MP pede nova prisão de Garotinho e aponta constrangimento de testemunhas

O promotor diz que Anthony Garotinho ultrapassa os limites de liberdade de expressão ao estimular demasiadamente aliados e simpatizantes contra as testemunhas.

04/06/2017 11:15h

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Constrangimento de testemunhas. Foi o que alegou o Ministério Público do Rio no novo pedido de prisão de Anthony Garotinho. No documento encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral, o promotor Leandro Manhães Barreto afirma que o ex- governador vem usando as redes sociais para criticar testemunhas que ainda serão ouvidas no processo em que ele é reu.

O promotor diz, ainda, que Anthony Garotinho ultrapassa os limites de liberdade de expressão ao estimular demasiadamente aliados e simpatizantes contra as testemunhas.

Uma das pessoas ameaçadas, segundo o Ministério Público, é Elizabeth Gonçalves, ex-funcionária da Prefeitura de Campos dos Goytacazes – município no norte do Rio – na gestão de Rosinha Matheus, mulher de Anthony Garotinho.

O ex-governador do Rio de Janeiro, em foto feita na eleição de 2014 (Foto: Inácio Teixeira/ Coperphoto)

O promotor afirma que Elizabeth relatou constantes ameaças de morte e constragimentos.

Ela é considerada uma testemunha-chave da Operação Chequinho, que investiga denúncias de um esquema de compra de votos nas eleições do ano passado na Prefeitura de Campos.

Elizabeth chegou a ser presa, mas depois decidiu colaborar com as investigações. De acordo com os investigadores, em troca de votos, a Prefeitura de Campos oferecia inscrições no Cheque Cidadão, que oferecia 220 reais por mês a pessoas de baixa renda. O programa foi criado por Anthony Garotinho. Em dois meses, o número de beneficiários passou de 12 mil para 30 mil.

Elizabeth Gonçalves disse em audiência na Justiça, no mês passado, que a ordem partiu de Antonhy Garotinho. E que o objetivo era aumentar a base eleitoral do grupo político do ex-governador, em Campos.

Ela acusa Antonhy Garotinho de ter mandado queimar arquivos quando as investigações começaram.

Garotinho chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado. Ele passou mal, ficou internado e só depois foi levado para o presídio. O Tribunal Superior Eleitoral revogou o mandado de prisão dele.

Na época, o TSE determinou o pagamento de R$ 88 mil de fiança e proibiu Anthony Garotinho de ter contato com as testemunhas do processo.

Para o Ministério Público, a prisão é necessária para evitar que as pessoas que ainda vão prestar depoimento se sintam pressionadas. O pedido será analisado pela Justiça Eleitoral do Rio.

Anthony Garotinho declarou que a testemunha Elizabeth Gonçalves alterou o depoimento dela seis vezes ao longo do processo e que, por isso, é indigna de fé.

A defesa do ex-governador disse que a declaração de ameaça feita pela testemunha é descabida e que as alegações do Ministério Público que constam no pedido de prisão são uma afronta à decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

A defesa também afirmou que considera que falta imparcialidade ao juiz eleitoral de Campos, Glaucenir Silva de Oliveira, e pediu que ele seja impedido de analisar o caso.

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Fonte: G1 / Jornal Nacional

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