Pais buscam “cura” para crianças transexuais em Teresina

Especialista alerta que reprimir o comportamento da criança poderá atrapalhar a investigação e interferir na formação do diagnóstico correto

03/06/2017 12:44h

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Desde que foi ao ar a série “Quem sou eu?”, exibida pela Rede Globo no Fantástico, o número de pais em busca de apoio psicológico para seus filhos aumentou em Teresina. As reportagens tratavam sobre o universo das pessoas transexuais.  

A constatação foi da neuropsicóloga Renata Bandeira Jardim, que já atendeu dois casais com crianças e foi procurada informalmente por outros pais. No entanto, segundo a especialista, o que parece ser algo positivo, revela uma hipótese preocupante. “Procuram para modificar o comportamento da criança, e não para entender o que está acontecendo”, comenta.

A transexualidade pode se manifestar desde a primeira infância, quando a criança demonstra não se identificar com o gênero no qual nasceu. Nesses casos, é comum que os meninos tenham comportamentos considerados femininos e as meninas manifestem interesses tradicionalmente masculinos. “E isso não é opção. A transexualidade é a identificação psicológica e emocional com o sexo oposto ao seu sexo biológico”, acrescenta a psicóloga.

Ao negarem essa condição, os pais poderão gerar comportamentos agressivos e autodestrutivos na criança, que será reprimida e forçada a ser quem ela realmente não é. “É bastante perturbador e doloroso vivenciar essa repressão”, alerta Renata Bandeira.

A hipótese da psicóloga, de que os pais estão buscando uma “cura” para seus filhos, se sustenta no fato de que eles não retornam após a primeira consulta. “A desistência ocorre quando eu explico que não deve haver repressão, que deve deixar a criança à vontade para a gente ver se o comportamento é passageiro, algo da infância, ou se é transexualidade”, comenta.

A orientação para os pais que constatarem comportamentos supostamente transexuais nos filhos é procurar um psicólogo. “O ideal é seguir as orientações do profissional, mesmo que sejam contrárias às que eles gostariam de ouvir”, afirma Renata, acrescentando que reprimir o comportamento da criança poderá atrapalhar a investigação minuciosa do profissional e interferir na formação do diagnóstico correto.

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Por: Nayara Felizardo

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