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Notícias Tecnologia

20 de agosto de 2018

Projeto de brasileira combate extremismo entre jovens na internet

outras manifestações extremistas que preocupam atualmente são o racismo, a xenofobia contra refugiados venezuelanos e o surgimento de grupos neonazistas na região Sul, diz pesquisadora.

O homem que matou três pessoas em um ataque a bomba na Maratona de Boston em 2013 tinha 19 anos. Em 2017, atentados na Catalunha, foram executados por jihadistas que tinham entre 17 e 24 anos. No mesmo ano, uma alemã de 16 anos foi presa por ter se unido ao Estado Islâmico ao se apaixonar por um combatente pela internet. Se os jovens são os mais visados por recrutadores de grupos extremistas, é para eles que devem ser dirigidas as mensagens antirradicalização - e esse trabalho tem que ser feito nas redes sociais, onde boa parte das mensagens de ódio são propagadas.

Foi essa ideia que deu origem ao Words Heal the World (palavras curam o mundo), projeto criado por uma brasileira que produz conteúdo na internet de combate à intolerância e ao extremismo. A jornalista Beatriz Buarque, 32, envolveu-se com a temática quando fez um curso em Israel sobre conflitos no Oriente Médio, em 2015. "Naquela época, os jihadistas estavam recrutando muita gente. Fiquei tocada quando vi que produziam um conteúdo altamente profissional na internet. Voltei pensando que queria intervir de alguma maneira", afirma.

Dois anos depois, ela foi para Londres fazer mestrado na área. Antes de se mudar, porém, já tinha dado início ao projeto, que começou com um site e passou a atuar também em outras frentes, produzindo campanhas para redes sociais, documentários, palestras e eventos.


 Beatriz Buarque (terceira da dir. para a esq.) no lançamento do documentário 'Behind the scarf', sobre o uso do véu por muçulmanas, em Londres. Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

"Existem várias organizações que estão usando a palavra para prevenir o extremismo, mas a maioria não tem equipe de mídia social por falta de recursos. Elas são praticamente invisíveis na internet", afirma Beatriz. "Buscamos dar visibilidade a essas iniciativas."

Atualmente, o projeto tem parceria com 22 entidades - três são brasileiras. A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) também é parceira. O conteúdo é produzido por estudantes de comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Universidade de Westminster, no Reino Unido.

"Achei importante colocar os jovens como principais atores do processo. Isso preenche uma lacuna muito usada por grupos radicais, que oferecem um senso de pertencimento, puxam aqueles que não se sentem incluídos na comunidade dizendo que entrarão para uma causa maior", diz ela.

Um vídeo com uma canadense que perdeu o filho para um grupo jihadista, uma entrevista com um ex-combatente que teve contato com grupos radicais no Afeganistão e uma transmissão ao vivo de um somali desconstruindo mitos sobre o Islã são exemplos de posts já feitos. O foco inicial no radicalismo islâmico foi ampliado para incluir também o combate ao racismo, à homofobia, ao antissemitismo e à intolerância religiosa. Um documentário sobre ataques sofridos por religiões afro-brasileiras, por exemplo, vai ser produzido no Rio.

Segundo Beatriz, apesar do Estado Islâmico ter perdido força nos últimos anos, o grupo segue sendo motivo de preocupação: "Eles perderam território, mas continuam muito ativos na internet." Um dos problemas é com relação a crianças que foram criadas na região controlada pelo grupo. "Elas tiveram contato com a violência muito cedo, não sabem o que é empatia. Isso é um grande perigo, e há quem diga que a próxima onda de jihadistas vai ser ainda pior do que a atual", diz ela.

Outro desafio atual é como lidar com os "returnees", radicalizados que estão voltando aos seus países de origem - muitos deles, ocidentais. No Brasil, além da intolerância com religiões afro, outras manifestações extremistas que preocupam atualmente são o racismo, a xenofobia contra refugiados venezuelanos e o surgimento de grupos neonazistas na região Sul, diz Beatriz. A brasileira agora planeja transformar o projeto em uma organização social.

Ela também tem ampliado a atuação fora da internet, promovendo seminários em escolas e eventos como o Diálogos pela Paz, que reunirá líderes de diferentes religiões no Rio em setembro.

11 de agosto de 2018

11 de Agosto: Dia da Televisão; Entenda como surgiu a data

Ao contrário do que você possa imaginar, essa data em nada tem a ver com a invenção do primeiro aparelho televisivo ou o dia da primeira transmissão realizada.

Você consegue imaginar o mundo sem a televisão? Mas que um aparelho ligado ao entretenimento, é um item fundamental para a comunicação e informação. Neste sábado, dia 11 de agosto, comemora-se o Dia da Televisão. E ao contrário do que você possa imaginar, essa data em nada tem a ver com a invenção do primeiro aparelho televisivo ou o dia da primeira transmissão realizada. 

Neste sábado, dia 11 de agosto, comemora-se o Dia da Televisão. (Foto: Reprodução)

A data comemorativa, celebrada desde 1958, remete à morte de Santa Clara de Assis, “Padroeira da Televisão”. De acordo com a tradição católica, Santa Clara, por alguma circunstância estava impossibilitada de assistir à missa matinal do dia de Natal. Enquanto meditava e orava ao menino Jesus, em seu quarto, milagrosamente, conta-se que Santa Clara conseguiu ouvir e “assistir”, tudo o que se passava na missa. 

O Papa Pio XII, que via a televisão como um fenômeno extraordinário, na época das primeiras transmissões, comparou essa tecnologia ao milagre vivido por Santa Clara. Assim, sugeriu que o Dia da Televisão fosse comemorado em memória pela morte da santa. Logo, ao longo dos anos, Santa Clara foi atribuída por muitos, como a “Padroeira da Televisão”. 

A televisão é um invento do começo do século XX. O aparelho, que é capaz de transmitir imagens através da captação de ondas elétricas, foi pensado pelo escocês John Logie Baird. Após estudos e tentativas, Baird consegue, em 1925, obter a imagem de um rosto humano, com a definição de 30 linhas – os televisores atuais têm 500 linhas de definição. 

No ano seguinte, o modelo foi apresentado para cientistas na Royal Institution. A qualidade foi criticada, mas o princípio da TV, aprovado. Assim como ocorreu com a fotografia e o cinema, por exemplos, paralelamente na mesma época outros inventores também estavam trabalhando em cima de um aparelho semelhantes. Por isso, na invenção da televisão, destaca-se ainda o russo-americano Vladimir K. Zworykin que desenvolveu a televisão eletrônica no ano de 1929. 

No Brasil a televisão vai chegar anos depois, na década de 1950, através do empresário Assis Chateaubriand. Ele foi o responsável por fundar a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi. Ele primeiro construiu uma emissora e só depois lembrou que era preciso importar aparelhos receptores para que os brasileiros tivessem a chance de ver TV. A PRF-3, TV Tupi de São Paulo, foi inaugurada em 18 de setembro de 1950, e a TV Tupi do Rio, em 20 de janeiro de 1951. 

A televisão chegou ao Brasil na década de 1950, através do empresário Assis Chateaubriand.  (Foto: Reprodução)

Em todo o mundo, a televisão só foi funcionar plenamente depois da Segunda Guerra. Passado os anos do conflito, os Estados Unidos, em 1960, conseguiu eleger seu presidente após um debate, em que um candidato usava terno claro (Richard Nixon) e o outro (John Kennedy), terno escuro. Nixon transpirava muito e Kennedy transmitia jovialidade e simpatia. Anos depois, o assassinato de Kennedy e a renúncia de Nixon foram os momentos mais marcantes da TV, em um contexto mundial. A partir daí, a televisão passou a mobilizar multidões em finais de Copa do Mundo, capítulos de novelas, coberturas jornalísticas e até permitiu que 600 milhões de pessoas pudessem acompanhar a chegada e os passos do homem na Lua.

Curiosidades do mundo da telinha 

- Até 1927 as transmissões se limitavam a figuras sem definição e imagens sem estabilidade. Quem primeiro conseguiu transmitir imagens estáveis de um lugar para outro foi o engenheiro norte-americano Philo Taylor Farnsworth, inventor do tubo dissector de imagens.

- A primeira transmissão de TV no Brasil ocorreu em 10 de setembro de 1950. Na época, apenas 200 aparelhos de televisão estavam instalados em São Paulo.

- A primeira transmissão da TV brasileira seria feita com três câmeras, mas uma delas quebrou pouco antes do evento. O diretor Jorge Edo então decidiu levar o cenário do estúdio em que ela estava para outro e deixar uma câmera móvel, a cargo do cinegrafista Walter Tasca. A ideia, felizmente, deu certo, e a transmissão transcorreu sem maiores problemas.

- Hebe Camargo foi convidada por Assis Chateabriand para cantar o "Hino da Televisão" na primeira transmissão, mas faltou e acabou substituída por Lolita Rodrigues. Há várias versões para o motivo de ela ter faltado - uma das hipóteses é que ela tenha ido acompanhar seu namorado da época a uma premiação.

- O primeiro telejornal brasileiro se chamava "Imagens do Dia" e ia ao ar pela TV Tupi, a primeira emissora fundada no país. A primeira novela diária brasileira, no entanto, foi transmitida pela TV Excelsior, em 1953. "25499 Ocupado" era o nome da trama.

- O primeiro país a adotar a cor em seus aparelhos foram os Estados Unidos em 1955. Seu sistema foi baseado numa série de experiências da National Television System Committee, de onde vem a sigla NTSC. Por ter sido o pioneiro, o sistema apresentou algumas deficiências. Apenas em março de 1972 foi realizada a primeira transmissão em cores da televisão brasileira.

- Sabe a "Terezinhaaa? Aquela que Chacrinha gritava e o auditório respondia: "Uuhuhuu"! Ela não era uma ex-namorada nem uma funcionária querida de Abelardo Barbosa. O chamado era um bordão adotado pelo apresentador para chamar um dos anunciantes no programa sem parecer um merchan descarado. A marca de água sanitária Clarinha faliu e ele trocou de nome. Ele também gostava de promover os concursos mais inusitados como "A Mais Rápida Datilógrafa" ou "O Cão com Mais Pulgas". Sabe quem levou o título de "A Criança Mais Bela do Brasil"? Angélica, em sua primeira aparição na TV.

01 de agosto de 2018

Streaming: Globoplay revela mudanças para enfrentar Netflix

Sobre a Netflix, o diretor-geral do Globoplay afirmou: "Não vamos concorrer direto com ninguém. Vamos oferecer coisas novas, coisas diferentes. Muito provavelmente será um complemento, será uma opção", afirmou.

 Na primeira apresentação pública do novo Globoplay, serviço de streaming do Grupo Globo que passou a dirigir no início do ano, o executivo João Mesquita adiantou algumas das atrações que devem estar em seu catálogo até o final do ano, para torná-lo um concorrente de maior peso da Netflix. Em vídeo com "conteúdos que estão fechados", ou seja, contratados, e outros que ainda "não estão necessariamente fechados", como alertou Mesquita, foram destacadas pela ordem as séries "The Handmaid's Tale", originalmente do streaming americano Hulu, "The Good Doctor", da ABC, e "The Gifted", da Fox.

Também a animação francesa "As Aventuras de Ladybug", do TF1, e séries infantis do próprio grupo, como "D. P. A. - Detetives do Prédio Azul", "Escola de Gênios" e "Valentins", produzidas pelo Gloob. O serviço terá ainda séries dramáticas exclusivas produzidas pela TV Globo, já divulgadas anteriormente, como "Ilha de Ferro", que deve ficar pronta no final deste ano, e "Assédio". O vídeo termina com o bordão "porque a melhor escolha é a sua, e o melhor conteúdo é o nosso".

"Estamos numa fase de muito trabalho de bastidor, quer em matéria de tecnologia, quer em matéria de negociações de conteúdo", disse Mesquita, durante o Pay-TV Fórum, evento do setor realizado na zona sul de São Paulo.

O Globoplay visa "um catálogo rico, com acordos com os grandes estúdios, mas também com muitas empresas menores, europeias e de outros lugares do mundo", porque "está mais que provado que o SVOD [streaming por assinatura] traz a possibilidade de fugir um pouco do padrão típico da TV americana". As mudanças estão sendo introduzidas aos poucos na plataforma, até agora mais voltada ao chamado "catch up" –quando o espectador assiste na plataforma ao programa que perdeu na TV. Parte das atrações já está acessível apenas aos assinantes, que pagam R$ 18,90 por mês, mas as novidades "mais substanciais" deverão entrar até dezembro.


Foto: Divulgação

Sobre a Netflix, o diretor-geral do Globoplay afirmou: "Não vamos concorrer direto com ninguém. Vamos oferecer coisas novas, coisas diferentes. Muito provavelmente será um complemento, será uma opção. Para muita gente, será a primeira opção. Para outros, a segunda". Ele argumenta que "o Brasil ainda tem muito para caminhar, hoje tem um único serviço que domina todo o segmento, mas há espaço para dois, três, fácil".

Entre as muitas indefinições sobre o novo Globoplay está o próprio nome. Vêm sendo testados "vários", em pesquisas que abrangem outras questões. Também há pendências quanto à relação com duas empresas de TV paga do grupo, Telecine e Globosat, que já desenvolveram serviços de streaming, só que vinculados às operadoras e de menor alcance.

"Como o grupo tem interesses específicos no Telecine, o Globoplay não vai, com certeza, estar nos mercados concorrendo por filmes", diz Mesquita. "Os grandes filmes, em primeira janela [primeira plataforma de exibição], estarão no Telecine."

Com a Globosat é um pouco diferente. "Ela desempenha um papel fundamental hoje na relação com o segmento de TV por assinatura, mas muitos conteúdos que estão acumulados, que não estão hoje em horário nenhum, estarão conosco", diz. De qualquer maneira, o objetivo do Grupo Globo é desenvolver novos segmentos consumidores, ou seja, "o foco é conteúdo novo e não espalhar os mesmos conteúdos em mais uma plataforma".

31 de julho de 2018

Londres sugere tributo para pagar regulação do Facebook

Os padrões de precisão e imparcialidade aos quais as empresas de tecnologia se atêm podem se basear nas regras reguladoras britânicas para TV e rádio, disseram os legisladores.

Empresas de tecnologia como o Facebook devem ser responsabilizadas por material "ofensivo e enganoso" em seus sites e pagar um imposto para que as redes possam ser reguladas, disseram parlamentares britânicos. Para eles, uma crise na democracia pode estar a caminho por causa do mau uso dos dados pessoais dos usuários. O Facebook tem se tornado cada vez mais o centro das atenções de uma investigação sobre notícias falsas na comissão de mídia do Parlamento, depois que dados de 87 milhões de usuários foram impropriamente acessados pela consultoria britânica Cambridge Analytica.

"Empresas como o Facebook tornaram mais fácil que desenvolvedores acessem dados de usuários e os usem para campanhas sem seu conhecimento ou consentimento", disse Damian Collins, presidente da Comissão Digital, de Cultura e de Mídia, em comunicado no domingo (29). "Eles devem ser responsabilizados, e passíveis de punição, pela maneira como o conteúdo nocivo e enganoso é compartilhado em seus sites."

O relatório do comitê também sugeriu um imposto sobre as empresas de tecnologia que poderia contribuir para um aumento do orçamento para a agência de direitos de informações do Reino Unido (ICO, na sigla em inglês) da mesma maneira que o setor bancário paga pela manutenção de seu órgão regulador, a Financial Conduct Authority (Autoridade de Conduta Financeira). No início deste mês, a ICO multou o Facebook pelo escândalo da Cambridge.

Os padrões de precisão e imparcialidade aos quais as empresas de tecnologia se atêm podem se basear nas regras reguladoras britânicas para TV e rádio, disseram os legisladores. As emissoras britânicas, públicas ou privadas, devem, em geral, aderir a regras estritas de equilíbrio político e precisão factual, supervisionadas por um regulador.

A TechUK, associação comercial de empresas de tecnologia que opera no Reino Unido, disse que seria desafiador mantê-las em um padrão mais alto do que os jornais ou políticos do país. "Determinar o que é e o que não é informação precisa nem sempre é simples, e tanto a mídia tradicional quanto os políticos eleitos podem ser fontes de notícias imprecisas ou falsas", afirmou o vice-diretor da TechUK, Antony Walker.

30 de julho de 2018

Administradora de grupo de WhatsApp é condenada por permitir bullying

Vítima foi xingada de "bicha", "gay", "garoto especial" por membros do grupo.

A Justiça condenou uma mulher de 19 anos a pagar R$ 3.000 por danos morais a um jovem vítima de bullying em um grupo de WhatsApp. Tudo começou em 2014, em Jaboticabal, região metropolitana de Ribeirão Preto (313 km de SP), quando a garota tinha 15 anos e criou um grupo no aplicativo com o nome "jogo na casa da Gigi", convidando colegas da escola para verem os jogos da Copa de 2014 em sua casa.

Passado o evento, o grupo continuou ativo e membros começaram a ofender a sexualidade da vítima, chamando-o de "bicha", "gay", "garoto especial". Apesar da ré não ter feito ofensa direta, a decisão dada em junho alega que ela se divertiu com a situação e, como criadora e administradora do grupo, poderia ter removido quem proferiu as ofensas.

Neide Noffs, professora e psicopedagoga da PUC-SP e o advogado Ariel Castro Alves, especialista em direitos da criança e adolescente, disseram que uma condenação de bullying por WhatsApp é inédita para eles e abre precedente e jurisprudência. "Ainda mais por ser adolescente na época dos fatos, pode ser um precedente importante para combater o bullying", disse Alves.

"O bullying é uma situação que está no cotidiano, mas precisa ser abolida. Essa punição tem a ver com referência para outras pessoas. É parecido com criar notícias falsas, permitir que elas se propaguem. O bullying, no fundo, é uma notícia falsa. Se não for, é sigilosa e outras pessoas se apropriam para ofender", explicou Neide.

Para ela, qualquer pessoa do grupo poderia intervir. "O pagamento é simbólico para servir de exemplo, mas deveria haver uma mediação entre o menino e ela."

O advogado Ariel Castro Alves, especialista em direitos da criança e adolescente, explica que compete aos pais representar judicial e extrajudicialmente os filhos até os 16 anos e, depois, os pais os acompanham até a maioridade. "A demora é comum nesses processos", disse.

Alves também diz que na área civil, quanto às reparações de danos, existe a "culpa in vigilando" (culpa na fiscalização) da ré que criou o grupo e não o controlou, e também se aplica aos pais o" erro in vigilando" (erro ao vigiar) e eles respondem pelos danos cíveis causados pelos filhos até completarem 18 anos. Na área criminal, não se aplica punição a quem cometeu ato infracional antes dos 18 anos se quando o processo for concluído e a pessoa tiver 21 anos ou mais.

OUTRO LADO

O advogado da vítima, Helder Moutinho Pereira, disse que ainda faltam cinco pessoas que foram membros do grupo para serem julgadas. "Entendemos que a condenação foi correta. A ré se omitiu quando poderia ter fechado o grupo e fez colocações com emojis. Queremos dar luz a um assunto de importância como é esse".

O advogado da ré, Marcos Rogério dos Santos, disse que ele e a acusada optaram por não recorrer na decisão. "Não concordamos, mas vamos respeitar", disse.

Grupo de Facebook, Rededots vai ter shopping virtual para empreendedores

. A rede nasceu há três anos como grupo no Facebook para troca de ajuda entre empreendedores e para divulgação de seus produtos e serviços.

Depois de acumular 245 mil participantes, a Rededots virou empresa e inaugura nesta segunda-feira (30) um marketplace, site que funcionará como shopping virtual para empreendedores. A rede nasceu há três anos como grupo no Facebook para troca de ajuda entre empreendedores e para divulgação de seus produtos e serviços. A entrada na rede depende de convites de outro participante, o que não foi empecilho para que mantivesse um crescimento contínuo desde que foi criada.

Ela também criou sua cultura e dinâmica própria. Para conseguir apoio e fazer negócios, não basta entrar no grupo e sair anunciando qualquer coisa. A rede tem regras para valorizar relacionamentos entre membros e as histórias cada um. Antes de vender qualquer coisa, é preciso contar quem é, o que faz, o que gostaria ou o que tem a oferecer e o que há de especial nisso tudo.

Para manter esse espírito, o site, que entra no ar nesta segunda, terá uma linha do tempo semelhante a do Facebook para que os membros possam contar o que precisam e como podem ajudar os outros. As 1.500 lojas que já estarão no ar nesta segunda também terão em suas páginas textos explicando quem são seus responsáveis e de onde vêm os itens que eles comercializam.

Kuky Bailly, 50, idealizadora da rede, conta que o grupo no Facebook recebe cerca de 1.000 postagens por dia. Todas são avaliadas antes de se tornarem públicas -a rede conta com 15 moderadores voluntários que dão dicas para que elas se adequem ao modo de interagir do grupo.

Bailly explica que também será feita uma seleção dos produtos que são adequados para o site. São valorizadas criações autorais e não são aceitos itens produzidos em massa. "Essa é a alma da rede, permitir que as pessoas se relacionem com pessoas, não com marcas e produtos."

A Rededots ficará com 10% do valor das vendas. Em caso de páginas de serviços, será cobrada mensalidade de R$ 9,90 dos cadastrados. Bailly diz que o aumento do número de participantes do grupo fez com que ferramentas que não estão disponíveis na rede social se tornassem necessárias para o funcionamento adequado dele. "A gente começou a sentir as dores do crescimento. No Facebook, não temos ferramentas para fazer transações de maneira segura, por exemplo."

Foto: Reprodução/

CRISE

Segundo ela, grande parte do grupo é formada por pessoas que perderam seus empregos durante a crise e precisaram buscar novas formas de se sustentar. Ela própria criou a rede para incentivar a troca de ajuda entre seus amigos desempregados após ser demitida de empresa do ramo de cosméticos em 2015. A demissão também está na história da publicitária Fernanda Summa, 41, que em 2016 foi desligada de empresa do ramo de eletrônicos. Pouco depois, ainda sem uma ideia do que faria em seguida, foi aconselhada por amiga a entrar no grupo, que tinha cerca de 15 mil participantes.

Ali, inspirada pelos projetos de outros empreendedores, passou a vender alimentos orgânicos pela internet. Fernanda conta que se beneficiou da rede tanto para encontrar fornecedores, incluindo designer, contador e transportadora, como também para vender seus produtos. Segundo ela, o marketplace permitirá ampliar a divulgação de sua marca, a [EU] Orgânico, para chegar a um público ainda maior.

"Meu negócio está em momento em que ele já se paga, está estruturado. Agora é hora de crescer, aumentar a divulgação, investir em mídias sociais."

A Rededots também é o principal canal de vendas para Gisela Heivenreder Cury, 57, coordenadora da marca Sacola Tropical e criadora da ONG Instituto Rampa. Pela rede, ela vende sacolas, necessaires, jogos americanos e bolsas térmicas desenvolvidas por costureiras de bairros periféricos de São Paulo, como Paraisópolis, Campo Limpo e Capão Redondo. "As pessoas não querem só adquirir um produto, querem algo com valor agregado, que esteja ajudando famílias", diz.

Cury diz acreditar que o novo site para vender produtos irá facilitar seu dia a dia. "Hoje, as vendas acontecem via WhatsApp, Instagram, Facebook. Centralizar as coisas nesse marketplace vai me facilitar a vida."

INVESTIMENTOS

Bailly conta que houve contratempos para viabilizar seu projeto. Em 2017, ela fez uma campanha de financiamento coletivo para tentar levantar R$ 500 mil para colocá-lo em produção, mas só conseguiu 30% do valor. A alternativa foi usar o dinheiro que recebeu para contratar uma consultoria e montar um plano de negócios. Com a ideia de como tornar o grupo um negócio mais estruturada, ela conseguiu atrair investidores que colocaram R$ 800 mil no projeto, conta. Segundo ela, será preciso levantar mais recursos em breve.

A Rededots está entre os 12 negócios da América Latina que disputarão a premiação do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) de inovação inclusiva. No continente, o desafio recebeu 720 inscrições de 16 países. Ela concorre com outras duas empresas na categoria de serviços de inclusão financeira. A apresentação final dos projetos para banca avaliadora será na próxima segunda-feira (6).

28 de julho de 2018

Golpe aplicado via WhatsApp promete internet grátis e espalha vírus

A dica primária é não clicar em promoções fáceis do WhatsApp e desconfiar de alertas de segurança que exigem o download de programas no celular.

 A startup de segurança PSafe alertou na sexta-feira (27) para um novo golpe via WhatsApp. Um anúncio oferece até 20 GB de internet gratuita por até 60 dias para usuários de qualquer operadora de telefonia móvel no Brasil. Ao clicar no link, o usuário é direcionado para uma página falsa, que apresenta um número fictício de quantidade de pacotes grátis disponíveis para a escolha.

O site faz perguntas como "Quantos dias de internet gratuita você deseja ativar?" e "Quantos GB você gostaria de receber de sua operadora?". Ao finalizar o questionário, a pessoa é informada de que precisa compartilhar o conteúdo com três amigos e grupos de WhatsApp.

Depois, uma página aparece no celular da vítima e informa supostos problemas no celular. Para resolvê-los, a pessoa precisa baixar aplicativos, que são maliciosos e instalam vírus nos dispositivos. Pouco antes da Copa, um golpe semelhante prometia uma camisa gratuita da seleção. Também disseminada pelo WhatsApp, a fraude consistia em induzir as vítimas ao compartilhamento de um link no aplicativo mensageiro.

Segundo alerta da Kaspersky Lab na época, o golpe era diferente para Android e iOS. No sistema do Google, surgia uma página falsa afirmando que o celular estava infectado por vírus e que, por isso, era preciso instalar um aplicativo. Essa prática é conhecida por phishing e tenta lançar uma isca a internautas desavisados. O WhatsApp é um aplicativo bastante mirado pelo cibercrime porque os usuários espalham vírus com facilidade ao compartilhar mensagens e porque é muito popular no país.

Para testar a veracidade da página, a PSafe sugere que os usuários testem o link no site do dfmdr lab (https://www.psafe.com/dfndr-lab/pt-br), laboratório da empresa especializado em cibersegurança, que detecta endereços eletrônicos maliciosos.

A dica primária é não clicar em promoções fáceis do WhatsApp e desconfiar de alertas de segurança que exigem o download de programas no celular.

26 de julho de 2018

Facebook perde valor de mercado desde divulgação de balanço

Em um dia, a empresa já perdeu US$ 119 bilhões (cerca de R$ 443,7 bilhões) em valor de mercado.

As ações do Facebook recuam mais de 18% nesta quinta-feira (26), refletindo o balanço negativo da empresa divulgado na véspera, com receita abaixo das projeções e desaceleração no crescimento da rede social.

Em um dia, a empresa já perdeu US$ 119 bilhões (cerca de R$ 443,7 bilhões) em valor de mercado.

No after market (negociação após o fechamento do pregão tradicional) desta quarta (25), os papéis do Facebook caíram até 24%. Em duas horas, a gigante da tecnologia perdeu cerca de US$ 150 bilhões (R$ 555 bilhões) em valor.

No primeiro trimestre completo depois do escândalo da Cambridge Analytica, a receita total do Facebook cresceu 43%, para US$ 13,2 bilhões (R$ 47,5 bilhões), abaixo da projeção de consenso de US$ 13,4 bilhões (R$ 49,6 bilhões), no período encerrado em junho. 

O ritmo de crescimento na base de usuários também se desacelerou ligeiramente. Havia sido de 13% no segundo trimestre de 2017 e agora caiu para 11%. O número de usuários da maior rede social do planeta avançou para 2,2 bilhões por mês e 1,5 bilhão por dia.

Em comunicado, Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo do Facebook, disse que a comunidade da empresa e seus negócios crescem rapidamente. "Temos o compromisso de investir para manter as pessoas seguras e protegidas e para continuar a criar maneiras novas e significativas de  ajudar as pessoas a se conectarem."

A rede social tenta sobreviver às tempestades políticas criadas em torno de suas práticas de proteção da privacidade de dados de usuários e do uso de sua rede para desinformação, sem gerar rejeição pelos usuários ou anunciantes.

Os investidores vêm acompanhando com atenção se a campanha #deletefacebook afetou o crescimento da base de usuários da companhia, depois das revelações de um grande vazamento de dados para a Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha de Donald Trump em 2016.

A consultoria obteve acesso a dados de 86 milhões de usuários da rede social sem o consentimento deles. Zuckerberg foi ao Congresso dos EUA responder a perguntas sobre o escândalo e passou a ser alvo de pressão de autoridades regulatórias em vários países.

As margens de lucro foram prejudicadas pelo aumento nos gastos, que inclui a contratação de milhares de novos moderadores para fiscalizar o site em busca de notícias falsas e de mensagens de ódio.

25 de julho de 2018

Pesquisadores descobrem lago de água líquida em Marte

A descoberta foi feita com dados colhidos pela sonda europeia Mars Express.

Pesquisadores europeus encontraram evidências de um lago com água em estado líquido sob a calota polar sul de Marte.

Com 20 km de largura, o local é o equivalente marciano dos lagos que existem sob o gelo da Antártida, na Terra. Ao menos por aqui, esses ambientes -às vezes selados do contato com a atmosfera por muitos milhões de anos- estão cheios de formas de vida. A pergunta atual é se ocorre o mesmo por lá.

A descoberta foi feita com dados colhidos pela sonda europeia Mars Express. Um dos instrumentos embarcados nela é conhecido pela sigla Marsis. Trata-se de um sofisticado radar projetado por italianos e americanos, capaz de sondar o que há no subsolo do planeta vermelho.

A técnica é bastante conhecida aqui na Terra, e pesquisadores fazem todo tipo de observação com satélites para descobrir coisas no subsolo -desde lagos sob a calota polar antártica até petróleo.

Pesquisadores descobrem lago de água líquida em Marte. (Foto: Reprodução)

Não é difícil entender como funciona. O satélite em órbita manda pulsos eletromagnéticos (em frequências de rádio) na direção do solo. A superfície, naturalmente, reflete boa parte deles de volta para o espaço, onde são captados pelo próprio satélite que os originou. O tempo de viagem (ida e volta) do pulso indica exatamente a distância entre o satélite e o chão.

Contudo, nem tudo é refletido da superfície. Boa parte do pulso original consegue penetrar mais profundamente, e vai ser refletida somente por camadas mais profundas do subsolo. O tempo que cada um dos ecos leva para voltar até o satélite, além de sua intensidade, revela a estrutura nos primeiros quilômetros de profundidade do planeta. É como obter uma radiografia de uma faixa de terreno.

LONGA BUSCA

A Mars Express está em órbita de Marte desde 2003, mas o Marsis, que para funcionar exigia a abertura de duas antenas de 20 metros de comprimento e uma de 7 metros, só começou a operar em 2005.

Os dados que permitiram a descoberta foram colhidos pela espaçonave entre maio de 2012 e dezembro de 2015 -um total de 29 "perfis" de radar de uma região de cerca de 200 km de extensão em Planum Australe (o "plano austral").

Numa área centrada nas coordenadas 193° Leste, 81° Sul -a apenas 9º do pólo geográfico Sul marciano-, o Marsis detectou um reflexo brilhante do radar vindo de uma profundidade de cerca de 1,5 km. Um sinal bastante familiar a quem já fez sondagens desse tipo na Antártida -um lago sob uma espessa camada de gelo, em plena calota polar Sul marciana.

A julgar pelos dados, o corpo d'água parecia ter cerca de 20 km de largura e pelo menos 1 metro de espessura (a profundidade é incerta, uma vez que o radar não consegue ir muito além, pois a água absorve o sinal todo).

Essa detecção era o primeiro passo para mostrar que, a exemplo da Terra, Marte também tem lagos subglaciais. Mas não seria o último.

ANALISANDO AS POSSIBILIDADES

O que parece óbvio na Terra deve ser tratado como duvidoso em Marte, por uma razão muito simples: não é tão fácil enviar alguém até lá (seja humano ou robô) para confirmar cada descoberta. E, bem ou mal, estamos falando de outro planeta, de forma que os cientistas que se arriscam a proclamar descobertas precisam avaliar à exaustão os dados e suas conclusões para se certificarem de que não há explicações alternativas escapando por entre os dedos.

Boa parte do trabalho da equipe liderada por Roberto Orosei, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, em Bolonha, consistiu em demonstrar que provavelmente o sinal que se obteve em Marte é resultado do mesmo fenômeno que produz o mesmo sinal na Terra.

"Esta condição na Terra acontece somente quando você observa água subglacial como na Antártida, sobre lugares como o lago Vostok, e nós passamos um longo tempo debatendo se esse também era o caso em Marte", conta Orosei. "Foi uma longa investigação, que exigiu muito esforço, mas depois de vários anos pudemos demonstrar que esse era o caso."

Os detalhes técnicos saem na edição desta semana da revista científica americana Science e envolvem explicar como seria possível essa água estar em estado líquido em Marte. O que não é nada fácil.

O principal problema é que as regiões polares marcianas são ainda mais frias que as terrestres, de forma que é inviável que a água marciana detectada esteja acima de zero grau Celsius. Deve estar muito mais gelada que isso.

Uma pista para a resposta está em nossos oceanos. Neles, a presença de sais diluídos na água quebra um galho, e a água não congela a 0° C, e sim a -2° C. Mas o caso de Marte teria de ser bem mais extremo que isso.

"Os dados do radar nos dizem que esta água deve conter uma grande quantidade de sais", explica Orosei. "Porque o gelo acima dela é muito transparente [ao radar], e isso não seria possível se ele estivesse muito quente, muito perto do ponto de derretimento."

Os pesquisadores estimam que a água em contato com o gelo deve estar a pelo menos -10° C e possivelmente bem mais fria. Orosei fala em uns -30° C. E pode ser ainda pior: o limite extremo para a redução do ponto de congelamento da água pela dissolução de sais é de cerca de -60° C.

A aposta razoável é que haja uma grande presença de percloratos (substâncias já detectadas em solo na região polar sul de Marte, pela sonda Phoenix) diluídos na água, reduzindo seu ponto de congelamento de maneira extrema.

"Este certamente não é um ambiente muito confortável para a vida", diz o pesquisador italiano.

OU É?

"O problema nessa história é o perclorato", diz Douglas Galante, astrobiólogo do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), em Campinas, que não participou do estudo europeu. "Água com perclorato não parece legal para microrganismos terrestres. Ou, pelo menos, era o que achávamos. Mas essa visão parece estar mudando."

O pesquisador brasileiro cita dois trabalhos científicos recentes que relatam a descoberta de algumas espécies de microrganismos capazes de lidar com concentrações de perclorato compatíveis com as encontradas em Marte. "Então temos exemplos aqui na Terra de extremófilos percloratorresistentes, que poderiam servir como modelo de vida que poderia estar presente nesse lago subglacial marciano", completa Galante.

Ou seja, a resposta provisória que temos sobre se poderia ou não haver vida em um ambiente assim é um intrigante "talvez".

Seja como for, a descoberta é festejada pela comunidade dos astrobiólogos, ansiosos que estão por encontrar mais potenciais habitats espalhados pelo Sistema Solar e além.

"Encontrar um bolsão de água líquida próximo à superfície é uma excelente notícia para o programa de busca de vida em Marte", arremata o pesquisador brasileiro.

Infelizmente, ainda está além das tecnologias atuais das agências espaciais enviar uma sonda capaz de perfurar 1,5 km de gelo para explorar um lago marciano como esse. Mas o futuro transborda possibilidades.

Facebook retira do ar páginas usadas pelo MBL para divulgar fake news

O MBL (Movimento Brasil Livre) divulgou nota afirmando que coordenadores do movimento tiveram suas contas removidas.

Uma rede com 196 páginas e 87 perfis no Facebook foi retirada do ar nesta quarta-feira (25) no Brasil por, segundo a empresa, violar políticas de autenticidade da rede social. O MBL (Movimento Brasil Livre) divulgou nota afirmando que coordenadores do movimento tiveram suas contas removidas e classificou o caso como "arbitrário, irônico, mas não surpreendente".

Segundo o Facebook, a medida foi tomada após rigorosa investigação. As políticas de autenticidade do Facebook estabelecem que a rede não pode ser utilizada para disseminação de spams e notícias inverídicas nem utilizar identidades falsas.

"Essas páginas e perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação", afirmou a empresa por meio de nota.

O MBL afirma que muitas das contas removidas tinham dados biográficos, como endereço profissional, telefones pessoais, o que torna "absurda a acusação de que se tratavam de contas falsas".

"Não bastasse isso, o Facebook também desativou algumas páginas de alcance nacional, as quais, somando meio milhão de seguidores, entre informar e divulgar ideias liberais e conservadoras -o que não é crime- também exerciam o importante papel de denunciar as "fake news" da grande mídia brasileira. O caso é, pois completamente arbitrário, irônico, mas não surpreendente", afirma.

De acordo com Rubens Nunes, advogado do movimento, foram removidos os perfis dos coordenadores Renan Santos e Renato Batista, além de uma página do MBL de Goiás. Ele diz que não houve nenhuma notificação e que o Facebook não apontou qual conteúdo violava as regras da rede.

"É uma ação coordenada de uma empresa brasileira que quer interferir no debate das eleições. Foi uma ação feita na surdina para calar pessoas que têm opinião política divergente da de Mark Zuckerberg", afirmou.

Além do MBL, a página do movimento "Brasil 200", do empresário e dono da Riachuello, Flávio Rocha, também foi retirada do ar.

"É inaceitável a retirada da página do Brasil 200 do ar pelo Fecebook [sic]. Uma violência! A que pretexto? Conclamo a bancado [sic] do Brasil 200 no Congresso Nacional a tomar posição sobre essa arbitrariedade. Nem no tempo da ditadura se verificava tamanho absurdo", afirmou Rocha em rede social.

O advogado do MBL afirma que entrará com uma ação cautelar na Justiça ainda nesta quarta-feira para reativar as contas na rede social. Segundo ele, o conteúdo já vinha sendo preparado após outras páginas ligadas a grupos de direita serem removidas pelo Facebook.

Em março, uma página ligada ao movimento já havia sido removida da rede social.

24 de julho de 2018

20 de julho de 2018

Jovens pais brasileiros deixariam robôs cuidar da saúde dos filhos

O estudo fez 2 mil entrevistas em cinco países (Estados Unidos, Reino Unido, Índia, China e Brasil). Foram ouvidos pais e mães entre 20 e 36 anos de idade com filhos de até oito anos.

O uso da inteligência artificial no cotidiano, até com o cuidado da saúde dos filhos, é bem vista pela maioria dos pais nascidos nas décadas de 1980 e 1990, chamada geração millenial. Uma pesquisa feita pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE) mostrou que 31% dos pais e mães brasileiros confiariam totalmente no uso desse tipo de tecnologia para decisões médicas importantes relacionadas aos filhos, enquanto 51% disseram ter confiança moderada.

O estudo fez 2 mil entrevistas em cinco países (Estados Unidos, Reino Unido, Índia, China e Brasil). Foram ouvidos pais e mães entre 20 e 36 anos de idade com filhos de até oito anos. O IEEE é uma associação dedicada ao progresso da ciência, fundada em 1884 e que agrega profissionais e pesquisadores de diversas áreas.

A maior parte dos brasileiros (60%) disse que deixariam os filhos serem submetidos a cirurgias por robôs operados com inteligência artificial. O índice é maior do que o dos Estados Unidos e do Reino Unido, onde 45% dos pais ficaram confortáveis com a possibilidade. Na Índia, entretanto, o índice sobre para 78% e na China chega a 82%. Os resultados mostram, segundo Luis Lamb, um dos membros do IEEE, que as pessoas estão compreendendo os avanços na área da inteligência artificial como algo que vai se incorporar ao seu modo de vida. “A adesão à tecnologia está se consolidando na sociedade. As pessoas já têm uma ideia que a tecnologia é algo que vai permear a vida delas, permear o futuro dos seus filhos”, enfatizou Lamb, que também é professor na Universidade Federal do Estado do Rio Grande do Sul.

“A adoção de conceitos de ciência e tecnologia pela população, o entendimento das pessoas é fundamental para que essa tecnologia seja adotada. Caso contrário, ela não tem sucesso”, acrescenta o professor. “A gente pode dar o exemplo da urna eletrônica no Brasil. A população apoiou a ideia, a sociedade faz uso. Essa é que a importância”.

Robô Da Vinci auxilia em cirurgias no Inca. Foto: Divulgação/Inca/Direitos Reservados

Segurança e tarefas domésticas

Mãe de Arthur, um menino de um ano de idade, a publicitária Karina Nascimento, de 27 anos, acredita que as máquinas podem, se bem programadas, evitar falhas cometidas por seres humanos. “Meu sogro faleceu por erro médico. Um humano analisando um exame foi capaz de errar”, compara.

Sobre os possíveis usos da inteligência artificial na vida diária, Karina acredita que a tecnologia possa ser empregada para melhorar a sensação de segurança da família. “Segurança residencial, talvez, morando em casa. Algum tipo de tecnologia de exames, mais relacionada à medicina. Transporte também, né?”, enumera.

“Aqui no Brasil a gente está muito preocupado com segurança. Essa é uma área onde essa inteligência artificial deve atuar muito”, corrobora o cineasta Fábio Rodrigo, de 35 anos e pai de Vinicius, de 4 anos. “Acredito que para a nossa realidade do Brasil as coisas que mais vão se adaptar são as coisas de casa. Pessoas que não tem tanto tempo para estar em casa podem cuidar de certos aspectos à distância”, acrescenta.

Acidentes de percurso

Na atualidade, os experimentos mais conhecidos de aproximação da inteligência artificial com a vida cotidiana têm sido relacionados ao desenvolvimento de carros conduzidos por máquinas. Em março deste ano, um modelo em desenvolvimento pela Uber atropelou e acabou matando uma mulher no estado do Arizona, nos Estados Unidos.

Luis Lamb lembra que historicamente a introdução de novas tecnologias tem o percurso marcado por alguns acidentes. “Quando foram introduzidos os carros no início do século 20 havia muitos acidentes e havia uma resistência à introdução dos carros”, comentou.

Porém, ele acredita que nos dias de hoje os cuidados são maiores do que naquela época. “Mesmo que haja acidentes, acredito que serão poucos pelas precauções de segurança humana que se toma hoje em dia, justamente porque existe um grande interesse que essa tecnologia tenha sucesso”, enfatizou.

Avanços que já chegaram

No Brasil, os carros ainda não estão sendo dirigidos por robôs, mas algumas novidades estão sendo colocadas à disposição para facilitar a vida dos pais. Uma empresa que trabalha com um aplicativo de táxis só com motoristas mulheres criou um serviço especial para crianças desacompanhadas. Os pais podem acompanhar os filhos por todo o trajeto por vídeo ao vivo.

O serviço atende uma demanda que já existia, explica Charles Calfat, do FemiTaxi. “Conversando com as motoristas, elas falavam que muitos pais as procuravam por serem mulheres”, conta. No entanto, as mães ficavam apreensivas por deixar as crianças sozinha. “Elas sempre ligam quando a gente está dirigindo para falar com as crianças, atrapalha. Também tiram foto da placa. E mesmo assim assim os pais sempre têm um pouco de medo”, disse, contando os relatos das motoristas.

Nesse contexto, o acompanhamento em tempo real foi fundamental para possibilitar a implementação do serviço. “O único problema é que as crianças comem todas as balinhas”, brinca Calfat.

12 de julho de 2018

Lei de proteção de dados vai mudar cotidiano de cidadãos e empresas

O texto define dados pessoais como informações que podem identificar alguém (não apenas um nome, mas uma idade que, cruzada com um endereço, possa revelar que se trata de determinada pessoa)

A nova lei geral de proteção de dados pessoais, aprovada terça-feira (10) pelo Senado, colocou o Brasil ao lado de dezenas de países que já têm legislação sobre o tema, como as nações europeias e boa parte da América do Sul. Ao estabelecer direitos e responsabilidades, a lei vai trazer também impactos no cotidiano dos cidadãos, de empresas e dos órgãos públicos. O texto ainda precisa ser sancionado pelo presidente Michel Temer, e as novas regras só vão entrar em vigor daqui a um ano e meio.

O texto define dados pessoais como informações que podem identificar alguém (não apenas um nome, mas uma idade que, cruzada com um endereço, possa revelar que se trata de determinada pessoa). Além disso, disciplina a forma como as informações são coletadas e tratadas em qualquer situação, especialmente em meios digitais. Estão cobertas situações como cadastros ou textos e fotos publicados em redes sociais.

A nova regra também cria o conceito de dados sensíveis, informações sobre origem racial ou étnica, convicções religiosas, opiniões políticas, saúde ou vida sexual. Registros como esses passam a ter nível maior de proteção, para evitar formas de discriminação. Esse tipo de característica não poderá ser considerado, por exemplo, para direcionamento de anúncios publicitários sem que haja um consentimento específico e destacado do titular. Já registros médicos não poderão ser comercializados.

Se sancionada, a lei valerá para atividades e pessoas em território nacional, mas também para coletas feitas fora, desde que estejam relacionadas a bens ou serviços ofertados a brasileiros. Um site que vende pacotes de viagens com conteúdo em português e ofertas para brasileiros teria as mesmas responsabilidades de uma página sediada no país.

Finalidade específica e consentimento

O uso de dados não poderá ser indiscriminado, mas para uma finalidade determinada. Um prédio que solicite nome dos pais de alguém para acesso ao local, por exemplo, pode ser questionado. Os “testes de personalidade”, como o aplicado no Facebook que originou o vazamento de dados de 87 milhões de pessoas, usados pela empesa Cambridge Analytica, inclusive para influenciar eleições, são outro exemplo.

“As empresas vão ter de justificar o tratamento de dados o que pode fazer com que, em alguns casos, eles não precisem ser usados. Isso tende a racionalizar a coleta e o uso de dados, seja porque a lei pode proibir ou porque ele não vai valer a pena por gerar risco pouco razoável”, comenta Danilo Doneda, especialista em proteção de dados e consultor que participou ativamente do processo de discussão da lei.

Além de uma finalidade específica, a coleta só pode ocorrer caso preencha requisitos específicos, especialmente mediante autorização do titular (o chamado consentimento). Ou seja, o pedido de permissão (por exemplo, ao baixar aplicativos) passa a ser a regra, não um favor das empresas. “Por um lado, caminhamos, portanto, no sentido de minimizar a produção de dados que podem ser considerados excessivos para a prestação dos serviços. O que, diante dos inúmeros incidentes de vazamento de dados que vemos a cada semana, é também uma forma de segurança”, avalia Joana Varon, da organização de direitos digitais Coding Rights.

Se o titular consentir ao aceitar as “regras” em redes sociais, os chamados “termos e condições” usados por plataformas como Facebook, Twitter e Google, as empresas passam a ter o direito de tratar os dados (respeitada a finalidade específica), desde que não violem a lei. Contudo, a lei lista uma série de responsabilidades. Entre elas estão a garantia da segurança dos dados e a elaboração de relatórios de impacto à proteção de dados, se solicitados pela autoridade regulatória.

A norma permite a reutilização dos dados por empresas ou órgãos públicos, em caso de "legítimo interesse” desses. Estabelece, no entanto, que esse reúso só pode ocorrer em uma situação concreta, em serviços que beneficiem o titular  e com dados “estritamente necessários”, respeitando os direitos dele.

“Não é possível prever todas as situações, especialmente quando se trata de tecnologia. Por isso, é fundamental a previsão de uma norma fluida como o legítimo interesse, capaz de se adaptar às evoluções tecnológicas. Esse conceito indeterminado é justamente o que impedirá que a lei se torne obsoleta diante do usos novos dos dados, inimagináveis hoje”, observa Fabiano Barreto, especialista em política e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


Foto: Reprodução

Direitos

De outro lado, o titular ganhou uma série de direitos. Ele poderá, por exemplo, solicitar os dados que a empresa tem sobre ele, a quem foram repassados (em situações como a de reutilização por “legítimo interesse”) e para qual finalidade. Caso os registros estejam incorretos, poderá cobrar a correção. Em determinados casos, o titular terá o direito de se opor a um tratamento.

O titular terá ainda direito à portabilidade de suas informações, assim como ocorre com número de telefone. A autoridade regulatória, se criada, deve definir no futuro como isso será feito. Mas a possibilidade de levar os dados consigo é importante para que uma pessoa possa trocar de aplicativo sem perder seus contatos, fotos ou publicações.

Outra garantia importante é a relativa à segurança das informações. Os casos de vazamento têm se multiplicado pelo mundo, atingindo inclusive grandes empresas, como a Uber. Além de assegurar a integridade dos dados e sua proteção contra vazamentos e roubos, as empresas são obrigadas a informar ao titular se houve um incidente de segurança. No caso envolvendo o Facebook e a empresa Cambridge Analytica, por exemplo, a empresa norte-americana teve conhecimento há anos do repasse maciço de informações, mas foi comunicar aos afetados somente meses atrás.

A lei entra em uma seara importante, na decisão por processos automatizados (como as notas de crédito). “Há também o direito à revisão de decisões tomadas com base no tratamento automatizado de dados pessoais que definam o perfil pessoal, de consumo ou de crédito. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados também terá o papel de realizar auditorias para verificação de possíveis aspectos discriminatórios nesse tipo de tratamento”, destaca Rafael Zanatta, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

O texto listou garantias específicas para crianças e pessoas com idade até 12 anos. A coleta fica sujeita a uma série de restrições, deve ser informada de maneira acessível para esse público e fica condicionada à autorização de pelo menos um dos pais. “Para as famílias, isso significa ter, finalmente, uma forma de garantir que não estão usando dados de seus filhos de forma não autorizada. Isso é fundamental. Afinal, as crianças estão em um processo peculiar de desenvolvimento e, por isso, são mais vulneráveis”, afirma Pedro Hartung, do Instituto Alana, organização voltada à defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Negócios

Ao estabelecer garantias e responsabilidades às empresas, a lei vai ter impacto importante nos negócios realizados no Brasil e com parceiras estrangeiras. A primeira mudança é que, com sua aprovação, o país passa a atender a exigências de outros países e regiões, como a União Europeia. Sem isso, as empresas nativas poderiam ter dificuldades para fechar negócios.

Na avaliação do coordenador da área de direito digital da firma Kasznar Leonardos Advogados, Pedro Vilhena, as empresas deverão passar por um processo de adaptação. Elas tendem a racionalizar a coleta, uma vez que passarão a estar suscetíveis a sanções por parte da autoridade regulatória. De acordo com o texto, as penalidades poderão chegar a R$ 50 milhões.

“O valor de R$ 50 milhões é considerável para algumas, mas, para outras, é irrisório. A principal sanção é a proibição de tratamento de dados. Algumas empresas podem ter que deixar de operar porque não cumpriram obrigações da lei”, destaca Vilhena.

Autoridade regulatória

O detalhamento de boa parte dessas regras, direitos e responsabilidades depende da autoridade regulatória prevista no texto. Ela poderá definir parâmetros (como as exigências mínimas de segurança), realizar auditorias, solicitar relatórios de impacto à proteção de dados e será a responsável por fiscalizar e definir possíveis punições.

Contudo, sua criação vem sendo alvo de polêmica. Segundo o professor de direito da Universidade Mackenzie e fundador da organização Data Privacy Brasil Renato Leite, há questionamentos no Executivo tanto de caráter jurídico quanto político e orçamentário. Mas a não criação da autoridade, alerta o especialista, pode afetar duramente a efetividade da lei. “Termos a regra sem uma autoridade que faça a sua aplicação é abrir espaço para uma grande chance de insucesso. É o risco de ser uma lei que na prática ´não pegue´”.

11 de julho de 2018

Nova Lei de Informática deve liberar bilhões para inovação

As 564 empresas que se beneficiam da lei investem cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano

Após recusar, com até uma década de demora, grande parte dos investimentos em inovação obrigatórios feitos nos últimos 10 anos pelas empresas que recebem benefícios fiscais da Lei da Informática, o governo criou novas regras para permitir que as companhias reapliquem esses recursos em pesquisas. Não há cálculos oficiais sobre a quantia que será reinvestida, mas especialistas e executivos estimam que a soma dos valores rejeitados pode ir de R$ 1 bilhão a R$ 5 bilhões.

A mudança foi feita a partir de medida provisória sancionada em junho. A Lei de Informática, de 1991, permite que empresas que produzem hardwares no Brasil tenham desconto em IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Para isso, devem investir 5% de seu faturamento obtido com os itens incentivados em inovação.

As 564 empresas que se beneficiam da lei investem cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano. Para ter a redução no imposto, as empresas realizam seus investimentos e enviam relatórios indicando onde foram feitas as aplicações de recursos. Os documentos são avaliados posteriormente.

Quando o investimento da empresa é glosado, ou seja, rejeitado por não cumprir os requisitos exigidos, valor equivalente deve ser depositado com multa e juros (de 12% ao ano, mais a TJLP, atualmente em 6,6%) no FNDCT, fundo gerido pela Finep. Originalmente com a função de financiar pesquisa e desenvolvimento, o fundo vem sendo sistematicamente contingenciado para melhorar o resultado das contas públicas.


Foto: Reprodução

A demora de até dez anos do governo para avaliar os investimentos das empresas entre 2006 e 2014 terminou em muitas glosas do governo e reclamações das empresas, diz Francisco Tripodi, diretor da consultoria especializada em inovação Pieracciani. Ele afirma que maior parte dos investimentos das empresas foi rejeitada: "Temos caso de empresa que investiu R$ 20 milhões e teve apenas R$ 400 mil aprovados", diz.

Tripodi diz acreditar que, em razão da liberação de novos investimentos, o valor aplicado anualmente a partir da lei (os R$ 1,5 bilhão) será praticamente o dobro do habitual pelos próximos quatro anos (prazo que as empresas têm para fazer o reinvestimento).

Carina Leão, diretora de relações governamentais da consultoria ABGI, do mesmo setor, confirma o grande número de glosas. Por outro lado, diz que, antes de aderir ao reinvestimento, a maioria das companhias irá apelar ao Ministério da Ciência fornecendo mais informações e argumentos para que seus projetos do passado sejam considerados inovadores. "Primeiro elas vão tentar defender o que fizeram."

Segundo Leão, a falta de confirmação do governo sobre se considerava ou não os investimentos das empresas adequados à lei nos últimos anos fez com que companhias persistissem em erro.

Anderson Jorge, diretor executivo da Abinee (associação do setor eletroeletrônico), diz que a análise dos investimentos feita no ano passado levou em conta critérios atuais para avaliar pesquisas feitas em outro contexto tecnológico. "Um projeto de aplicativo hoje não é considerado pesquisa, mas, em 2006, era uma tremenda novidade."

Para tornar a avaliação de projetos mais rápida, a lei passou a prever que as opções adotadas pelas empresas sejam avaliadas por uma auditoria independente antes de passarem pelo crivo do Ministério da Ciência. O ministério disse que não ser possível informar qual o valor das glosas que serão reinvestidas, pois muitas empresas estão em período de contestação. Existe a possibilidade de que muitas recusas sejam revertidas após a apresentação de informações.

A pasta afirma que a demora na avaliação aconteceu, entre outros motivos, pela falta de pessoal e pela metodologia antiga usada para avaliação. A pasta diz esperar que, com as mudanças na lei, o processo seja mais eficiente. "A fiscalização será realizada 'in loco' e não por meio apenas de um relatório entregue".

Além de poderem aplicar recursos em projetos internos de inovação e em institutos de ciência e tecnologia, a nova legislação prevê que as empresas tenham a opção de direcionar seus investimentos obrigatórios para fundos que apostam em startups.

A mudança é vista como positiva por Isabela Dias, diretora da Anpei, associação que reúne empresas que investem em pesquisa e inovação. "É saudável para o país ter mais empresas de base tecnológica."

Jovem morre ao sofrer descarga elétrica quando colocava celular para carregar

O adolescente teria encostado o dedo no pino da tomada quando foi conectar o carregador no interruptor. Ele veio a óbito ainda no lcoal.

Um jovem de apenas 15 anos, identificado como João Lucas Campelo de Sousa Peres (foto abaixo), morreu no final da tarde desta terça-feira (10) em Teresina após sofrer uma descarga elétrica enquanto colocava o aparelho celular para carregar. O adolescente teria encostado o dedo no metal da tomada e acabou sendo atingido pelo choque, vindo a óbito ainda no local. 


João Lucas  (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a polícia, o jovem ainda chegou a ser socorrido pelos vizinhos, mas quando chegou ao Hospital do Dirceu já estava sem vida. Ele estava sozinho em casa no momento do ocorrido e foi sua mãe que o encontrou caído no chão do quarto. A perícia do IML atestou que o adolescente sofreu uma forte descarga na mão esquerda e que estaria molhado quando o acidente aconteceu. 

Segundo a perícia, o corpo do adolescente chegou com marcas roxas no braço e na altura esquerda do peito e mão estava rígida por conta da tensão muscular causada pelo choque. O adolescente teve uma parada cardíaca e morte imediata.

João Lucas morava com a mãe e o avô no Dirceu, era filho do sargento Peres, lotado no Rone, e estudava na turma do 1º Ano do Ensino Médio na Fundação Bradesco.

O que acontece no corpo em caso de choque

De acordo com o eletricista Gezivaldo Lima, as antigas tomadas que só possuem dois pinos, não isolam a área que fica exposta. “Quando uma pessoa manuseia a tomada de forma incorreta e acaba acidentalmente encostando o dedo no pino, a corrente tem acesso ao corpo dela e ela se torna um fio condutor de energia (fio-terra), que é por onde a corrente elétrica é balanceada para se estabilizar”, explica Gezivaldo.

O problema reside no fato de que a carga que vem da tomada é muito mais alta que aquela que o corpo humano suporta, o que causa danos físicos e até mesmo a morte. A partir de 9 miliampéres, a pessoa sente dor. De 9 a 20 miliampéres, além de dor, ela perde o controle muscular. Acima de 75 miliampéres, a descarga interfere no coração, provocando uma arritmia cardíaca, podendo levar a óbito.

10 de julho de 2018

Brasil sobe para o 64º lugar em ranking mundial de inovação

O índice é calculado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual e tem como parceiro local a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Brasil ocupou o 64º lugar no ranking mundial de inovação. O país ganhou cinco posições em relação ao ano anterior, quando ficou em 69º na listagem mundial. O índice é calculado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual e tem como parceiro local a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A liderança do ranking ficou com a Suíça. O país foi seguido por Holanda, Suécia, Reino Unido, Cingapura, Estados Unidos, Finlândia, Dinamarca, Alemanha e Irlanda. Entre os países de renda média-alta, o destaque foi da China, seguida por Malásia, Bulgária, Croácia e Tailândia. Entre os de renda média-baixa, os mais bem posicionados foram Ucrânia, Vietnã e Moldávia. Já nos países de renda baixa, alcançaram melhor desempenho Tanzânia, Ruanda e Senegal.

(Foto: Divulgação/Agência Brasil)

O Brasil foi classificado na categoria das nações de renda média-alta, ocupando a 15ª posição neste grupo. Dentro da região latino-americana, o país ficou na 6ª colocação.

Insumos e condições institucionais

O Brasil subiu no ranking quando considerados os chamados insumos de inovação, ficando na 58ª posição. Neste indicador, são levados em consideração itens como instituições, capital humano, pesquisa, infraestrutura e sofisticação de mercado e negócio. No ano anterior, havia ficado em 60º lugar.

Os melhores índices registrados no país foram nos quesitos de gastos em educação (23º colocado) , investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (27º), dispêndio de empresas em P&D (22º) e qualidade das universidades (27º). Os autores também destacaram a capacidade de absorção de conhecimento (31º), pagamentos em propriedade intelectual (10º), importações de alta tecnologia (23º) e escala de mercado (8º).

Já os pontos fracos foram apontados pelo relatório nas instituições (82º), ambiente de negócios (110º), facilidade de abertura de negócios (123º), graduados em engenharias e ciências (79º), crédito (104º) e a formação de capital bruto (104º).

Produtos e inovação

Já nos produtos da inovação, o Brasil foi para o 70º lugar. Nessa categoria são considerados produtos científicos e tecnológicos e indicadores relacionados a eles, como patentes e publicações em revistas e periódicos acadêmicos. O índice subiu em relação ao ano anterior, quando ficou na 80ª colocação.

No índice de eficiência de inovação, o Brasil pulou para a 85ª posição. Esse indicador mede o quanto um país consegue produzir tecnologia frente aos insumos, condições institucionais e estrutura de capital humano e pesquisa. Neste quesito foi registrada a maior diferente na comparação com 2017, quando a posição conquistada foi a de número 100.

07 de julho de 2018

Energia solar é opção para baratear conta de luz em até 95%

Teresina, onde há forte radiação, baixa umidade, muitas horas e dias de sol, tem se destacado em investimentos nesse setor

O período do B-R-O-BRÓ está se aproximando e, nestes meses mais quentes, o aumento do consumo de energia elétrica é quase inevitável e faz com que os piauienses busquem alternativas para amenizar o valor da conta. Uma das saídas tem sido investir na instalação de módulos fotovoltaicos, que transformam luz solar em energia elétrica, barateando a tarifa no final do mês. 

No Piauí, onde sobra sol e vento, a geração de energia solar ganhou investimentos e está mudando a vida de muita gente, pois traz economia na conta de luz de residências e empresas. As iniciativas para o aproveitamento dos recursos naturais que o Estado possui se multiplicam a cada dia, tanto em Teresina quanto no sertão piauiense, com empresas especializadas em transformar a luz do sol em energia não poluente e inesgotável. 

Placas solares ou módulos fotovoltaicos podem ser instalados no telhado das residências. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

" Todo mundo pode gerar essa energia solar e está ao alcance de todos", garante a engenheira civil Ludmilla Car valho, da Estação Solar, com sede na Capital. Teresina, onde há forte radiação, baixa umidade, muitas horas e dias de sol, destaca-se neste cenário e, apesar dos custos para instalação dos módulos fotovoltaicos, a procura por esta tecnologia cresce na Capital à medida que as facilidades de financiamento são colocadas à disposição a juros baixos. 

O Banco do Nordeste, por exemplo, dispõe de uma linha de crédito para quem deseja obter o Sistema Solar, seja ela pessoa física ou jurídica. "Não há rendimentos financeiros em aplicações que sejam melhores do que a economia no final do mês na conta de energia elétrica. Energia solar é investimento, não tem como comparar com aplicações em fundos. Com energia solar, a residência ou empresa pode reduzir em até 95% o seu custo na conta de luz no final do mês", afirma Ludmilla Carvalho, acrescentando que o gasto feito é tirado em cerca de três anos e meio. 

E o Piauí tem se destacado nos últimos anos na atração de empreendimentos voltados à geração de energia renovável, a exemplo das eólicas. Agora, o Estado deu um importante passo nesse sentido, com a instalação do Parque Solar Nova Olinda, da Enel Green Power Brasil. A usina está localizada no município de Ribeira do Piauí. A instalação abrange uma área de 690 hectares, com capacidade instalada total de 292 megawatts, energia suficiente para abastecer diariamente uma cidade de 1,2 milhão de pessoas.

Créditos podem ser descontados em outras contas

A engenheira civil Ludmilla Carvalho exemplifica a economia na conta de luz mostrando o gasto de um cliente no final do mês com o consumo de energia elétrica e o que ele passou a pagar após investir na instalação de módulos fotovoltaicos para gerar energia solar. Esse cliente, diz ela, pagava uma conta mensal de R$ 1.500, correspondente ao consumo de 1.474 KW/h. Após aderir ao sistema solar, sua conta reduziu para a taxa mínima da Eletrobras, que é de R$ 157, correspondente apenas a 100 KW/h mais taxa de iluminação pública. 

Ludmilla Carvalho explica como funciona o sistema de módulos fotovoltaicos. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

"O investimento dessa pessoa foi de R$ 55 a R$ 60 mil, incluindo projeto, instalação e módulos fotovoltaicos para geração de energia solar. Gasto este que o cliente tira em três anos e meio a quatro", completa. Ainda de acordo com a engenheira civil, quando a pessoa produz energia solar superior ao consumo, gera um crédito em KW/h na conta. E essa reserva acumulada pode ser utilizada em até cinco anos, sem nenhum prejuízo. 

Tudo isso depende do direcionamento do sistema, da quantidade de KW/h a ser usado pelo usuário, que pode usar esse crédito em outras unidades consumidoras do mesmo proprietário. "É muito vantajoso, nos dias atuais, investir em energia solar, tendo em vista que, a cada dia, consumir energia elétrica fica mais caro, dependendo das condições climáticas. Apesar dos custos, mesmo assim, é compensável, já que é um sistema de durabilidade de 25 anos ou mais, dependendo dos cuidados com manutenção preventiva no tempo certo, feita geralmente a cada ano", argumenta Ludmilla Carvalho.

Custo de implantação depende do consumo médio do imóvel

Para ter energia solar em casa, basta procurar uma das empresas especializadas em projetos e instalação de placas de energia solar (módulos fotovoltaicos), apresentar a conta de luz para verificação de quanto é o consumo mensal em KW/h de energia elétrica para que seja feito o estudo. Além das residências, empresas, faculdades e condomínios estão buscando esta tecnologia como alternativa para reduzir a conta de energia elétrica. Os valores são variáveis e dependem muito do consumo médio do imóvel. 

As empresas que trabalham na instalação de módulos fotovoltaicos primeiro avaliam o consumo em KW/h para fazer o projeto, de quantas placas são necessárias para geração de energia solar equivalente ao consumo de energia elétrica mensal fornecida, no caso, pela Eletrobras. A partir daí, são calculados os custos de instalação das placas. A engenheira civil Ludmilla Carvalho cita que uma placa gera 42 KW/h, duas placas 84 KW/h e assim por diante. Os custos do projeto, instalação e módulos funcionando depende do número de placas a serem instaladas. 

"O cálculo é baseado na conta de luz do cliente, de quanto é o consumo dele em KW/h de energia elétrica por mês, a partir daí fazemos o projeto. Geralmente, os valores variam entre R$ 12 mil, R$ 15 mil ou acima de R$ 60 mil. Uma das vantagens do uso de energia solar é que o consumidor fica livre dos aumentos de tarifa da energia elétrica, porque a energia consumida da rede é a mesma quantidade gerada pelo sistema solar. Ele só paga a taxa mínima em ligação monofásica de 30 KW/h mais a taxa da Cosipa (iluminação pública) ou [a tarifa] trifásica de 100 KW/h mais Cosipa", esclarece. 

A instalação das placas solares, em residências, geralmente é feita no telhado, utilizando, por vezes, o teto de garagem ou no próprio solo. Nos condomínios, o uso de energia solar é mais para abater no consumo de energia da área interna e externa e reduzir o valor da conta de luz no final do mês. À medida que as pessoas vão tomando conhecimento das vantagens em ter uma energia limpa e renovável em casa, dos financiamentos para os projetos na rede bancária, cresce a procura pelo sistema solar





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