Wellington manda recado a Bolsonaro: “eleições acabaram no ano passado”

O governador pediu que o vice-presidente, Hamilton Mourão, repassasse a mensagem ao presidente. Declarações foram dadas durante a 24ª Convenção Lojista.

27/04/2019 08:28h

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“As eleições terminaram ano passado. Ele é presidente do Brasil. O senhor é vice-presidente do Brasil, meu e do povo do Piauí. Sou governador do Piauí, assim como o Firmino é prefeito de Teresina”. A declaração foi dada pelo governador Wellington Dias (PT) em forma de recado ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). O petista pediu que o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), que esteve em Teresina nesta sexta-feira, falasse à Bolsonaro.

As declarações foram dadas durante a 24ª Convenção de Dirigentes Lojistas, em que Mourão participou da abertura dando uma palestra magna para empresários e lojistas do Estado. Segundo o governador, as eleições terminaram e agora é hora de arregaçar as mangas para trabalhar pelo desenvolvimento do país. “Temos todos uma grande responsabilidade com o Brasil. Diga ao presidente que, aqui no Piauí, temos homens e mulheres prontos para trabalhar pelo Brasil com muita maturidade e vontade de ver o brasil crescer e se desenvolver”, ressaltou.

Ainda pela manhã, como parte da agenda administrativa de Mourão, ele se reuniu no Palácio de Karnak com o governador. Ao ODIA, Dias revelou que, durante o encontro, foi dialogado sobre temas nacionais. “Por exemplo, ele mostrava a importância de se ter no Brasil a reforma da Previdência e eu disse a ele que meu campo politico também entende essa necessidade, mas é no campo do entendimento porque não tem uma proposta só, não se tem uma proposta única para se alcançar o equilíbrio”, ponderou.


Hamilton Mourão esteve ontem em Teresina - Foto: Jailson Soares/O Dia

Segundo Dias, a proposta de reforma da Previdência não pode ter uma fórmula centrada apenas na idade, tempo de serviço e alíquota. “Essa é uma parte, mas é preciso ter receita como aquela advinda da divida interna, o projeto da securitização, que representa o combate a sonegação e novas receitas, como aquelas oriundas da cessão de gás e petróleo, tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos”, elencou. 

Questionado sobre as dificuldades de diálogo com o Governo Federal  por ter sido um partido de oposição à Bolsonaro nas últimas eleições, o governador destacou que a hora era de “todo mundo descer do palanque”. “Nesse instante não se trata de unidade partidária, do ponto de vista da política eleitoral. Agora é a unidade pelo país, a necessidade de cada um fazer sua parte. É somando aquilo de que tem de capacidade de investimento da União, com os estados, com os municípios, com o setor privado que vamos dar passos que o Brasil precisa”, defendeu.

Dessa forma, o governador afirmou que apresentou pleitos e mostrou a necessidade do Piauí ter mais apoios do Governo Federal, sobretudo, na parte de infraestrutura. Ele citou obras importantes como a Ferrovia Transnordestina, o Porto Seco de Teresina e os projetos de irrigação como Tabuleiros Litorâneos, Platôs de Guadalupe. “Sei das dificuldades do país de fazer todas as coisas, mas é possível, como através de modelagens como PPPs, por exemplo, de parte desses investimentos e outra parte ser do Orçamento Geral da União. E falei da disposição do estado em sermos parceiros de colocar recursos para esses empreendimentos”, finalizou.

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Por: Mayara Martins

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