Regina teme 'desastre' na saúde pública com saída de Cuba do 'Mais Médicos'

Senadora também criticou aprovação do reajuste de 16,38% nos subsídios dos ministros do STF, que deve provocar um efeito cascata no serviço público.

19/11/2018 13:47h - Atualizado em 19/11/2018 15:16h

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A senadora Regina Sousa (PT) afirmou nesta segunda-feira (19) que a saída de Cuba do programa "Mais Médicos" representa um "desastre" na saúde pública do país.

"Eu considero [a saída de Cuba] um desastre, e mostra que o próximo governo não pensa nos pobres. Só a saúde indígena deve perder cerca de 300 médicos, por serem de Cuba. Então, como é que fica a saúde indígena? Como é que ele vai achar brasileiros para irem até as mais isoladas aldeias indígenas? Eu estou pagando pra ver se ele vai achar médicos brasileiros dispostos a ir para aldeias indígenas, na região norte, na Amazônia, por exemplo, onde há índios que ainda nem se comunicaram com o homem branco. Tem que cuidar dessa gente. Portanto, eu acho irresponsável a forma como foi feita", afirmou Regina Sousa.

Na semana passada, o governo cubano anunciou o fim da parceria com o governo brasileiro no "Mais Médicos". A medida foi uma resposta a críticas feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que também decidiu impor condições para que os profissionais de Cuba continuassem no programa, como a exigência da revalidação do diploma e a contratação individual dos profissionais, sem a intermediação do governo cubano.

A senadora Regina Sousa (Foto: Assis Fernandes / O DIA)

A senadora também rebateu o argumento de que os médicos de Cuba estariam sendo "escravizados" por seu governo, por ficarem apenas com parte do salário pago pelo governo brasileiro. 

Regina lembra que a forma de contratação dos médicos de Cuba, por intermédio do governo do país, já ocorria muitos anos antes da implantação do "Mais Médicos" no Brasil, em 2013, sendo aplicada em parcerias feitas com dezenas de outros países que recebem profissionais cubanos. 

"Falar em trabalho escravo é outro absurdo. Trabalho escravo tem no Brasil. Agora mesmo [em outubro] saiu uma nova lista suja do trabalho escravo, mostrando que 209 empresas mantinham funcionários nessa situação, inclusive algumas multinacionais. Aí tem gente que vem falar que um médico que ganha R$ 4 mil é escravo. No Brasil, quanto se paga por um trabalho intermitente? R$ 300, R$ 200 [por mês]. Esse é o tipo de emprego proporcionado pela nova reforma trabalhista. Isso não é escravidão? Escravidão é ganhar R$ 4 mil?", questiona a senadora Regina Sousa.

Hoje, 8.332 dos 16 mil médicos que atuam no Mais Médicos são cubanos. 

Regina critica reajuste de 16,38% no Judiciário e alerta: 'não tem mais onde mexer no orçamento'

A senadora também fez duras críticas à aprovação do reajuste de 16,38% para os ministros do Supremo Tribunal Federal, por conta do efeito cascata que ele deve gerar em todo funcionalismo público, incluindo os três Poderes dos estados e da União.

Ela ressalta que não só os estados encontram-se em crise fiscal, mas o próprio Governo Federal, o que, segundo ela observa, representa um dos grandes desafios para o próximo presidente da República e para os governadores. 

"Não adianta dizer que vai mexer no orçamento. Mexer onde? Não tem mais onde mexer. O orçamento está engessadinho, bem pequenininho, bem curtinho. Já cortou o que podia cortar, inclusive nas áreas sociais, e agora vem mais o aumento dos subsídios dos magistrados. Eu votei contra. Não é nada contra os juízes e desembargadores, é pelo efeito cascata que isso vai gerar para os estados", opina Regina. 

A senadora Regina Sousa também comentou que, ao contrário do que se tem dito, o presidente Michel Temer não reduziu a máquina do Governo Federal.

Segundo a parlamentar, o emedebista cortou apenas os ministérios, mas o número de servidores comissionados permaneceu praticamente o mesmo de quando o Executivo nacional ainda era comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

"O Temer disse que fez uma reforma, diminuindo o número de ministérios, mas na realidade ele não diminuiu o número de comissionados no governo dele não. Então, todos os estados têm agora que fazer seus ajustes, mas eu acredito que o Piauí não tem um excesso de comissionados, na minha opinião. Para o tamanho do estado, pouco mais de 2 mil comissionados não é excessivo. Agora, se for preciso o governador vai cortar, porque é onde pode cortar. Da mesma forma, isso deve ocorrer no Governo Federal. Agora, só para perseguir alguém, porque sabe que esse alguém tem alguma ligação com o PT?", ponderou Regina.

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Por: Cícero Portela

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