OAB/PI vai representar promotores do Gaeco no Conselho Nacional do MP

Instituição alega que promotores de Justiça cometeram infrações contra a categoria durante a operação Coiote, realizada na semana passada.

21/05/2019 08:22h - Atualizado em 21/05/2019 14:39h

Compartilhar no

O presidente da OAB-PI, Celso Barros Coelho Neto, informou que a entidade vai entrar com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra os promotores de Justiça que participaram da Operação Coiote, deflagrada na última semana pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Para a OAB, os promotores cometeram uma série de abusos, inclusive em declarações dadas à imprensa após a operação. 

“Somos contrários a essa exposição midiática feita pelo Ministério Público com relação a nossa classe de advogados. O advogado tem direito de ajuizar ações, quem vai decidir é a Justiça. Houve uma criminalização generalizada da advocacia. Se há algum advogado com algum tipo de fraude, que seja processado e investigado, mas dentro dos autos, não de forma indiscriminada como se colocou na mídia, através de entrevistas. A OAB irá representar o promotor de Justiça pelos excessos que ele cometeu em suas entrevistas e nas suas posições de generalizar a classe”, explicou Celso Barros. 


O presidente da OAB/PI, Celso Barros, dissse que a categoria profissional foi atacada - Foto: Elias Fontinele/O Dia

A OAB também denuncia que alguns abusos foram cometidos pelos representantes do Ministério Público durante o cumprimento dos mandados de busca nas residências e nos escritórios dos advogados. De acordo com Celso Barros, a OAB não foi comunicada com antecedência das ações que seriam realizadas contra advogados na cidade de São Raimundo Nonato, o que, segundo ele, configura um desrespeito às prerrogativas da classe. 

“Todas as apreensões feitas em São Raimundo são ilegais. Inclusive, interpusemos um mandado de segurança visando a liberação desses bens apreendidos, porque entendemos que essas apreensões foram ilegais, porque não houve o acompanhamento da OAB”, disse. 

O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Rômulo Cordão, foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento dessa edição não obtivemos retorno. 

A Operação 

A Operação Coiote foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado, no último dia 16 de Maio. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia na região de São Raimundo Nonato. Segundo o Gaeco, o esquema liderado por advogados, movimentou mais de R$ 15 milhões entre os anos de 2011 e 2017. 

Compartilhar no
Por: Natanael Souza - Jornal O Dia

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário