Professores reclamam da falta de condições estruturais e de trabalho

Muitos empecilhos dificultam que os professores exerçam suas atividades com total aproveitamento, sobretudo no que diz respeito à falta de condições estruturais e de trabalho.

25/04/2017 08:04h

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Esta semana, o Jornal O DIA traz uma série de reportagem sobre profissões em alusão ao Dia do Trabalhador, que será comemorado na próxima segunda-feira, 1º de maio. Na edição de hoje (25), contaremos um pouco da rotina de um professor, os desafios da sala de aula e as alegrias da profissão. 
Há 22 anos, a professora Clemilda Bandeira leciona a disciplina de Geografa na Escola Estadual Zacarias de Góis – o Liceu Piauiense, e se emociona ao falar da paixão por dar aula ou ao ver seus ex-alunos sendo bem-sucedidos no mercado de trabalho. 

Clemilda Bandeira se sente realizada ao ver sucesso dos seus alunos no mercado (Assis Fernandes/ O Dia)
“Levamos a educação com a cara, com a coragem e com amor, apesar de muito difícil. Eu falo dessa profissão e me emociono e não mudo de área porque sou apaixonada. Quando temos o feedback com o aprendizado do aluno ou nos deparamos com uma pessoa que passou por nós e hoje está no topo de uma profissão e reconhece que fomos importantes para sua construção, é indescritível”, fala emocionada. 

É o que destaca também o professor de Língua Portuguesa e diretor do Liceu Piauiense, Edvaldo Lima. Há quase 20 anos, ele enfrenta desafios todos os dias em sala de aula e fala da alegria em ter escolhido esse ofício. 
“É uma profissão que nos traz uma grande satisfação, pois trabalhamos no processo de formação e cidadania. E a formação acadêmica é fundamental no nosso meio social e nós, como mediadores desse processo, só temos como nos sentir privilegiados em poder contribuir com a formação desses cidadãos”, pontua. 
Profissão ainda é desvalorizada na sociedade 
Apesar de ser muito contente com a escolha de sua profissão, a professora Clemilda Bandeira frisa a necessidade de valorização e reconhecimento da classe. “Somos uma das mais importantes profissões, a base e sustentáculo de todas as outras, então se eu tivesse que pedir algo é para que realmente sejamos reconhecidos pelos nossos governantes”, salienta. 
De acordo com a docente, muitos empecilhos dificultam que os professores exerçam suas atividades com total aproveitamento, sobretudo no que diz respeito à falta de condições estruturais e de trabalho. 
“É uma profissão apaixonante, porém muito desvalorizada e sacrificante. Eu diria que, por essa paixão, a gente quase que esquece os problemas mais sérios, como a desvalorização financeira. Ser professor no Brasil é difícil por vários fatores, além do salário insuficiente, a carga horária também é excessiva”, cita. 
A professora lembra ainda das condições inapropriadas e técnicas inacessíveis que impedem a realização de determinadas atividades. Clemilda Bandeira comenta que em sua disciplina, por exemplo, seria fundamental que os alunos pudessem fazer trabalhos em campo, como visitar locais para estudo. Segundo ela, essas práticas esbarram em dificuldades, como transporte e estrutura. 
“A prática de campo, em escolas públicas, é quase impossível. Seria muito interessante de tivéssemos apoio para que os estudantes tivessem acesso a paisagens geográficas e centros turísticos. Uma simples viagem requer um custo e, às vezes, é totalmente inviável, sobretudo para um aluno da escola pública”, pondera. 
Falta de respeito 
A professora Clemilda Bandeira ainda cita a falta de respeito que muitos professores sofrem em sala de aula. Alguns são agredidos, ameaçados e intimidados durante o exercício da profissão, tornando o trabalho mais árduo. 
“Enfrentamos dificuldades, como violência escolar, desrespeito e precisamos investir na educação familiar e no apoio da família. O aluno chega na escola com sua base educacional-familiar formada e é muito difícil desfazer. A sociedade cobra muito do professor, achando que ele tem que solucionar todos os problemas educacionais dos alunos, mas não é bem assim. São histórias diferentes e cada aluno tem sua vivência”, frisa. 
Para ela, o professor teria um contato maior e melhor com seus alunos se a quantidade de vagas por sala fosse estabelecida. Dessa forma, a orientação seria mais aprofundada e os docentes teriam a capacidade de investir individualmente em cada estudante.
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Por: Isabela Lopes

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