'Espero que não seja pirotecnia', afirma petista Dudu sobre prisão de Temer

Temos visto muitos serem presos e dias depois serem soltos, alguns até flagrados com malas de dinheiro'

21/03/2019 12:04h - Atualizado em 21/03/2019 13:27h

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O vereador Edilberto Borges Dudu (PT) comentou a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), realizada na manhã desta quinta-feira (21), pela Polícia Federal.

Em entrevista ao portal O DIA, por volta das 12h30, o petista disse que ainda estava na Câmara quando soube da prisão do emedebista, e que ainda não tinha tido tempo de se informar sobre detalhes, como as acusações que motivaram o mandado judicial.

Dudu afirma que, se for comprovada a participação de Temer em crimes, a prisão é justa. Mas voltou a fazer críticas ao comportamento do Ministério Público Federal, que, segundo o vereador, tem agido de forma esdrúxula em muitos casos. 

O parlamentar citou a recente proposta de criação de uma fundação privada, que seria destinada ao combate à corrupção, para administrar um depósito de R$ 2,5 bilhões da Petrobras, cujo pagamento foi imposto à estatal brasileira por autoridades norte-americanas, a título de indenização pelos danos causados a investidores nos Estados Unidos, em função da crise em que a empresa mergulhou após a Operação Lava Jato ser deflagrada.

"Eu espero que a prisão dele seja embasada em fatos concretos, fatos reais, que não seja só pirotecnia, para mais uma vez tirar o foco de algumas questões que precisam ser observadas, como a proposta [feita por procuradores da República] para criação de um fundo bilionário que seria administrado pelo Ministério Público Federal", afirmou Dudu.

O vereador Edilberto Borges Dudu alfinetou Ministério Público ao comentar prisão do ex-presidente Michel Temer (Foto: Moura Alves / Arquivo O DIA)

Dudu também lembrou que muitos presos no âmbito da Operação Lava Jato, inclusive alguns que "foram pegos com malas de dinheiro", foram soltos dias depois. E espera que isso não se repita com Temer. 

O ex-presidente Temer responde a dez inquéritos, e o que motivou sua prisão trata do suposto pagamento de R$ 1 milhão em propina pela Engevix, em troca de ajuda no fechamento de um contrato com a Eletronuclear, num projeto da usina de Angra 3. 

O pagamento a Temer teria sido solicitado pelo coronel João Baptista Lima Filho, amigo do emedebista, e por Moreira Franco, ex-ministro de Minas e Energia, que também foi preso pela PF na manhã desta quinta-feira. 

As prisões foram determinadas pelo juiz federal Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, responsável por ações de desdobramento da Operação Lava Jato.

O ex-presidente Michel Temer (Foto: Lula Marques)

Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Temer assumiu a Presidência da República em maio de 2016, depois do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Além de vice-presidente por cinco anos e meio, Temer foi presidente da Câmara dos Deputados, secretário da Segurança Pública e procurador-geral do estado de São Paulo.

Temer já tinha sido alvo de duas denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República, mas o então presidente conseguiu barrar o prosseguimento das apurações no Congresso Nacional, que tem a competência para autorizar o julgamento de chefes do Poder Executivo nacional - seja pelo Senado (em crimes de responsabilidade) ou pelo Supremo Tribunal Federal (em crimes comuns).

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Por: Cícero Portela

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