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Manuela d'Ávila critica extinção dos conselhos com participação popular

Ex-deputada afirmou que decreto assinado por Bolsonaro é uma "tragédia" para o país, e demonstra o quanto o presidente é centralizador.

22/04/2019 11:47h - Atualizado em 22/04/2019 14:24h

Em visita a Teresina para lançar o seu livro "Revolução Laura", a ex-deputada federal e ex-candidata a vice-presidente da República Manuela d'Ávila criticou duramente o decreto presidencial nº 9.759, que determinou a extinção dos órgãos colegiados da administração federal que contam com participação civil.

Assinado no dia 11 de abril pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), o decreto pode acabar com dezenas de conselhos e comissões por meio dos quais é viabilizado o controle social em questões importantes, como a política indigenista (CNPI), a política sobre drogas (Conad), a transparência e o combate à corrupção (CTPCC), o trabalho infantil (Conaeti), a diversidade sexual (CNDC/LGBT), a pessoa com deficiência (Conade), os idosos (CNDI), dentre outros.

Para Manuela, a medida é uma "tragédia" para o país, e demonstra o quanto o presidente Bolsonaro é centralizador. 

Manuela d'Ávila esteve na sede do PCdoB na manhã desta segunda-feira, onde concedeu uma entrevista coletiva. Na foto ela está ao lado do vereador Enzo Samuel (PCdoB), do secretário de Governo do Piauí e presidente do PCdoB no estado, Osmar Júnior, do vice-presidente do PCdoB no Piauí, Zé Carvalho, e de Elizângela Moura, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares - Fetag-PI (Foto: Poliana Oliveira / O DIA)

"Aqui no Brasil agora virou moda falar que tudo é coisa de esquerda. Mas qualquer liberal no mundo sabe que o combate à corrupção se faz com participação. Os americanos têm um termo pra isso, chamado accountability. É a transparência com a participação. A ideia de que mais transparente é [um governo] quanto mais a população participa, de que o Estado pode estar nas mãos de toda a população, não de meia dúzia de políticos. E os conselhos têm relação com isso, seja pra elaborar políticas, seja pra controlar a ação dos políticos. O que o Bolsonaro faz? Ele, simplesmente, diminui [a participação popular]. A gente vê que é um governo dos seus três filhos e de mais ninguém, porque ele tira toda a participação social", opinou Manuela.

A ex-deputada gaúcha ainda disse que "os brasileiros esperam que o presidente Bolsonaro pare de brincar na internet".

"Ele tem que começar a trabalhar com temas caros para o nosso povo. Nós temos quase 15 milhões de desempregados e quase 30 milhões de trabalhadores subutilizados", afirmou d'Ávila.

A ex-parlamentar considera que o atual governo tem adotado uma série de medidas que favorecem os mais ricos e penalizam os mais pobres. 

"O presidente precisa parar de apresentar medidas que punem os mais pobres, que é só o que o governo tem feito até agora. A revogação da política [de valorização] do salário mínimo, a proposta de reforma da Previdência e um conjunto de outras medidas. A própria ideia de permitir que a educação, o ensino fundamental, seja em casa. Como que a mulher trabalhadora vai lidar com a ausência de investimentos em educação, se for permitido ensinar dentro de casa? [...] Como essas mulheres conseguirão trabalhar se aprovarem o homeschooling [educação escolar em casa], como eles chamam? Esse é um nome bonito para o fim da escola pública. Eles querem trancar as crianças dentro de casa junto com alguém, e esse alguém no Brasil são as mulheres. As medidas que eles têm apresentado agravam a crise e punem sempre os mais pobres", opinou Manuela.

A ex-candidata a vice-presidente da República falou que, mesmo sendo autora de um livro que trata sobre alguns dos desafios enfrentados pelas mulheres brasileiras, reconhece ser uma "mulher privilegiada", por ter tido a filha numa situação de estabilidade financeira e por contar com o apoio do marido, o que a imensa maioria das mães não possui (Foto: Poliana Oliveira / O DIA)

No livro "Revolução Laura: reflexões sobre maternidade e resistência", a ex-deputada relata sua experiência de conciliar a vida de mãe com a atuação na política.

Em entrevista coletiva concedida na manhã desta segunda-feira, na sede do diretório regional do PCdoB em Teresina, Manuela ressaltou que seu livro trata sobre algumas das dificuldades enfrentadas pelas mulheres no Brasil, e reconheceu que é uma "mulher privilegiada", por ser branca, por ter tido a filha quando era deputada, e, portanto, dispor de estabilidade financeira, e por ter um companheiro que divide com ela todas as obrigações com a filha, condições que a imensa maioria das mães brasileiras não possuem. 

Laura também veio a Teresina com a mãe. Manuela tem o hábito de levar a filha para os eventos políticos dos quais participa.

Manuela integrou a chapa encabeçada pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), derrotada por Bolsonaro nas eleições de outubro de 2018.

Manuela é correligionária do ex-deputado federal Osmar Júnior, secretário de Governo de Wellington Dias (PT) e presidente do PCdoB no Piauí (Fotos: Poliana Oliveira / O DIA)





Por: Cícero Portela

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