Após 42 dias, paciente com câncer não consegue atendimento

Mulher recebeu a informação de que o contrato com o Maranhão foi suspenso.

18/12/2013 17:17h

Compartilhar no

Maria Raimunda e Silva Brandão, 65 anos, perdeu 42 dias que podem ser determinantes para o seu tratamento contra o câncer de útero. Ela mora no Maranhão e precisou de todo esse tempo para conseguir reunir a documentação exigida e iniciar a quimioterapia em Teresina. Porém, quando imaginava que tudo estaria resolvido, a idosa recebeu a notícia de que não poderia ser tratada, devido à suspensão do atendimento aos pacientes do Estado vizinho.

O filho da mulher, Gustavo Brandão, conta que a mãe precisou iniciar todo o trâmite burocrático para fazer o tratamento em São Luís. “Já são mais de 60 dias e ela nem começou a fazer a quimioterapia. Se não era para ser atendida no Piauí, por que não avisaram desde o começo? Ela já tinha feito até a consulta com o oncologista e de repente foi negado o tratamento”, lamenta Gustavo.



Ficha de encaminhamento da paciente para tratamento em Teresina

Quem também reclama da situação é o médico oncologista de Caxias, no Maranhão, Glauto Tuquerre. Ele ressalta a distância de alguns municípios para a capital, São Luís. “É impossível os pacientes, que algumas vezes já diagnosticam o câncer quando ele atinge estágio avançado, em metástase, viajar 400 km para iniciar um tratamento”, disse o oncologista.

Mesmo entendendo a situação de Teresina, que não teria condições de tratar os pacientes do Maranhão sem receber o repasse, Glauto sugere que a decisão de suspender o atendimento poderia ter sido avisada com antecedência. “O final do ano é um período em que os doentes oncológicos ficam ainda mais fragilizados. A medida poderia ter começado a valer pelo menos em janeiro”, afirma o médico.

Para o gerente de regulação do SUS em Teresina, Hércules Cunha, além do atraso no repasse dos recursos do Maranhão, o hospital piauiense responsável pelo tratamento de pacientes com câncer, não tem mais capacidade para receber novos pacientes. “Já temos muitos doentes da capital e dos municípios do interior. Se dermos comida aos filhos dos outros, os nossos ficarão com fome”, disse o médico.

Por mês, uma média de 3.500 pessoas recebem tratamento contra o câncer em Teresina, entre radioterapia e quimioterapia. Desse total, cerca de 500 são do Maranhão.

A dívida do Estado vizinho com o Piauí, referente aos serviços de oncologia nos anos de 2012 e 2013, já é de R$ 8 milhões. O valor de R$ 4,8 milhões repassados anualmente pelo Maranhão refere-se apenas aos serviços de urgência e emergência prestados aos pacientes nos hospitais públicos desta capital. 

Compartilhar no

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário