [de limite de encaminhamento] e ouviu o feedback dos usuários durante o período de seis meses. O limite de encaminhamento reduziu significantemente o encaminhamento de mensagens no mundo todo. Começando hoje, todos os usuários da última versão do WhatsApp podem encaminhar apenas cinco mensagens por vez, o que vai ajudar a manter o WhatsApp focado em mensagens privadas com contatos próximos”, informou a empresa por meio de nota ontem (21).

O aplicativo entrou na mira de questionamentos em vários locais do mundo como espaço de disseminação de desinformação, conteúdos também chamados popularmente de “fake news” (no termo utilizado na língua inglesa). Na Índia, mensagens falsas reproduzidas em massa foram identificadas como fatores de estímulo a linchamentos de pessoas no ano passado. Em razão desse caso, o WhatsApp instituiu no país no ano passado este limite de cinco destinatários como um teste.

Eficácia

Foto: Reprodução

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a medida pode ajudar a conter a circulação de conteúdos enganosos, mas ainda é preciso avaliar se terá eficácia na prática para impactar a quantidade de desinformação enviada. Na opinião do coordenador de Tecnologia e Democracia do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), Marco Konopacki, não há clareza se o novo limite vai conter de fato as chamadas "fake news".

“Existem diferentes grupos com distintos interesses utilizando o WhatsApp para fins escusos, não simplesmente para distribuição de notícias falsas, mas aplicando poder computacional intensivo, com recursos de automatização e semi-automatização. Essas fontes automatizadas não se sujeitam a isso [os limites de encaminhamentos], pois têm base de números e enviam por meio delas”, explicou.

A diretora da agência de checagem de fatos Lupa, Cristina Tardáguila, também vê com cautela os impactos da decisão. “A gente precisa acompanhar. Vamos ver como vai ser a implementação. Observar se será mesmo o Brasil ao mesmo tempo, todos os telefones ao mesmo tempo ou alguma coisa escalonada para ver se não teremos algum tipo de desequilíbrio”, disse.

Mensagens privadas x difusão

Tardáguila foi uma das especialistas que defendeu medida nesse sentido durante as eleições, juntamente com outros professores. Para a diretora da Lupa, o debate de fundo é o uso do WhatsApp, uma plataforma inicialmente de mensagens privadas, para a difusão de conteúdos em massa. Outra mudança para reduzir essa condição de circulação em larga escala, acrescenta a diretora, seria a diminuição também das listas de transmissão, recurso que permite ao usuário enviar uma mensagem para 256 contatos de uma vez.

“Você tem a possibilidade de encaminhar uma mensagem para 256 pessoas, que podem também enviar para 256 e assim sucessivamente, tendo um sistema piramidal enorme. Isso precisa ser reavaliado. Quem é que precisa disparar mensagens para 256 destinatários?”, questiona. Ela acrescenta que o número de pessoas em grupos, hoje 256, também deveria ser limitado.

Fiscalização x criptografia

Segundo Cristina Tardáguila, o uso do WhatsApp para promoção de desinformação levanta questionamentos sobre como a proteção das mensagens pela criptografia, um dos recursos da plataforma, contribuiria para o fenômeno. “Não tenho opinião formada sobre isso. Mas criptografia é algo para poucas pessoas guardarem. No momento que você faz um broadcasting você está contando para muitas pessoas. Talvez ele possa não ser criptografado”, cogita.

O diretor do instituto de pesquisa Internet Lab, Francisco Brito Cruz, também avalia que a medida do WhatsApp tem como pano de fundo a tentativa da plataforma se afirmar como espaço de mensagens privadas frente ao uso para difusão massiva, especialmente de informações falsas. Ele acredita que a redução dos destinatários pode “estrangular um pouco o fluxo”, mas que é preciso ver como será a eficácia na prática. O pesquisador considera, no entanto, que, a despeito da circulação de conteúdos enganosos, o recurso da criptografia não deveria ser flexibilizado.

“Quebrar criptografia pode trazer vulnerabilidade para as pessoas e deixar a plataforma mais insegura para todo mundo, o que cria risco de ser aproveitado para práticas de vigilância. Ela [a criptografia] não tem que ser vista como empecilho, mas como escolha que é importante e que a gente não pode jogar fora o ‘bebê com a água do banho’. Talvez uma das coisas mais importantes do WhatsApp seja a criptografia sob a perspectiva de segurança, de privacidade”, defende.

20 de janeiro de 2019

Brasil e Europa vão ser interligados por novo cabo submarino

Novo cabo dará impulso à transmissão de dados para o exterior

O Brasil e a Europa vão ser interligados por um novo cabo submarino de fibra ótica com capacidade de 40 terabytes (TB) por segundo, o que vai facilitar as comunicações telefônicas e de imagens entre diferentes pontos do território brasileiro e o continente europeu.

A informação é do ministro-conselheiro para o mercado digital da representação da União Europeia no Brasil, Carlos Oliveira. Segundo ele, a União Europeia já disponibilizou US$ 30 milhões para o início da implantação do projeto.Porém, de acordo com o ministro-conselheiro o volume total a ser aplicado no cabo submarino ainda não está calculado porque depende de um detalhamento que vem sendo analisado por um consórcio de empresas, que inclui a brasileira Telebras. Ao final, um consórcio internacional de bancos vai financiar toda a operação.

Carlos Oliveira: União Europeia disponibilizou US$ 30 milhões para implantação do projeto(Foto:Divulgação/União Europeia)

Atualmente o Brasil tem um cabo submarino que liga o território brasileiro à Europa, denominado Atlantis 2. Porém, esse cabo tem uma capacidade de apenas 20 gigabytes, muito distante de atender ao gigantesco desenvolvimento de transmissão de dados nos últimos anos, sobretudo com o avanço da tecnologia de vídeos e imagens.

Em decorrência da deficiência nas comunicações com a Europa, o Brasil é obrigado atualmente a utilizar os cabos submarinos que ligam o território brasileiro aos Estados Unidos para transmitir dados (voz e imagem) internacionais e de lá é que esses dados são retransmitidos para outras partes do mundo, inclusive a Europa.

Os Estados Unidos hoje são um hub, ou seja, um centro armazenador e distribuir de dados brasileiros. De acordo com especialistas, o novo cabo submarino proporcionará praticidade e redução de custos para a transmissão de dados do Brasil para o continente europeu.

15 de janeiro de 2019

Hit do verão 'Jenifer' alavanca buscas pelo aplicativo Tinder

Lançada em setembro, a faixa surgiu de uma brincadeira de amigos e foi composta por um coletivo de oito pessoas que dividia uma casa em Goiânia, o Big Jhows.

"O nome dela é Jenifer/ Eu encontrei ela no Tinder", diz o refrão do novo hit do verão, "Jenifer", do cantor de forró Gabriel Diniz. A faixa é a mais ouvida no Brasil, com mais de 21 milhões de reproduções no Spotify e 94 milhões no YouTube.

Na vida real, é mais provável encontrar história parecida em São Paulo. Segundo um ranking divulgado pelo aplicativo de encontros nesta terça (15), a cidade é recordista no número de usuárias com o nome Jenifer, seguida do Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.

Clipe tem a atriz Mariana Xavier. (Foto: Divulgação)

Lançada em setembro, a faixa surgiu de uma brincadeira de amigos e foi composta por um coletivo de oito pessoas que dividia uma casa em Goiânia, o Big Jhows. 

Segundo contam, os amigos lanchavam quando uma garota chegou e abraçou um deles. Ao ser questionado se ela era sua namorada, o rapaz respondeu que não, que a havia conhecido no Tinder. Seria a inspiração para Jenifer.

A faixa chegou a ser comprada pelo cantor sertanejo Gusttavo Lima, que desistiu de gravá-la por não ser "de família", e vendeu os direitos a Diniz. Depois de estourado, o hit ganhou versão em eletrônica por Alok, clipe com a atriz Mariana Xavier e até paródia em alemão.

O sucesso impactou também no interesse pela empresa citada no refrão. "O Tinder está adorando o entusiasmo dos brasileiros com a música 'Jenifer'", disse a empresa, que não divulga dados relacionados ao crescimento de número de usuários ou hábitos dentro do aplicativo.

Dados do Google Trends mostraram que as buscas por Tinder dobraram na última semana, quando a faixa desbancou "Atrasadinha", de Felipe Araújo e Ferrugem, na liderança das paradas musicais do Spotify e do YouTube.

Nos últimos 30 dias, o interesse pela marca foi maior em Santa Catarina, Espírito Santo, Rondônia, Rio Grande do Sul e Piauí, respectivamente. A ferramenta do Google não disponibiliza os números exatos, apenas o ranking.

07 de janeiro de 2019

Mídias sociais elevam depressão entre meninas, diz pesquisa

Cerca de três quartos das garotas de 14 anos que sofrem de depressão também têm baixa autoestima, estão insatisfeitas com sua aparência e dormem sete horas ou menos por noite.

Meninas adolescentes são duas vezes mais propensas que os meninos a apresentar sintomas de depressão em conexão ao uso das redes sociais, segundo estudo do University College London (UCL) divulgado em Londres. Ativistas pediram ao governo britânico que reconheça o risco de páginas como Facebook, Twitter e Instagram para a saúde mental dos jovens.

Uma em cada quatro meninas analisadas apresentou sinais clinicamente relevantes de depressão, enquanto o mesmo ocorreu com apenas 11% dos garotos, segundo o estudo. Os pesquisadores constaram que a taxa de depressão mais elevada é devido ao assédio online, ao sono precário e a baixa autoestima, acentuada pelo tempo nas mídias sociais.

O estudo analisou dados de quase 11 mil jovens no Reino Unido. Os pesquisadores descobriram que garotas de 14 anos representam o agrupamento de usuários mais incisivos das mídias sociais – dois quintos delas as usam por mais de três horas diárias, em comparação com um quinto dos garotos.

Cerca de três quartos das garotas de 14 anos que sofrem de depressão também têm baixa autoestima, estão insatisfeitas com sua aparência e dormem sete horas ou menos por noite. "Aparentemente, as meninas enfrentam mais obstáculos com esses aspectos de suas vidas do que os meninos, em alguns casos consideravelmente", disse a professora do Instituto de Epidemiologia e Cuidados da Saúde do University College London, Yvonne Kelly, que liderou a equipe responsável pela pesquisa.


Foto: Reprodução

Depressão

O estudo também mostrou que 12% dos usuários considerados moderados e 38% dos que fazem uso intenso de mídias sociais (mais de cinco horas por dia) mostraram sinais de depressão mais grave.

Quando os pesquisadores analisaram os processos subjacentes que poderiam estar ligados ao uso de mídias sociais e depressão, eles descobriram que 40% das meninas e 25% dos meninos tinham experiência de assédio online ou cyberbullying.

Os resultados renovaram as preocupações com as evidências de que muito mais meninas e mulheres jovens apresentam uma série de problemas de saúde mental em comparação com meninos e homens jovens, e sobre os danos que os baixos índices de autoestima podem causar, incluindo autoflagelação e pensamentos suicidas.

Os pesquisadores pedem aos pais e responsáveis políticos que deem a devida importância aos resultados do estudo. "Essas descobertas são altamente relevantes para a política atual de desenvolvimento em diretrizes para o uso seguro das mídias sociais. A indústria tem que regular de forma mais rigorosa as horas de uso das mídias sociais para os jovens", diz Kelly.

Uso excessivo das mídias sociais

A ministra adjunta para Saúde Mental e Cuidados Sociais, Barbara Keeley, afirmou que "esse novo relatório aumenta as evidências que mostram o efeito tóxico que o uso excessivo das mídias sociais tem na saúde mental de mulheres jovens e meninas [...] e que as empresas devem assumir a responsabilidade pelo que ocorre em suas plataformas".

Tom Madders, diretor de campanhas da instituição beneficente YoungMinds, diz que, embora sejam uma parte da vida cotidiana da maioria dos jovens e tragam benefícios, as redes sociais proporcionam uma "pressão maior" porque estão sempre disponíveis e fazem com que os jovens comparem "as vidas perfeitas de outros" com a sua própria.

04 de janeiro de 2019

Braille: especialistas dizem que há avanços, mas ainda muito trabalho

O braille é composto por 63 sinais, gravados em relevo. Esses sinais são combinados em duas filas verticais, com 3 pontos cada uma. A leitura se faz da esquerda para a direita.

Aos 7 anos de idade, Alceu Kuhn aprendeu a ler com a ponta dos dedos. Desde então, não se distanciou mais do sistema braille, que ele descreve como “a forma pela qual o cego consegue tocar as palavras”. Passaram pelas suas mãos, ainda criança, obras como O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, O Guarani, de José de Alencar, e Robinson Crusoé, de Daniel Defoe. Atualmente, Kuhn é revisor braille e luta para que o sistema de escrita e leitura chegue a mais pessoas.

Hoje (4), no Dia Mundial do Braille, Kuhn diz que há avanços a serem comemorados, mas ainda muito trabalho pela frente. Ele é um dos diretores da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) e representante da organização na Comissão Brasileira do Braille. A comissão foi instituída pelo Ministério da Educação (MEC) para desenvolver uma política de diretrizes e normas para o uso, o ensino, a produção e a difusão do sistema braille em todas as suas modalidades de aplicação.

“Eu fico muito feliz de ter tido essa oportunidade [de aprender a ler]. Infelizmente, muitos cegos não têm acesso ao braille por algumas razões. Não é porque não estejam na escola, mas  porque os próprios professores não sabem o braille e, como consequência, não vão oferecê-lo”.

Além disso, há pouca disponibilidade de livros transcritos. Segundo a União Mundial de Cegos - que representa aproximadamente 253 milhões de pessoas com deficiência visual de organizações em mais de 190 países -, cerca de 5% das obras literárias no mundo são transcritas para braille. Isso nos países desenvolvidos. Nos países mais pobres, essa porcentagem é 1%.


Foto: Arquivo/Agência Brasil

A estimativa de Kuhn é que o Brasil não alcance nem mesmo esse 1%. “Hoje, a transcrição que acontece no Brasil é predominantemente de livros didáticos. A literatura é muito carente de braille”, diz. Isso se deve, de acordo com ele, em parte devido ao custo da transcrição, uma vez que uma impressora braille custa de R$ 30 mil a R$ 200 mil e é necessário um trabalho cuidadoso de formatação. “E outro fator que pode aumentar a produção é o próprio cego demonstrar interesse no braille, buscar mais. Assim, autoridades se sentiriam mais cobradas”.

Nas escolas

Neste ano, as escolas públicas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental receberão pela primeira vez livros em tinta braille, ou seja, estarão transcritos tanto em braille quanto em tinta, facilitando que pais, responsáveis e até mesmo professores que não dominam o sistema possam ler. É também a primeira vez que esses livros serão distribuídos junto com os demais, no início do ano.

De acordo com a ONCB, antes, os professores recebiam os livros em tinta e selecionavam os que seriam transcritos em braille. Isso atrasava a entrega desses livros. Além disso, estudantes cegos ficavam meses sem ter o material didático. A expectativa é que livros em braille entrem nos próximos editais lançados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para atender com mais celeridade também os estudantes do 6º ao 9º ano e do ensino médio.

“Seria ótimo se todos os alunos pudessem ter todos os livros em braille”, diz a coordenadora de Revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e do Conselho Ibero-Americano de Braille, Regina Oliveira. No aprendizado, sobretudo a partir do 6º ano, de acordo com Regina, os estudantes acabam valendo-se da tecnologia, de áudios. Quando se trata de disciplinas exatas, com muitos símbolos, no entanto, o livro braille faz falta. “É necessário que tenham livros de matemática, de geografia, para ter contato com a simbologia específica, para aprenderem a ler mapas, gráficos”.

“O braille é importante para pessoas cegas, para a alfabetização, dá independência, autonomia, no consumo de cosméticos, de alimentos. Autonomia para poder entrar em um elevador com segurança, receber contas, extratos bancários ou faturas de cartão de crédito. Tem aplicação na vida das pessoas cegas em todos os momentos”, diz Regina.

Sistema Braille

O braille é composto por 63 sinais, gravados em relevo. Esses sinais são combinados em duas filas verticais, com 3 pontos cada uma. A leitura se faz da esquerda para a direita. O sistema braille se adapta à leitura tátil, pois os pontos em relevo devem obedecer medidas padrão, e a dimensão da cela braille deve corresponder à unidade de percepção da ponta dos dedos.

A data de hoje foi escolhida por ser o aniversário do criador do sistema, Louis Braille, que nasceu em 1809 na França. Ele ficou cego em 1812, aos três anos, após se acidentar na oficina do pai. Para desenvolver um sistema de leitura e escrita para pessoas cegas, ele usou como base o sistema de Barbier, utilizado para a comunicação noturna entre os soldados do Exército francês.

Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão.

26 de dezembro de 2018

Há 50 anos, a tripulação da Apollo 8 foi a primeira a partir rumo à Lua

Por 20 horas, a espaçonave esteve na órbita lunar, completando uma revolução a cada duas horas, dos quais passava 45 minutos sem contato com a Terra.

Em 24 de dezembro de 1968, os membros da missão Apollo 8, viram, enquanto orbitavam a Lua, o planeta Terra. Daí surgiu a icônica foto -que, junto à presença humana na órbita lunar, completou 50 anos-feita pelo astronauta William Anders.

"A Lua é essencialmente cinza, sem cores", disse o astronauta James Lovell, enquanto a missão passava sobre o Mar da Fecundidade, na Lua.

A tripulação da Apollo 8 antes da missão espacial. (Foto: NASA)

A frase foi proferida logo após vários minutos de silêncio por parte da Apollo 8, o que era esperado, pela nave estar passando por trás da Lua, e significava que a entrada na órbita lunar tinha sido bem-sucedida -um contato em menor tempo significaria que a missão teria falhado.

A Apollo 8 se tornava, assim, a primeira da humanidade a orbitar o satélite.

Por 20 horas, a espaçonave esteve na órbita lunar, completando uma revolução a cada duas horas, dos quais passava 45 minutos sem contato com a Terra. 

Esta foto ficou conhecida como "Earthrise", mostrando o "nascer" da Terra vista da Lua (Foto: William Anders/NASA)

A missão contou até com uma transmissão de TV diretamente da Lua. Durante as filmagens, os astronautas descreviam o terreno e os possíveis locais de pouso no Mar da Tranquilidade. Segundo a Nasa, estima-se que cerca de um bilhão de pessoas de 64 países assistiram a transmissão.

20 de dezembro de 2018

Número de usuários de internet cresce 10 milhões em um ano no Brasil

Em todas as regiões do país houve variação positiva entre quatro e seis pontos percentuais.

Passou de 64,7% para 69,8% o número de brasileiros com 10 anos ou mais (181 milhões da população) que acessaram a internet de 2016 para 2017. São quase 10 milhões de novos usuários na comparação entre o último semestre de cada ano.

Os dados constam no suplemento Tecnologias da Informação e Comunicação da Pnad Contínua, divulgado hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A edição foi divulgada pela primeira vez trazendo informações relativas a 2016.

Em todas as regiões do país houve variação positiva entre quatro e seis pontos percentuais. "Esse é um processo que vem ocorrendo de uma maneira relativamente rápida. Em um ano, houve um avanço de quase 10 milhões usuários de internet. Isso está ocorrendo em diversos grupos etários, tanto entre os jovens quanto entre os mais velhos", explica a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE Adriana Beringuy.

Idosos

Proporcionalmente, o maior crescimento ocorreu entre as pessoas com 60 anos ou mais, com alta de 25,9%. A pesquisa também mostra aumento de 7,4% no uso da internet entre adolescentes de 10 a 13 anos. Nesta faixa etária, 71,2% das pessoas já acessaram o ambiente virtual e 41,8% têm telefone celular pessoal.

Internet na TV

De acordo com a pesquisa, no último trimestre de 2017, 16,3% da população brasileira com 10 anos ou mais fizeram uso da internet através da televisão. Em 2016, esse percentual foi de 11,3%. Esse aumento de 5 pontos percentuais foi o mais expressivo. "[Isso] é viabilizado pelas Smart TVs, que vem ganhado cada vez mais espaço no mercado", diz Adriana.

No caso dos celulares, houve um salto de 2,4 pontos percentuais, saindo de 94,6% para 97%. De outro lado, em 2016, 63,7% dos usuários acessaram a web através de um computador, percentual que caiu para 56,6% em 2017. A redução no tablet foi de 16,4% para 14,3%. A pesquisa também mostrou que de 2016 para 2017, cerca de 835 mil casas deixaram de ter um computador.

Conexão

Em relação aos tipos de conexão, a banda larga móvel é mais usada, com presença em 78,5% dos domicílios. A banda larga fixa está em 73,5%. A internet discada se mostrou irrelevante: apenas 0,4% dos domicílios com acesso registraram esse tipo de conexão.

Os dados de banda larga não são uniformes para todo o país. "Em áreas mais afastadas, prevalece a banda larga móvel", explica Adriana. Em comunidades da floresta amazônica, por exemplo, há maior dificuldade de implantação de internet a cabo. Dessa forma, na Região Norte, em 88,7% dos domicílios com acesso à internet, as pessoas se conectam usando serviços de banda larga móvel, enquanto em apenas 48,8% das casas há banda larga fixa.

No Sudeste, de outro lado, os percentuais são mais próximos. A banda larga móvel está presente em 83,5% dos domicílios com conexão e a fixa em 72,5%. O Nordeste é a única região em que os índices se invertem: a banda larga fixa existe em 74,2% dos domicílios com internet e supera os 63,8% da banda larga móvel.

A Pnad Contínua também mostrou crescimento mais expressivo de conexão na área rural do que na urbana. De 2016 para 2017, a quantidade de casas na área rural com acesso subiu mais de sete pontos percentuais, de 33,6% para 41%. No mesmo período, as residências com conexão nos centros urbanos tiveram alta de cinco pontos percentuais, de 75% para 80,1%.

Finalidade

Outro dado que consta na pesquisa diz respeito à finalidade de uso. O acesso para enviar e-mails foi relatado por 66,1% dos usuários, uma queda em relação aos 69,3% de 2016. De outro lado, houve aumentos expressivos na utilização da internet para fazer chamadas de voz ou de vídeo, que saltou de 73,3% para 83,8%, e para assistir a programas, séries e filmes, número que saiu de 74,6% e alcançou 81,8%.

Foi ainda observado crescimento do acesso para enviar mensagens de texto ou de voz através de aplicativos diferentes de e-mail, como o Whatsapp ou o Telegram. Essa finalidade foi mencionada por 95,5% dos usuários, representando aumento em relação aos 94,2% registrados em 2016.

Não uso

A falta de conhecimento é a principal causa para não acessar a rede mundial de computadores. O motivo foi citado por 38,5% dos entrevistados. "A população que afirma não saber usar a internet é maior na região urbana do que na região rural. Pode influenciar o fato de a região rural ter uma estrutura etária mais jovem. E apesar do acesso à internet entre a população mais velha ter crescido de forma mais expressiva, os idosos ainda são os que a utilizam em menor proporção", analisa Adriana.

A falta de interesse foi o segundo motivo mais alegado para o não uso da internet. Ele foi mencionado por 36,7%. Somadas, não saber usar a internet e a falta de interesse foram as razões apresentadas por 75,2% das pessoas que não acessam a internet. O preço, a indisponibilidade do serviço na região e o custo do equipamento necessário para o acesso estão entre as outras explicações.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua substituiu a Pnad e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Por meio da pesquisa, são publicados relatórios mensais e trimestrais com informações conjunturais relacionadas à força de trabalho. Também são divulgadas informações educação e migração. Há ainda suplementos em que determinados assuntos são pesquisados com periodicidades diferentes.

14 de dezembro de 2018

Facebook anuncia vazamento de fotos que afetou até 6,8 milhões de usuários

Facebook anuncia vazamento de fotos que afetou até 6,8 milhões de usuários

Em comunicado, Tomer Bar, diretor de engenharia do Facebook afirma que o problema esteve no ar entre 13 e 25 de setembro deste ano.

O Facebook anunciou nesta sexta-feira (14) um vazamento de fotos que pode ter afetado até 6,8 milhões de usuários.
Em comunicado, Tomer Bar, diretor de engenharia do Facebook afirma que o problema esteve no ar entre 13 e 25 de setembro deste ano.
A falha foi corrigida, segundo a empresa. No entanto, nesse intervalo de 12 dias, aplicativos de terceiros que funcionam no site tiveram acesso "mais amplo que o normal" às fotos, ainda segundo o Facebook.
Uma página na central de ajuda informa o usuário se ele foi ou não afetado pelo vazamento. Essa mesma página deverá ser enviada por meio de alerta na plataforma para quem possa ter sido afetado no começo da próxima semana, segundo o Facebook.
Via de regra, os desenvolvedores de apps que se comunicam com a rede social têm acesso apenas a fotos postadas como públicas nos perfis.
Com a falha, no entanto, o Facebook diz ter concedido acesso também a fotos publicadas no sistema de stories (aquelas que se apagam após 24h) e, inclusive, a imagens que nem chegaram a circular na rede -por exemplo, quando um usuário prepara o conteúdo, mas desiste antes de apertar o botão de compartilhar.


Foto: Olhar Digital

"Acreditamos que isso pode ter afetado 6,8 milhões de usuários e até 1.500 aplicativos de 876 desenvolvedores diferentes", afirmou a rede social. Segundo relatórios da empresa, o Facebook possui mais de 2 bilhões de usuários ativos por mês, 127 milhões deles no Brasil.
A plataforma lamentou o ocorrido e afirmou que no começo da próxima semana irá disponibilizar uma ferramenta para que os desenvolvedores possam analisar quem foi afetado pelo problema e que irá trabalhar para que as fotos sejam deletadas.
Procurado pela reportagem, o Facebook não indicou se usuários brasileiros foram afetados pelo vazamento.
Problemas recentes
Em setembro, o Facebook anunciou que invasores roubaram os chamados "tokens de acesso" de 50 milhões de contas. Como medida de segurança, na época, 90 milhões de contas foram deslogadas -ou seja, pessoas que entravam no site de modo automático (sem incluir a senha), foi desconectado.
Com esses tokens de acesso, informações que ficam armazenadas no computador e permitem esse acesso sem digitar as credenciais, hackers têm total controle sobre as contas -podem ver mensagens e álbuns privados, por exemplo.
Em março, tornou-se público o caso da Cambridge Analytica, que, com dados dos usuários da rede, a firma conseguiu montar perfis de eleitores a serem bombardeados com mensagens políticas dentro da plataforma. O caso afetou informações de até 87 milhões de pessoas, a maioria nos EUA.
A empresa enfrenta uma série de crises desde 2016, quando foi acusada de influenciar o resultado da eleição presidencial dos EUA em favor de Donald Trump.
No dia 15 de novembro, o executivo-chefe Mark Zuckerberg publicou um documento descrevendo os planos do Facebook para ser mais transparente na gestão do conteúdo que circula pela rede.

Twitter registra aumento de 10% em pedidos de governos sobre dados

O aumento de 10% nas solicitações em nível global a respeito do período anterior é o mais alto registrado desde o segundo semestre de 2015.

O Twitter divulgou hoje (13) que registrou, de janeiro a junho deste ano, um aumento de 10% no número de solicitações de dados de usuários por governos do mundo todo. No relatório de transparência que apresenta os números correspondentes ao primeiro semestre, a rede social indicou ter recebido 6.904 pedidos oficiais de governos para terem acesso a informações de usuários, 10% a mais que as 6.268 solicitações recebidas no segundo semestre de 2017.

Esse tipo de requerimento é encaminhado por um governo ou agência governamental que pede ao Twitter informações relacionadas a aspectos como o endereço de e-mail vinculado a uma conta, os conteúdos publicados nessa conta e as mensagens diretas enviadas pelo usuário.

O maior número de solicitações de dados entre janeiro e junho corresponde ao governo dos Estados Unidos, com 2.231 pedidos, dos quais o Twitter deu resposta total ou parcial a 56%. O segundo lugar ficou com o governo do Japão (1.426 pedidos, 76% respondidos), seguido pelo do Reino Unido (947, 67% respondidos). O governo brasileiro ficou na 12ª posição, 45 pedidos, 31% deles respondidos.


Foto: Reprodução

O Twitter informou que, quando considera "apropriado", rejeita solicitações feitas mediante processos jurídicos "inválidos ou genéricos demais". De acordo com a empresa, uma alta porcentagem dos pedidos governamentais terminam sem nenhuma informação repassada ou apenas uma parte do pedido atendida. O aumento de 10% nas solicitações em nível global a respeito do período anterior é o mais alto registrado desde o segundo semestre de 2015.

Além disso, a rede social recebeu, entre janeiro e junho, 12.244 solicitações de supressão de conteúdos por parte de governos, organizações dedicadas a combater a discriminação e advogados representando cidadãos.

Esse número representa um aumento de 80% com relação ao último relatório, mas, ao contrário das solicitações de informação, que ocorrem no mundo todo, os pedidos de supressão se concentram de maneira muito substancial em dois países: Turquia e Rússia, que somam 87% das reivindicações.

De todos os requerimentos de supressão recebidos pelo Twitter em nível global entre janeiro e junho, a rede social, que segundo os últimos dados conta com 336 milhões de usuários, só deu resposta total ou parcial a 17% deles. 

11 de dezembro de 2018

Robôs-táxis começam a levar passageiros nos Estados Unidos

A empresa não revelou exatamente quantos veículos estão em teste, mas falou em "centenas".

 A Waymo, empresa ligada ao Google, lançou na semana passada um serviço de táxi autônomo na região de Phoenix, Arizona, no Oeste dos Estados Unidos.

Apelidado de robô-taxi, o serviço faz viagens desde o dia 5 de dezembro numa área de cerca de 160 km², que abrange áreas de subúrbio. Inicialmente, apenas pessoas que receberam convites podem pedir viagens. Os passageiros precisam baixar um aplicativo e pagar a corrida via cartão de crédito. O preço é similar ao do Uber ou do Lyft no país: cerca de US$ 7,50 (cerca de R$ 30) por um trajeto de cinco quilômetros.

A empresa não revelou exatamente quantos veículos estão em teste, mas falou em "centenas".

Embora o carro seja guiado de forma autônoma, um motorista fica a postos para assumir a direção em caso de necessidade. Nos bancos de trás, há monitores sensíveis ao toque que dão as boas-vindas ao passageiro e passam informações sobre o trajeto. Uma voz automatizada avisa os movimentos que o carro fará, como virar à esquerda.

Numa viagem de teste feita pela agência de notícias Reuters, o veículo se movimentou de forma bastante contida, como se fosse um condutor recém-habilitado.

Embora seja capaz de ler as placas de trânsito e de detectar objetos e pessoas ao redor, o sistema teve dificuldade para entender as intenções de pedestres e parou diante de um homem que esperava na esquina, mas que não tinha intenção de atravessar a rua, por exemplo.

Neste teste, o carro fez algumas trocas de faixa de um jeito um tanto confuso. Em um momento, ele atravessou três pistas de uma vez para chegar a um estacionamento.

O avanço dos veículos autônomos ocorre em meio à uma grande disputa entre empresas de tecnologia e fabricantes de automóveis, que buscam começar a ganhar dinheiro com o serviço para compensar anos de investimento para criar os sistemas que pretendem substituir o trabalho do motorista.

A General Motors anunciou que pretende lançar seu serviço de robô-táxi em 2019 e a Ford, em 2021. A Uber também tem planos, mas não divulgou datas.

No entanto, as regras para este mercado ainda precisam ser definidas. O Senado dos EUA debate há mais de um ano uma lei para regular a circulação. No país, alguns Estados permitem testes, e outros não.

O Brasil também precisa criar suas regras para estes novos tipos de veículo, sob risco de se repetir os confrontos gerados com a chegada repentina de aplicativos como o Uber, alguns anos atrás.

03 de dezembro de 2018

Físicos anunciam maior colisão de buracos negros já detectada

O evento monumental teria acontecido há 5 bilhões de anos.

A rede de detecção de ondas gravitacionais formada pelos sistemas Ligo (americano) e Virgo (europeu) anunciou, nesta segunda-feira (3), a descoberta da maior e mais distante colisão de buracos negros já registrada até o momento. O evento monumental teria acontecido há 5 bilhões de anos.

"O evento GW170729, detectado em 29 de julho de 2017, foi o mais massivo e distante até hoje detectado, envolvendo buracos negros de 51 e 34 massas solares e emitindo quase cinco massas solares de energia no pulso de radiação gravitacional", diz Odylio Aguiar, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e membro da colaboração Ligo-Virgo. "Esta coalescência aconteceu numa época em que a Terra e o Sol não existiam."

Propagando-se à velocidade da luz, as ondas gravitacionais são o único método conhecido para detectar fenômenos desse tipo. Previstas pela teoria da relatividade geral de Einstein, elas consistem em flutuações no próprio tecido do espaço, que se encurta e se estica quando objetos com muita massa se deslocam por ele -mais ou menos do mesmo jeito que jogar uma pedra na superfície de um lago gera ondas concêntricas na água.

A GW170729 é apenas a mais marcante das novas descobertas, que incluem outros três novos eventos de colisão de buracos negros, registrados em 9 de agosto, 18 de agosto e 23 de agosto de 2017. Somando todos os anúncios até agora, já foram 11 as detecções confirmadas de ondas gravitacionais: dez delas ligadas à colisão de dois buracos negros, e uma do encontro de duas estrelas de nêutrons.

11 BINÁRIAS E VÁRIOS SEGREDOS

Até agora, o sistema de detecção (de início apenas com as instalações gêmeas do Ligo, depois com Ligo e Virgo operando conjuntamente) realizou duas baterias de observações, a primeira entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, e a segunda entre novembro de 2016 e agosto de 2017. Os artigos científicos divulgado nesta segunda consistem em um catálogo que compila os dados detalhados de todas as detecções e uma análise da população de buracos negros binários identificada até o momento.

O acúmulo de novas ocorrências ajuda a entender coisas como a frequência estatística das coalescências. "Com o conhecimento dessas dez binárias de buracos negros, pode-se ter uma ideia bem mais clara da taxa de ocorrência dessas fusões", diz Aguiar.

Uma surpresa dos cientistas até agora foi encontrar buracos negros muito maiores do que eles esperavam a princípio. A se confirmar essa tendência, isso significa que há mais massa "invisível" na forma de buracos negros do que se imaginava antes. Será que a ponto de explicar parte dos efeitos gravitacionais que atribuímos à chamada matéria escura? De acordo com Aguiar, essa é uma possibilidade. "Além disso, pode-se testar melhor a teoria da relatividade geral de Einstein e obter mais informações que possam elucidar a origem dessas binárias de buracos negros", completa Aguiar.

COMO FUNCIONA

Todos os três detectores em operação são basicamente uma estrutura em forma de L com braços de 4 km (no caso do Ligo) ou 3 km (no caso do Virgo), por onde correm feixes de laser divididos em dois. Enquanto um feixe corre numa direção, bate num espelho e volta, o outro corre na perpendicular do primeiro, também fazendo um percurso de vai e volta. A ideia é que, se houver qualquer distorção do espaço, os lasers que até então estavam perfeitamente alinhados (eles vão e voltam exatamente ao mesmo tempo, já que viajam à mesma velocidade) sairiam desse sincronismo, indicando a passagem de uma onda gravitacional.

Para que se tenha uma ideia da escala que estamos medindo, o sistema Ligo-Virgo é sensível a variações da escala de um décimo de milésimo do tamanho de um único próton.

E a brincadeira está só começando: a próxima "corrida" (expressão usada pelos cientistas para descrever uma bateria de observações com os detectores) deve começar em março de 2019.

Sob Trump, EUA estimulam missões privadas à Lua

A estratégia é replicar o sucesso obtido com o envio comercial de carga e, em breve, tripulações à Estação Espacial Internacional.

A Lua vai ser o lugar mais agitado do Sistema Solar nos próximos anos. Na última quinta-feira (29), a Nasa anunciou um programa para estimular missões privadas à superfície do satélite natural. A estratégia é replicar o sucesso obtido com o envio comercial de carga e, em breve, tripulações à Estação Espacial Internacional, agora para promover missões lunares.

Nove empresas foram selecionadas, num grupo que inclui tanto gigantes da indústria aeroespacial, como a Lockheed Martin, quanto recém-chegadas ao mercado, como a Astrobotic e a Moon Express. Cada uma dessas companhias está desenvolvendo seu próprio módulo de pouso e a Nasa espera poder contratar o envio de equipamentos à superfície lunar por meio delas, com um orçamento de US$ 2,6 bilhões em dez anos. A primeira missão nesses moldes poderia já sair em 2019, embora 2020 seja mais realista.

Trata-se do primeiro movimento claro de realinhamento do programa espacial americano após a diretriz estabelecida por Donald Trump para tornar a Lua o alvo prioritário da agência espacial, em preparação para o futuro envio de astronautas.

Com a iniciativa, os EUA começam a recuperar o tempo perdido e se recolocar nesta nova corrida lunar, que tem até o momento a China como maior expoente. Por sinal, nos próximos dias deve partir a sonda Chang'e 4, que fará algo jamais antes realizado na história da exploração lunar: um pouso no lado afastado da Lua. No começo de 2019, será a vez dos indianos, com sua segunda missão científica à Lua, a Chandrayaan-2.

O projeto americano, ao despertar o poderio da iniciativa privada em torno do processo de ocupação lunar, pode tornar o jogo ainda mais interessante. Não é loucura imaginar que teremos ao menos uma tentativa de pouso lunar por ano.

Em paralelo, a Nasa projeta liderar a construção de um complexo orbital lunar para astronautas, chamado de Gateway. A previsão no momento é de que o primeiro voo tripulado ao redor da Lua possa acontecer em 2023, numa arquitetura que depende do sucesso da futura cápsula Orion e do foguete de alta capacidade SLS.

Isso, claro, sem falar no rinoceronte solto na loja de cristais: a SpaceX. A companhia de Elon Musk está desenvolvendo a Starship, uma nave de alta capacidade que poderia promover missões tripuladas à superfície da Lua a um custo muito inferior. Se ficar pronta em coisa de cinco anos, como sugere Musk, isso pode tornar a arquitetura da Nasa embaraçosamente ultrapassada.

29 de novembro de 2018

China punirá testes genéticos que "violarem leis e princípios éticos

O cientista He Jiankui afirmou há três dias ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo.

O  diretor-adjunto da Comissão Nacional de Saúde da China,  Zeng Yixin, anunciou hoje (29) que "punirá" firmemente os responsáveis por um caso que "viola leis e regulações" do país, assim como "princípios éticos", em referência aos embriões humanos supostamente modificados geneticamente pelo cientista chinês He Jiankui.

O vice-ministro de Ciência e Tecnologia chinês, Xu Nanping, acrescentou que o governo combaterá as experiências e confirmou a suspensão das pesquisas conduzidas pelo cientista chinês que modificou os genes de gêmeas futura infecção ao vírus HIV.  "É contra a lei e contra a ética. É inaceitável", afirmou.

Em entrevista à Televisão Central da China ("CCTV"), Zeng Yixin afirmou que os departamentos e os governos locais "estão investigando o caso e que punirão firmemente os infratores". O vice-ministro complementou que: "Com o rápido desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a pesquisa e a aplicação científica devem ser mais responsáveis e devem acompanhar normas éticas e técnicas".

Huai Jinpeng, secretário do partido da Associação Chinesa de Ciência e Tecnologia, também disse hoje à CCTV que se opõe ao experimento e disse que o órgão dará "todo apoio" às investigações das autoridades.

O pesquisador Wang Haoyi, da Academia de Ciências da China, condenou o experimento em entrevista à emissora estatal e afirmou que o caso alterou "gravemente" as bases da pesquisa científica e prejudicou a reputação da China nesta área.

"Ele não nos representa. Nem o chamaria de cientista. É uma pessoa impiedosa que sabe muito pouco de ciência e que fez um experimento muito irresponsável em um ser humano", disse Wang.

Experiências

O cientista He Jiankui afirmou há três dias ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo. Em discurso no Congresso Internacional de Edição de Genomas Humanos, na Universidade de Hong Kong, ele disse estar "orgulhoso" pelo uso da técnica de edição genética CRISPR/Cas9 em duas gêmeas e destacou que o estudo não tinha o objetivo de eliminar doenças genéticas, mas de "dar às meninas a habilidade natural" para resistir a uma possível futura infecção ao vírus HIV.

No dia 26, a direção da Universidade de Shenzhen, onde He Jiankui trabalhou, anunciou que a abertura de investigação e classificou o episódio como  "grave violação da ética e dos padrões acadêmicos".

O comando da revista científica Nature se uniu ao debate e sustentou que o anúncio provocou "indignação" da comunidade científica internacional e que, se for verdade, representará "um salto significativo - e controverso - no uso da edição do genoma humano".