Delegados do interior fazem manifesto em frente ao Palácio de Karnak

Alguns deles são responsáveis, sozinhos, a até 8 cidades do interior. “Humanamente impossível”, diz delegado titular de Picos.

06/07/2017 12:47h - Atualizado em 06/07/2017 15:41h

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Segundo sindicato, delegados presentes no protesto respondem por cerca de cem cidades do Piauí (Foto: Moura Alves/ O Dia)

Dezenas de delegados da Polícia Civil se uniram hoje (6), em frente ao Palácio de Karnak, para reclamar das condições de trabalho que enfrentam diariamente em cidades do interior do Piauí. Os policiais afirmam que alguns deles têm que lidar com os crimes de até oito municípios ao mesmo tempo.

O delegado Jonatas Brasil, titular da delegacia de Picos, comenta que é responsável, junto com mais outros três, pelas demandas do município e de mais quinze cidades. “Destes três, cada um responde por Picos e mais cinco cidades”, explica. Segundo ele, essa condição torna o trabalho impossível, e obriga os delegados a trabalhar até cem horas além do regime normal de trabalho. “Nós por exemplo, que fomos empossados há menos de 2 anos, muitos estão com problemas de saúde, estressados... é corriqueiro com os delegados”, relata o delegado Jonatas.

Delegado Jonatas Brasil: "Humanamente impossível" (Foto: Moura Alves/ O Dia)

Ele é um dos delegados que entregou o chamado “cargo de confiança”, que seriam as cidades que a que os delegados se responsabilizam além daquela onde estão de fato lotados. Assim, com a entrega dos cargos de confiança, dezenas de cidades do interior do Piauí ficarão sem delegados. Eles argumentam que não são obrigados a aceitar a acumulação de municípios, tanto por não receberem nenhum valor a mais por isso e também por não ser possível atender à demanda.

“Como um ato de protesto, estamos aqui, vários delegados do interior do estado, e iremos entregar as funções de confiança para o governo”, disse a delegada Andrea Magalhães, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Piauí. Segundo ela, os cerca de 80 delegados que estiveram presentes em frente ao Palácio de Karnak na manhã de hoje correspondem à até cem cidades do Piauí. “E é por que em alguns casos, veio um e ficou um colega no lugar, para não desguarnecer. Não é nossa ideia fazer greve, paralisação. Mas também, ninguém é obrigado a ficar amarrado a cargo de confiança do Governo quando sequer ganhar mais por isso”, disse a delegada.

Delegada Andreia Magalhães mostra portões do palácio do governo trancados (Foto: Moura Alves/ O Dia)
Segundo Andreia, o manifesto de hoje é apenas o primeiro que serão realizados pela categoria. Os próximos passos são procurar lideranças comunitárias e trazer as demandas da população sobre segurança para a discussão. “Vamos fazer um verdadeiro mapeamento da violência”, disse.

Concurso

A delegada Andreia Magalhães criticou a abertura de concurso para Polícia Civil na última terça-feira (4). São 190 vagas para instituição, sendo 120 vagas para agentes, 40 para peritos, 20 vagas para delegados e 10 para escrivães. “Primeiramente anunciam concurso para 2019, vocês observaram esse detalhe?”

Para a delegada, a adição de 20 delegados nos quadros da Polícia Civil sequer repõe o número que deixou o serviço nos últimos anos. Em uma fala direcionada para o governador Wellington Dias, a sindicalista falou: “Com essas 20 vagas o senhor não vai conseguir suprir nem as aposentadorias e saídas desse último ano, quiçá dos últimos 14”.

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Edição: Nayara Felizardo
Por: Andrê Nascimento

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