Teresina registra, em média, 300 novos casos de Aids por ano

Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de casos de pessoas com o vírus HIV triplicou nos últimos cinco anos.

28/02/2019 07:25h

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A Coordenação Municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) revela que, em média, Teresina registra 300 novos casos de Aids por ano. E a propagação da doença tende a aumentar no período carnavalesco, quando muitas pessoas mantêm relações sexuais sem a devida proteção. Para ressaltar a importância de se prevenir contra as infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e Aids, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Pare, pense e use camisinha” para o Carnaval de 2019.


Usar preservativo evita o contágio de Infecções Sexualmente Transmissíveis. Foto: ODIA

Segundo dados do Ministério da Saúde, apesar de o índice de mortalidade em decorrência da doença ter caído, o número de casos de pessoas com o vírus HIV triplicou nos últimos cinco anos, o que reforça a importância dos trabalhos de prevenção. Vale lembrar que a transmissão do vírus HIV se dá por relação sexual, de mãe para filho durante a gestação, trabalho de parto e amamentação, assim como ao compartilhar seringas e na transfusão de sangue contaminado.

“A Coordenação Municipal de ISTs vem montando uma logística desde o início do ano até a época carnavalesca, neste trabalho de prevenção. Nós estivemos presentes em todas as prévias carnavalescas e também estaremos nos cinco dias de Carnaval, distribuindo preservativos masculinos e femininos, além do gel lubrificante e material informativo para essa população”, informa Alana Niége, coordenadora municipal de ISTs.

Público-alvo

A campanha de conscientização para o uso do preservativo nesse período tem como público-alvo a população de jovens adultos, na faixa de 15 a 34 anos. Esse grupo compõe a maioria dos participantes da festa. Durante os cinco dias de Carnaval, a equipe se reúne e tem o itinerário traçado em parceria com a Fundação Cultural Monsenhor Chaves.

“Nós saímos em dois carros para atender toda a Capital. Estaremos presentes em quase 90% dos blocos, em bares e boates. Nos dividimos em duas equipes e saímos de sexta a terça-feira. Também vamos distribuir o material nas matinês, para atingir o público que frequenta os clubes”, explica a coordenadora.

A campanha deste ano também intensifica os esforços na conscientização da população do sexo masculino. “Desde 2017, vem uma crescente muito grande no número de homens infectados pelo vírus HIV e nós tentamos atingir essas pessoas, em especial a faixa etária de 15 a 34 anos”, completa.

Diagnóstico e suporte médico

A enfermeira Roseane Nunes, que trabalha no Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo, explica que, quando o paciente chega à unidade com o diagnóstico de HIV, a equipe busca prestar todo o suporte necessário.

"Ele já vem fragilizado. A gente faz a escuta qualificada, presta orientações de educação, informações sobre o vírus HIV e a Aids, sobre o tratamento, qualidade de vida, formas de transmissão e principalmente no sentido de desmistificar o vírus, tirar um pouco do preconceito que a infecção traz", assinala.

E foi assim que Francisco José (nome fictício) se sentiu após receber o diagnóstico da doença. “Quando eu fiz o exame, aparentemente, as primeiras impressões foram de nervosismo, desespero. Logo após, eu fui em busca de aprofundar [os conhecimentos] sobre a doença, pude tirar todas as dúvidas com o médico. A equipe me recebeu muito bem, me orientaram de uma forma que eu pudesse absorver e me passar um pouco de conforto. Hoje em dia, o psicológico está excelente e estou motivado em seguir o tratamento”, relata.

Teste rápido


Foto: O DIA

Em Teresina, o teste rápido para diagnóstico de ISTs pode ser feito em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou no Centro de Testagem e Aconselhamento, localizado na Rua 24 de Janeiro, nº 124. Caso o paciente seja diagnosticado com HIV/Aids, a pessoa deve se dirigir ao Serviço de Atendimento Especializado, que funciona no Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo, no Centro da Capital. Na unidade de saúde, a pessoa receberá os remédios para dar início ao tratamento.

Avaliação: resistência está relacionada à facilidade de tratamento

Questionada sobre o motivo da resistência das pessoas em se prevenir contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), Alana Niége explica que estudos mostram que a população jovem, hoje uma das mais infectadas pelo vírus HIV, não viveu a época em que o tratamento era pouco eficiente, como ocorreu assim que a doença foi descoberta.

“Esses jovens não vivenciaram o que aconteceu nos anos 1980, quando a Aids era praticamente uma sentença de morte. Hoje, você convive perfeitamente com o vírus HIV, uma vez que você inicia o seu tratamento bem cedo. Não precisa se instalar a doença, a Aids, para que a pessoa inicie o tratamento. Uma vez diagnosticado com o vírus HIV, mesmo sem sintomatologia nenhuma, ela já inicia o tratamento com o antirretroviral. Isso dá uma qualidade de vida muito boa, então perdeu-se um pouco do medo e isso faz com o preservativo seja deixado de lado”, avalia.

Por essa razão, Alana enfatiza “é sempre importante reforçar a importância do uso do preservativo, pois esse é o único meio de prevenir todas as infecções sexualmente transmissíveis, além da gravidez não desejada, que por sua vez pode ter o uso do preservativo combinado a outro método contraceptivo”.

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Edição: Virgiane Passos
Por: Ananda Oliveira

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