Paulinho da Força: Governo tem que se contentar com as decisões do centrão

Na noite de ontem (25), o presidente nacional do Solidariedade também recebeu o Título de Cidadão Teresinense

26/04/2019 07:19h

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Presidente nacional do Solidariedade (SD), uma das siglas que integram o bloco do chamado ‘centrão’ no Congresso Nacional, o deputado federal por São Paulo, Paulinho da Força, afirmou, durante convenção do seu partido em Teresina nesta quinta-feira (25), que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não tem votos suficientes para aprovar a reforma da Previdência na Câmara Federal.

Segundo o parlamentar, a atual proposta conta apenas com os votos do PSL, legenda do chefe do Executivo Federal, e do Partido Novo, sigla que avalia como mais alinhada ao campo da direita. “O governo não tem votos no Congresso (...) tem algo em torno de 70 votos, o resto não é dele”, declarou.

Na avaliação de Paulinho da Força, é o centrão quem tem poder para tocar a reforma no Congresso, já que conta com uma ampla bancada parlamentar nas duas casas por onde o texto irá tramitar, algo em torno de 330. De acordo com o deputado, o bloco tem independência para tomar as decisões quanto às mudanças no sistema previdenciário brasileiro.

“A oposição tem 120 votos e a ‘nossa turma’ tem 330. Portanto, não precisamos negociar com o governo. Esse grupo [o centrão] vai decidir o que vai tirar, vai tirar e acabou. O governo só tem que se contentar”, comentou Paulinho da Força.


O presidente nacional do Solidariedade participou de evento da sigla em Teresina - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Em Teresina, Paulinho da Força defende mudanças na Reforma da Previdência

Durante agenda partidária em Teresina nesta quinta-feira (25), o presidente nacional do Solidariedade (SD), deputado federal Paulinho da Força (SP) afirmou que, apesar de defender a aprovação de uma reforma no atual sistema previdenciário, o atual projeto encaminhado ao Congresso Nacional pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) precisa ser alterado. “Queremos fazer uma reforma, mas que seja justa para todo mundo”, disse.

A proposta, já aprovada com modificações no texto original na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal, deve ser apreciada agora em uma comissão especial. De acordo com Paulinho da Força, além de propor mudanças na questão do trabalhador rural e no Benefício de Prestação Continuada, os parlamentares avaliam a possibilidade de que estados e municípios definam suas reformas e arquem com o ônus de uma proposta impopular como esta. 

“Vamos devolver a Reforma da Previdência para os estados e municípios, não é função do Congresso fazer reforma da Previdência para estes entes, até porque tem muitos em que os governadores são contra. Não tem porque nos desgastarmos e fazer a reforma para eles. Quem tem que fazer a reforma da Previdência nos estados é as Assembleias Legislativas”, declarou.

O deputado ainda informou que pretende apresentar uma proposta de emenda ao projeto da Reforma da Previdência quanto ao tempo de transição para os novos beneficiários, já que para ele, o texto atual não é claro quanto a estas regras.

“Tenho uma emenda e irei trabalhá-la, para dar 30% a mais no tempo que falta para se aposentar, ou seja, pela minha proposta alguém que falta dez anos teria que trabalhar três anos a mais, e não essa confusão do Bolsonaro, que ninguém consegue entender”, disparou Paulinho da Força.

Votos por Emendas

Paulinho da Força ainda comentou a informação divulgada nesta semana pela imprensa nacional de que, para conseguir apoio parlamentar e aprovar a reforma, o governo estaria negociando a liberação de emendas de até R$ 40 milhões por cada deputado. Ele garante que nenhuma oferta foi feita a ele, e condenou esta possível negociação.

“Acho que se o governo falou isso, mostra que o Bolsonaro fez um discurso na campanha e agora faz outro. O discurso era de transparência total, e oferecer recursos para os deputados poderem votar a Previdência é uma coisa absurda. Acho que os deputados têm que votar com a sua consciência e a população tem que ficar atenta”, disse o líder sindical, que confirmou que manifestações estão sendo convocadas para o próximo primeiro de maio, dia do trabalhador.

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Por: Breno Cavalcante - Jornal O Dia

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