Denúncia de abuso ameaça mandato de Gil Carlos

Prefeito é acusado de usar a estrutura de poder da prefeitura e do goverdo do Estado para vencer as eleições 2016

14/06/2017 08:21h - Atualizado em 14/06/2017 08:35h

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O juiz Mauricio Machado Queiroz Ribeiro, da 20ª Zona Eleitoral de São João do Piauí, marcou para o dia 30 de junho, às 8h, audiência para ouvir testemunhas de acusação e de defesa na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que pede a cassação do mandato do prefeito de São João do Piauí, Gil Carlos Modesto (PT), e seu vice, Dante Quintans. A ação protocolada pela coligação “O povo é o poder”, que ficou em segundo lugar na disputa, acusa Gil Carlos de abuso de poder político e econômico, com captação ilícita de votos e conduta vedada a agente público.

 Prefeito de São João do Piauí pode perder o cargo. Audiências começam proximo dia 30. Foto: Elias Fontinele/ODIA

 Em 52 páginas, a ação descreve como o então candidato à reeleição, Gil Carlos, se utilizou da estrutura de poder da Prefeitura de São João do Piauí e do governo do Estado nas eleições. Também são citados na ação, além do prefeito e seu vice, outras nove pessoas que teriam cometido abusos nas eleições, incluindo secretários municipais, o então presidente do DER, José Dias, o então presidente da Fundespi, Vicente Sobrinho e o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, Francisco Limma. 

Segundo as acusações, o Governo do Estado promoveu uma série de obras no município no período eleitoral para beneficiar a candidatura de Gil Carlos. O município também teria recebido recursos de convênios do governo nos dias que antecederam as eleições. Um dos casos aconteceu na reforma do Parque 5 de Julho, ginásio de esportes que teve obras de reforma iniciadas pouco antes das eleições. De acordo com a denúncia, a Prefeitura recebeu em 13 de julho de 2016, R$ 299 mil referentes a primeira medição da obra, no entanto, segundo dados coletados no site do Tribunal de Contas, a licitação para a obra ocorreu apenas dia 15 de julho. Ou seja, a Prefeitura teria recebido recursos referentes a medição da 1ª etapa da obra, antes mesmo que alguma empresa estivesse contratada.

 “O que se viu em São João do Piauí nas eleições últimas foi a interferência desmedida do poder econômico e do poder político em prol da candidatura dos candidatos investigados, conduta esta que teve reflexos diretos na igualdade entre os candidatos concorrentes”, diz a ação. Entre outras irregularidades denunciadas na Aije estão atos de perseguição política a funcionários públicos e comerciantes adversários da gestão de Gil Carlos, pagamento de R$ 65 mil a empresa de comunicação institucional contratada em período vedado para publicidade, entre outras supostas transferências irregulares do Governo do Estado para a Prefeitura de São João do Piauí.

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Por: João Magalhães - Jornal O Dia

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