'Melhora do Brasil depende de quem vem depois', diz jornal britânico

A publicação britânica acredita que o país precisava enfrentar a corrupção, que levou ao aumento da desigualdade e conteve o crescimento econômico, mas questiona se a operação Lava Jato de fato "valeu o sacrifício".

01/06/2017 09:31h - Atualizado em 01/06/2017 09:43h

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Em uma reportagem especial de três páginas, com o título 'Será esse o maior escândalo de corrupção de todos os tempos?', o jornal britânico The Guardian apresenta a operação Lava Jato, deflagrada há três anos e que revelou uma "vasta e intrincada rede de corrupção política e empresarial e pôs a vida de uma nação de ponta-cabeça".

Segundo o Guardian , enquanto muitos acreditam que a operação tornará o Brasil "mais eficiente", dirigido por "políticos mais limpos e respeitadores da lei", existe o risco de que o processo "abale a frágil democracia" do país e abra caminho "para uma teocracia evangélica de direita ou um retorno de um governo ditatorial". O jornal não cita nomes de possíveis novos líderes nesses cenários.

"Ela ajudou a retirar o Partido dos Trabalhadores (PT) do comando e inaugurou uma administração que parece tão contaminada quanto, mas muito menos disposta a promover a transparência e a independência judicial", diz o jornal.

"Há tantas acusações contra Temer e seus aliados que ele terá dificuldade de manter a Presidência até o final de seu mandato, em 2018", acrescenta.

Segundo o texto, as recentes reduções do orçamento da polícia federal em 44% e do número de agentes da corporação seriam tentativas do governo brasileiro de "dificultar a operação Lava Jato".

 'Era para o Partido dos Trabalhadores supostamente ser diferente. Ele foi eleito com a promessa de limpar a corrupção, mas logo foi engolido (pelo esquema)'. Foto: Reprodução

Desdobramentos da operação

A reportagem descreve os desdobramentos da Lava Jato desde seu início, em 2014, e como a "cultura de impunidade que por muito tempo reinou no Brasil" mudou a partir das investigações. Ela ressalta o papel do juiz federal Sérgio Moro - "um jovem ambicioso juiz" que ajudou a pressionar suspeitos através da autorização de prisões preventivas.

O Guardian também comenta que grandes empresas e políticos conhecidos foram "totalmente desacreditados" e que eleitores agora têm dificuldade "de encontrar alguém em quem pudessem confiar". Com isso, "não só o establishment está cambaleando, mas toda a república" brasileira.

O jornal pondera que a cena política no país "é altamente vulnerável a corrupção". "É quase impossível que um partido político consiga maioria...chegar ao poder significa vencer eleições e pagar outros partidos para formar coalizões, e as duas coisas requerem altas quantias de dinheiro".

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Fonte: Terra

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