Governo fará campanha para tentar conter feminicídios no Piauí

Coordenadora afirma que machismo é a principal causa da violência contra a mulher, e por isso precisa ser combatido com urgência.

10/07/2017 13:44h - Atualizado em 10/07/2017 14:37h

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O Governo do Estado vai realizar uma grande campanha de conscientização com o intuito de tentar conter o crescimento dos casos de feminicídio.

Na manhã desta segunda-feira (10) gestores de diversos órgãos públicos reuniram-se para tratar sobre o problema.

O encontro ocorreu na sede da Supres (Superintendência de Relações Sociais), e contou com a presença da vice-governadora Margareth Coelho, bem como de representantes da Coordenadoria de Estado de Políticas para as Mulheres do Piauí (CEPM-PI), da Secretaria Municipal de Política Públicas para Mulheres, da Ouvidoria-Geral do Estado, da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc), da Secretaria de Governo e da Casa Abrigo Mulher Viva de Teresina.

Além da realização da campanha, também ficou decidido na reunião que será reinstalada a Câmara Técnica de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, e  será feita, ainda, uma capacitação dos profissionais que atuam na rede de atendimento às mulheres vítimas.

Para a vice-governadora, por ser um tipo de violência que, em geral, acontece no seio familiar, o Estado precisa ter uma atenção especial para resolver o problema.

"Essa comunhão de trabalho é necessária para que possamos enfrentar esse tipo de violência que, na grande maioria das vezes, acontece dentro da casa da própria mulher ou mesmo dentro do quarto dela. Então, a gente precisa ter pernas para andar em todos esses espaços onde está havendo violência contra a mulher", pondera Margareth Coelho.

Margareth Coelho diz que trabalho conjunto entre os órgãos públicos e a sociedade é essencial no combate á violência contra a mulher (Foto: Ascom / CEPM-PI)

Haldaci Regina da Silva, titular da Coordenadoria Estadual de Políticas para Mulheres, observa que o estado do Piauí está se destacando negativamente no país com o aumento do número de feminicídios. Ela acredita que apenas uma mobilização conjunta poderá reverter essa situação.

"A gente quer fazer uma ação coletiva para diminuir esses crimes. A gente sabe que uma política institucionalizada não vai, sozinha, diminuir o feminicídio, mas ela pode contribuir para isso. Há a necessidade de que a própria sociedade se conscientize, que seja implantada uma outra forma de educação dentro e fora das escolas, para que a população saiba quais são as causas do feminicídio", afirma Haldaci Regina.

Haldaci Regina, coordenadora estadual de Políticas para Mulheres (Foto: Assis Fernandes / O DIA)

A gestora ressalta que o machismo é a principal causa da violência contra a mulher, e que, portanto, esse comportamento precisa ser gradativamente extirpado da sociedade, o que deve ocorrer em paralelo à punição exemplar dos crimes com motivação de gênero.

"O agressor, ao matar uma mulher, ele não se dá conta de que está matando, na verdade, várias mulheres, porque várias mulheres começam a ficar amedrontadas, sem saber se podem ou não confiar nos seus companheiros. E a gente não quer que essa seja uma cultura histórica", destaca Haldaci.

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Por: Cícero Portela

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