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Deputados e entidades da saúde discutem déficit do Mais Médicos no Piauí

De acordo com Henrique Pires, o problema foi agravado com a saída dos profissionais cubanos do programa.

30/05/2019 16:08h

A Comissão de Educação, Cultura e Saúde da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) realizou na manhã desta quinta-feira (30) uma audiência pública para discutir a situação do programa Mais Médicos nos municípios piauienses. Segundo Henrique Pires (MDB), propositor do encontro que reuniu entidades ligadas à área da saúde, o quadro é preocupante, por conta das desistência de vários dos médicos selecionados no último edital.

De acordo com Henrique Pires, o problema foi agravado com a saída dos profissionais cubanos do programa. “A situação da saúde em vários municípios piauienses é gravíssima, faltando até médicos para atendimentos básicos. Tem pacientes sendo transferidos para Teresina com problemas que poderiam ser resolvidos lá, por um médico de atenção básica”, pondera o deputado.

Audiência pública aconteceu na manhã desta quinta-feira, na Assembleia Legislativa do Piauí (Foto: Assis Fernandes / O DIA)

Para o representante do Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi), José Almeida, a única forma de atrair esses profissionais para as cidades do interior é com concurso público e estruturando as unidades de saúde e hospitais. “O médico que trabalha no interior tem que levar material próprio para atender os pacientes. A única forma de fixar um médico no interior é se tivermos um Plano de Cargos e Carreiras, como tem um juiz e um promotor”, disse.

O representante do Conselho Regional de Medicina (CRM-PI), Walace Miranda, apontou a falta de estrutura como um dos motivos para o grande índice de abandono no Mais Médicos. "O problema é o médico sair de Teresina para atender e não ter estrutura, com os aparelhos quebrados, sem insumos para trabalhar, sem medicamentos, sem até lençol e comida. O médico é mais uma vítima, assim como os pacientes”, pontuou.

Saída dos médicos cubanos do programa do Governo Federal, que foi bastante comemorada pelo CRM-PI, deixou muitos municípios sem qualquer assistência básica (Foto: Assis Fernandes / O DIA)

O coordenador de Atenção à Saúde da Secretaria de Saúde, Hérlon Guimarães, sugeriu que o programa Mais Médicos tenha um cadastro de reserva, visando a substituição imediata dos profissionais que pedirem o seu desligamento do programa. Segundo ele, atualmente ocorre uma demora de até 90 dias para que essa substituição seja efetivada, prejudicando o atendimento dos pacientes.

A audiência foi comandada pela presidente da comissão, deputada Teresa Britto (PV), e contou com a presença de outros parlamentares, como Cícero Magalhães (PT). Lucy Soares (Progressistas) e Franzé Silva (PT).

Por: Breno Cavalcante

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