Dilma diz que história foi 'severa e implacável' com Temer, Aécio e Cunha

Ex-presidente Lula afirmou que Brasil 'chegou ao fundo do poço'

06/07/2017 09:58h

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Em evento de posse da senadora Gleisi Hoffmann (PR) para presidente nacional do PT, a ex-presidente Dilma Rousseff criticou o que chamou de "lideranças do golpe" e disse que a história foi "severa e implacável" com figuras como o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), além do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), que está preso. A petista também disse, na noite desta quarta-feira, em Brasília, que o impeachment "caminha a passos largos para a ruína".

A história está sendo severa e implacável para com os líderes do golpe, e todos aqueles que sustentaram o golpe: Aécio, Temer, Cunha e todos aqueles que buscaram o impeachment para destruir direitos sociais, para estancar a sangria e ao mesmo tempo para implantar no nosso Brasil todo um processo de desconstrução dos direitos que tínhamos deixado como legado - disse Dilma, acrescentando ainda que, se durante o impeachment o uso da expressão "golpe" era "mera especulação", hoje "é um fato".

Último a discursar no evento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil chegou "ao fundo do poço" sob a gestão de Michel Temer.

"Chegamos ao fundo do poço, e quando um poço seca no Nordeste ele vai voltar a dar água, mas vai demorar para caramba. Do jeito que está a economia, a política fiscal, caindo arrecadação nesse país, desemprego, eles podem até anunciar crescimento, mas vai ser difícil a volta da geração de emprego nesse país", disse Lula.

O petista afirmou ainda que "não admite" que se diga que o PT não apoia o combate à corrupção. Segundo ele, o partido é contra aqueles que fazem "pirotecnia" em vez de apurar eventuais ilícitos cometidos.

"Não admito alguém dizer que o PT é contra o combate à corrupção, somos contra é que se deixe de apurar corrupção e faça pirotecnia, achando que são os donos da verdade", criticou.

Entre críticas a Aécio Neves e à imprensa, Lula afirmou ainda que, se os seus adversários quiserem assumir o país de forma legítima, "que ganhem no voto". Diante da crise política que enfrenta o governo Temer, o ex-presidente disse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - que assume a cadeira da presidência caso Temer seja afastado - já "está se preparando" para ocupar o lugar de Temer, mas que "golpista é golpista":

"ertamente Rodrigo Maia já deve estar se preparando para ser o próximo presidente da República, o seguidor do golpe, e não podemos achar que um golpista é melhor do que outro. Golpista é golpista", afirmou.

Em seu discurso, a ex-presidente Dilma também saudou a presença do senador Roberto Requião (PMDB-PR) no palco - ocupando lugar de destaque, logo atrás do ex-presidente Lula - e disse que "jamais esquecerá" a fala do correligionário de Temer quando o impeachment chegou ao Senado.

"Meu querido Roberto Requião, jamais vou esquecer as três palavras do Requião, que começa o discurso no dia que estava sendo julgado o meu impeachment: "canalhas, canalhas, canalhas", talvez um dos mais bonitos discursos do nosso Senado", afirmou a petista, sendo aplaudida por militantes do PT.


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Fonte: O Globo

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