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'Não daremos trégua ao Governo', diz Teresa após visitas a hospitais

Deputados têm constatado inúmeras irregularidades em praticamente todos os hospitais visitados, e relatam que problemas representam grande risco para a vida dos pacientes.

10/07/2019 13:55h - Atualizado em 11/07/2019 09:06h

A deputada Teresa Britto (PV), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, denunciou que a Secretaria de Saúde está tentando disfarçar as inúmeras irregularidades nos hospitais públicos da rede estadual que estão recebendo visitas de um grupo de parlamentares da Assembleia Legislativa.

Segundo Teresa, poucas horas antes da visita a algumas das unidades, a secretaria providenciou medicamentos, insumos básicos, uniformes hospitalares, dentre outros itens que estavam em falta há vários dias ou até semanas, conforme denúncias feitas por servidores e por pacientes. 

Num dos hospitais, a diretoria teria providenciado a pintura das paredes horas antes da chegada dos deputados. O serviço teria sido realizado durante a madrugada. 

A deputada Teresa Britto é presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Foto: Elias Fontinele / O DIA)

Alguns funcionários também relataram que receberam os salários atrasados às vésperas da vistoria dos parlamentares.

Teresa relata que em muitas unidades as roupas de cama são levadas pelos próprios pacientes, porque estão em falta nos hospitais. "Esses itens são básicos. [A falta deles] É uma prática terrível, que aumenta os casos de infecção", alerta a deputada.

Ela fala que as fiscalizações serão feitas de forma permanente, até que o governo providencie a resolução dos problemas identificados.

Além de Teresa Britto, também têm participado das fiscalizações in loco os deputados Gustavo Neiva (PSB), Lucy Soares (Progressistas) e Francisco Costa (PT). A série de vistorias teve início no final de maio, e deve prosseguir pelos próximos meses.

O Hospital Dr. João Pacheco Cavalcante, em Corrente, foi o último a ser visitado pelos deputados; a vistoria ocorreu na última sexta-feira (Fotos: Ascom parlamentar)

"Nós vamos insistir. É aquela história: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Nós não vamos dar trégua ao governador nem ao secretário. Queremos que comprem os equipamentos que estão em falta, e vamos ficar em cima mesmo, cobrando. Vamos acionar o Ministério Público. Não vamos dar trégua, podem ter certeza", avisou Teresa Britto.

No hospital de Bom Jesus, os deputados constataram que os profissionais de psicologia não possuem um local apropriado para atender os pacientes, precisando ficar num espaço que é usado como depósito. E na unidade de Corrente sequer há psicólogo, de acordo com Teresa.

Problemas também foram identificados no hospital de Corrente (Fotos: Ascom parlamentar)

Sem resolutividade - Os parlamentares afirmam que boa parte dos hospitais do estado no interior não possuem resolutividade, e vários dos pacientes precisam ser transferidos para outras unidades regionais ou para hospitais da capital. 

Em Floriano, onde a resolutividade é um pouco melhor, os deputados verificaram que há uma constante superlotação. "Outro problema sério é o deslocamento de pacientes de um hospital para outro. O hospital de Floriano está superlotado. Nós encontramos um paciente internado numa cadeira há 18 dias, esperando por um procedimento cirúrgico ortopédico. Outro paciente estava internado numa maca sem colchonete há oito dias. É algo desumano o que está ocorrendo nos hospitais do Piauí. Nesses hospitais que nós andamos, sentimos que as equipes são preparadas, são humanas, acolhem bem os pacientes. Mas não tem medicamentos, não tem instrumentos para fazer exames, e, quando tem, espera-se até quatro meses por um laudo de um exame de tomografia, por exemplo", denuncia a deputada.

Em menos de dois meses, nove hospitais públicos do estado foram vistoriados pelos deputados: a Maternidade Dona Evangelina Rosa e o Hospital Infantil Lucídio Portella (ambos em Teresina), além dos hospitais de Floriano, Picos, Esperantina, Campo Maior, Bom Jesus, Corrente e Santa Filomena (sendo esta última uma unidade mista, administrada pelo município e pelo estado conjuntamente).

Outro lado - A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde, em busca de uma posição da pasta a respeito das denúncias que vêm sendo apresentadas pelos deputados. A resposta será acrescentada assim que for encaminhada ao portal O DIA.

Por: Cícero Portela

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