Juiz diz que prisão é necessária para evitar que Geddel cometa outros crimes

Ex-ministro teria recebido R$ 20 milhões de suborno do operador Lúcio Funaro

04/07/2017 11:56h

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O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10 ª Vara Federal, afirma que a prisão preventiva do Geddel Vieira Lima é necessária para cortar os vínculos do ministro com a corrupção no governo federal, com as tentativas de calar testemunhas e, também, para impedir que despareça de vez com os R$ 20 milhões de suborno que teria recebido do operador Lúcio Bolonha Funaro só em uma das supostas fraudes com dinheiro da Caixa Econômica Federal. O ex-ministro, um dos mais próximos aliados do presidente Michel Temer, foi preso nesta segunda-feira na Bahia.

Segundo o juiz, até hoje os R$ 20 milhões da propina ainda não foram localizados. No despacho, o juiz cita um histórico de recentes crimes que Geddel vinha cometendo num desafio aberto às investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre ele e outros supostos cúmplices.

Na lista de motivos para a prisão de Geddel estão: A pressão que ele teria feito sobre Raquel Funaro, mulher de Funaro. A queda de braço com o ex-ministro Marcelo Calero, com quem protagonizou o primeiro escândalo do governo. Tratativas da liberação de um empréstimos de R$ 2,7 bilhões para J & F comprar a Alpargatas em 2015, quando já tinha deixado a Caixa.

A atuação de Geddel no caso foi revelada por Funaro em um dos depoimentos que prestou à Polícia Federal depois que decidiu colaborar com Justiça em busca de um acordo de delação premiada.

Geddel é ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias na Caixa. Pelas investigações, no período em que esteve no cargo, o ex-ministro se associou a Funaro, ao ex-deputado Eduardo Cunha e outros para facilitar a concessão de financiamentos para determinadas empresas em troca de propina. Só da JBS, do empresário Joesley Batista, ele teria recebido R$ 20 milhões. Funaro seria um dos intermediários do pagamento.

Segundo o juiz, a polícia ainda não descobriu onde estão os R$ 20 milhões do suborno, "havendo risco de serem escondidos/escamoteados". Ao todo, o ex-ministro teria recebido R$ 29 milhões de Funaro. Ele teria "manipulado" financiamentos para a JBS, Grupo Constantino, Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários S.A, Comporte Participações, Marfrig, Seara, J&F Investimentos, Bertin, Big Frango e Dinâmica Segurança Patrimonial.

Vallisney considerou "gravíssimas" as recentes ligações de Geddel para Raquel Funaro "com o intuito de verificar do ânimo do marido preso em firmar acordo de colaboração premiada". A pressão foi relatada em dos depoimentos prestados por Funaro à Polícia Federal. Para comprovar o que estava dizendo, o operador entregou a polícia extratos e contas telefônicas e imagens de mensagens em que Raquel fala sobre a conversa com o ex-ministro.

"Em liberdade, Geddel Vieira Lima, pelas atitudes que vem tomando recentemente, pode dar continuidade a tentativas de influenciar testemunhas que irão depor na fase de inquérito da Operação Cui Bono, bem como contra pessoas próximas aos investigados e réus presos Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Lúcio Bolonha Funaro", afirma o juiz.

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Fonte: O Globo

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