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Freitas Neto: “O grande erro de Lula foi dividir o país

O ex-governador e empresário Antônio de Almendra Freitas Neto foi eleito na última segunda-feira (19) presidente do Conselho Deliberativo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Piauí, cargo que deve ocupar até 2022.

24/11/2018 08:00h

 


Em entrevista a O DIA, ele comentou que a entidade tem um papel importantíssimo para a economia do Brasil, sobretudo em momentos de crise como o que o país vive nos últimos anos. Com vasta experiência no meio político, Freitas Neto também já foi senador, deputado federal, deputado estadual e prefeito de Teresina, mas afirma que não pretende mais se candidatar a nenhum cargo eletivo, embora seu nome tenha sido cogitado pelo PSDB para ser o vice de Luciano Nunes (PSDB) na disputa pelo Governo do Estado no pleito deste ano. O novo presidente do Sebrae Piauí fala, ainda, que o grande erro político que o ex-presidente Lula cometeu foi dividir o país entre “nós” e “eles”, o que acabou, segundo o Freitas Neto, contribuindo para o fortalecimento de Jair Bolsonaro (PSL), por quem o ex-governador diz torcer para que faça um bom governo, promovendo a reconciliação entre os brasileiros que têm opiniões políticas divergentes. 

1. Qual sua expectativa para seu mandato como presidente do Conselho Deliberativo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Piauí?

Veja bem. O Sebrae, tanto a nível nacional quanto a nível estadual, vem prestando um serviço muito grande na área de apoio ao pequeno e ao microempreendedor, ao microempresário, ao pequeno empresário. Faz um trabalho muito bom, é reconhecido nacionalmente e também, felizmente, é reconhecido aqui no estado do Piauí. Eu mesmo conheço, já tive a oportunidade de participar de alguns projetos, de fazer palestras dentro de programas que foram feitos em gestões passadas. O Sebrae tem tido muita felicidade com os presidentes que teve, com as diretorias que teve, e, realmente, não será difícil a gente tocar esse bom tipo de serviço que eles vêm prestando aqui. A primeira coisa que nós vamos fazer é procurar os programas que estão em andamento e verificar a situação de todos eles. Isso todo mundo que assume uma função deve fazer isso. Verificar as perspectivas, verificar as demandas do pequeno e do médio empreendedor. E procurar atender da melhor maneira possível. Com a equipe técnica que tem o Sebrae – e eu conheço de perto –, não tem muita dificuldade de você levar à frente o bom trabalho que ele vem fazendo até hoje.


2. A crise econômica que assola o Brasil nos últimos anos fez com que muitas pessoas fossem levadas a abrir o próprio negócio. Essas dificuldades enfrentadas pelos brasileiros podem ser vistas por esse lado positivo?

O apoio do Sebrae é importante sempre, principalmente num momento como esse. Nós sabemos que a crise econômica afetou bastante o setor produtivo. Nós tivemos três anos seguidos de recessão e depois nós voltamos a empatar. Quer dizer, praticamente não crescemos, ficamos com um crescimento do PIB próximo do zero, e agora estamos crescendo muito pouco. Todo mundo sabe que o Brasil precisa passar por muitas mudanças. Por exemplo, nessa área econômica é preciso fazer uma reforma tributária, melhorar o ambiente de negócios em todo o Brasil, inclusive no Piauí. E o Sebrae é fundamental nessa tarefa de adestrar as pessoas, de preparar, de formar, de melhorar o desempenho e de orientar as pessoas que queiram empreender por conta própria. Sem dúvida nenhuma, esse é um papel fundamental do Sebrae. Agora, quando o cenário econômico é alvissareiro, é de crescimento, melhor para a vida de todos. Atinge a todos de uma maneira geral: o setor produtivo, o micro, o pequeno, o médio e o grande são atingidos. O setor melhora como um todo quando a economia funciona bem. Daí a minha torcida para que a futura equipe econômica possa colocar o Brasil de volta à sua rota de crescimento, porque isso facilitará a vida de todos. 


3. O Senhor já tem um levantamento de como o Sebrae atua em socorro dos micro e pequenos empresários?

Um levantamento minucioso não, porque eu fui eleito ontem [a entrevista a O DIA foi feita em 20 de novembro], e não tive ainda um contato com essas informações. Eu até marquei [uma reunião] e provavelmente esta semana ainda eu já tenha um contato com a diretoria atual do Sebrae, quando eu poderei conhecer tudo o que está em andamento, as demandas, o que está planejado para os próximos anos, e aí nós vamos ver essas minúcias. Mas eu sou um curioso da vida administrativa, da vida de negócios do nosso estado, e sei mais ou menos como o Sebrae atua, adestrando, preparando e orientando as pessoas que querem colocar um empreendimento. O Sebrae orienta desde o projeto, depois prepara as pessoas para o dia-a-dia do negócio, e ainda acompanha, para que a pessoa possa tocar o seu próprio empreendimento. Agora, os detalhes nós vamos verificar nas próximas semanas. Embora a nossa posse seja apenas em janeiro, no dia 18, eu já marquei com a diretoria esse encontro. 


4. Aqui no Piauí, cada região tem suas peculiaridades e suas potencialidades naturais e econômicas. O Sebrae considera isso em seus projetos?

Sim, porque, evidentemente, a gente tem que buscar a vocação. É mais adequado que você procure estimular negócios de acordo com a vocação da região. Por exemplo, no litoral o Sebrae incentivou o projeto “Rota das Emoções”, e eu participei de alguns seminários, preparando o pessoal dessa região. Foi feita uma sensibilização dos moradores de municípios no norte piauiense, para que eles pudessem explorar de uma maneira mais racional os potenciais de cada cidade. 


5. O Senhor, como economista, concorda com a recente declaração do presidente eleito Jair Bolsonaro, de que foram os economistas que quebraram o Brasil?

Não. Seria valorizar demais uma classe, dizer que ela tem força para quebrar um país do tamanho do Brasil. 


6. Que expectativa o Senhor tem com relação aos próximos governos federal e estadual, que serão comandados por dois políticos antagônicos?

Bom. O presidente Bolsonaro já disse claramente que ele não vai perseguir uma unidade da federação pelo fato de o governador não ser do seu partido [PSL] ou não estar de acordo com a orientação ideológica dele. E é bom que assim seja. Eu, por exemplo, quando era governador, não condenava um município porque o prefeito era de um partido adversário do meu – lembro que até meu partido à época se queixava um pouco. E é bom que assim seja. A economia é muito mais ditada pelo Governo Federal. É claro que na economia existem crises cíclicas que, às vezes, nenhum governo resolve. Mas eu acho que no Brasil nós não saímos dessa crise porque nós erramos no início dela. A equipe econômica de então errou no tratamento da crise. Quis provocar um crescimento artificial. Mas você não deve agredir a economia, você tem que respeitar suas nuances. Naquele momento a presidente Dilma [Rousseff] fez foi apertar no acelerador das despesas, quando você tinha era que conter despesas. Dizia-se: “Ah, nós vamos gastar para poder debelar a crise”. Não é bem assim. Se assim fosse, era muito fácil você combater uma crise. De modo que eu espero que o presidente Bolsonaro acerte. Ele tem escolhido pessoas de peso. O ministro da Economia, que terá muitos poderes, ele é conhecido como um empresário de sucesso. Ele não tem, a meu ver, vivência na vida pública, mas isso ele pode adquirir, e eu tenho a expectativa de que ele acerte, porque seu papel é fundamental. Com a força que está sendo dada ao ministro Paulo Guedes, ele precisa acertar. Ele será ministro da Economia, e vai ter mais força do que os atuais ministros da Fazenda e do Planejamento tiveram. 


7. Mesmo depois de eleito, Bolsonaro continua sendo rejeitado por uma grande parcela da população. O Senhor tem algum receio de que essa discordância prejudique o país?

Olha, o presidente Lula foi um bom presidente no primeiro mandato. Eu, aliás, era um admirador dele, porque um nordestino que sai lá do interior de Pernambuco, chega a São Paulo como retirante e se torna presidente da República, nós temos que tirar o chapéu. Até como nordestino, eu me orgulhava disto. Mas já no final do primeiro mandato, a meu ver, ele cometeu alguns erros. E o grande erro político que ele cometeu foi pregar essa divisão entre “nós” e “eles”, entre “pobre” e “rico”, “norte” e “sul”, “preto” e “branco”. O Lula dividiu muito o país. O grande erro do presidente Lula foi esse. E isso teve consequências, porque ele era um líder muito forte do ponto de vista popular, e ele usou essa liderança de uma maneira errada, equivocada, e que prejudicou o país. E o Bolsonaro é um fruto do Lula, é um produto dele. Quer dizer, ele terminou gerando uma reação muito forte no país. Agora, com o Bolsonaro assumindo o governo, eu espero que ele procure realizar uma conciliação nacional, porque um país dividido tem dificuldades. Nós não podemos estar dessa maneira. A própria campanha foi uma coisa horrorosa. Se você desse sua opinião, você perdia até amigos, tinha briga com familiares. Então, isso não é normal. Eu tive um tio-avô que foi governador do Piauí, chamado coronel Pedro Freitas, e seu governo foi conhecido como o governo da conciliação. Naquele tempo havia o PSD e a UDN, e quem era de um partido não passava na calçada e quem era do outro partido. Eram inimigos. E a grande obra do coronel Pedro Freitas foi fazer essa conciliação. Quando ele terminou seu governo o Piauí estava mais ou menos pacificado. Então, acho que nós precisamos todos nós buscar isso. Eu, por exemplo, já ocupei muitos cargos na política, e minha maior honra é não ter colecionado nenhum inimigo. Eleição é eleição. Deixa as pessoas votarem em quem quiserem, mas não vamos levar para o pessoal. Não vamos prejudicar um estado, um município, um país, por questões de natureza político-partidária. 


8. O seu nome foi cogitado para ser candidato a vice-governador nas eleições deste ano, o que acabou não ocorrendo. O senhor pensa em continuar participando ativamente da política? Disputaria cargos eletivos nos próximos pleitos?

Na política partidária não. Eu acho que a minha missão nesse campo está cumprida no Piauí. O povo do Piauí já me deu mais do que aquilo que eu esperava ter. Sou muito grato e muito orgulhoso de todas as funções públicas que exerci no estado. Eu estou sempre atento aos interesses do Piauí, à vida administrativa e até à vida política do Piauí. Se eu puder colaborar eu colaborarei, mas não penso nunca em ser candidato a mais nada.


9. Como fica sua situação no PSDB, agora que o partido passa por uma crise sem precedentes, tanto em nível local como no âmbito nacional?

O PSDB errou muito no plano nacional, com brigas de vaidades entre as suas maiores lideranças, e terminou tendo um desempenho muito ruim, muito abaixo da altura do partido. De modo que ele tem que se refundar, no nível nacional e em todos os estados do Brasil.


10. Na sua opinião, o partido deve ter que postura em relação ao governo Bolsonaro (oposição, base ou independente)?

Naturalmente, o PSDB tem que pensar em contribuir com o país. Eu sou contra fazer oposição sistemática. Você analisa os projetos do governo, e os que merecerem apoio devem ser apoiados. Aqueles, realmente, que são condenáveis, se o partido achar que não está condizente com os interesses do país, o partido deve combater.


11. O senhor foi um dos que contribuíram na elaboração da “Carta do Progressistas”, que o senador Ciro Nogueira entregou ao governador Wellington Dias, com um conjunto de sugestões administrativas. Na sua visão, qual ou quais das medidas elencadas precisam ser implantadas com mais urgência, para que o estado possa continuar sustentável nos próximos anos?

Isso quem disse foi o Ciro, que eu fui um dos signatários da carta, não foi? A meu ver, o senador Ciro apresentou essa carta para contribuir com o Governo do Piauí e, consequentemente, com o próprio estado. O que diz a carta? Diz que o partido conhece a conjuntura econômica nacional, que é de grandes dificuldades, assim como a conjuntura estadual. Tem um déficit da Previdência acima de R$ 1 bilhão por ano, e o partido [Progressistas] acha que é preciso racionalizar a administração pública estadual. Ele entende, por exemplo, que diversos órgãos – secretarias e coordenadorias – estão fazendo as mesmas coisas. Então, se você tem um órgão pra atender determinado objetivo, pra que ter outro? Só pra gastar um dinheiro que você poderia aplicar em segurança pública, em educação e em infraestrutura? É isso o que a carta questiona. Naturalmente, o governador, sem dúvida nenhuma, vai observar essa carta, e ele mesmo, que está terminando de cumprir seu terceiro mandato, conhece bem a realidade do Piauí, conhece a conjuntura econômica nacional, e sabe que para governar sem atrasar salários, atendendo a segurança, atendendo a educação e atendendo a saúde, ele precisa racionalizar a gestão. O governador Wellington Dias e acredito que ele vai fazer, sim, uma adequação da estrutura do Governo do Estado à realidade política e econômica atual. Essa é a sugestão que está na carta do senador Ciro.

Por: Cícero Portela

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