CPI dos ônibus: Prefeitura não chega a consenso sobre relatório e vereadores criticam

Uma semana após o fim da CPI, Dr. Pessoa ainda não se pronunciou sobre o que fará a respeito do transporte da capital. Prefeito diverge de seu vice e do secretário de Planejamento.

31/08/2021 12:38h - Atualizado em 31/08/2021 12:46h

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Segue a polêmica envolvendo o transporte público da capital. Na manhã desta terça (31), durante sessão plenária, vários vereadores tanto da base, quanto da oposição, criticaram a falta de atitude da gestão municipal para resolver o problema da falta de ônibus em Teresina. Uma semana após o fim da CPI, o prefeito Dr. Pessoa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o que fará a respeito do transporte. 

Uma grande confusão entre o próprio prefeito, o vice Roberto Rios e o secretário de planejamento João Henrique Sousa se criou: cada um defende uma alternativa. Fora dos holofotes Dr. Pessoa atacou João Henrique após ele mesmo revelar que o secretário iria apresentar uma alternativa. 

Pessoa defende a municipalização de 51% da frota, Robert e João Henrique já revelaram que pretendem sentar e discutir com os empresários os novos termos para o funcionamento do Transporte Público, ambos divergem do relatório apresentado pela CPI do Transporte Público na Casa. A comissão recomendou o rompimento do contrato com os empresários. 


Dr. Pessoa vem divergindo de sua equipe sobre a solução para o transporte coletivo de Teresina - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Dudu Borges, presidente da CPI, criticou a medida e afirmou que a iniciativa não dará certo. “Não funcionou nos últimos cinco anos, não funcionou nesses oito meses, não vai funcionar nos próximos. Pode até ter uma enganação, mas não vai funcionar e disso eu tenho convicção. Se o Executivo optar por continuar esse contrato da forma que está, não vai funcionar”, disparou o parlamentar.

Dudu acrescentou ainda que não ficará frustrado caso o Executivo Municipal não siga a recomendação da CPI e rompa o contrato com os empresários. Frustração, ele diz, ficará se o problema não for resolvido. “Apontamos sugestões para resolver e ela seria ruptura com a chamada de um contrato de licitação de emergência, mas se tiver outro tipo de encaminhamento, que resolva. Se tiver um paliativo, temos que rezar e pedir a Deus que resolva. Mas no molde que está sendo feito, não tem como continuar”, finalizou o vereador.

O presidente da CPI informou que vai enviar ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público Estadual e Federal os encaminhamentos da CPI para que esses órgãos possam apurar os termos dos contratos firmados entre os empresários e o poder público municipal bem como dar prosseguimentos às investigações de eventuais atos de improbidade administrativa.


Dudu diz que manter o contrato como ele é hoje não vai funcionar para trazer melhorias para o transporte da capital - Foto: Reprodução

Queda nos passageiros

O vereador Edson Mello criticou a queda vertiginosa de quase 200 mil passageiros no sistema e cobrou uma solução da Prefeitura. Para o parlamentar, a CPI do Transporte Coletivo de Teresina “focou no espelho retrovisor” enquanto é preciso “olhar para frente” e tentar trazer o transporte da capital de volta à normalidade.

“Tinha 300 ônibus rodando, quase 250 mil passageiros por dia sendo transportados e hoje temos uma média só de 40 mil. Isso é grave, a população está sofrendo, pagando caro para ir e vir. Não é possível ficar com menos da metade dos ônibus e menos da metade dos passageiros usando o sistema”, criticou Edson Mello.

O parlamentar não acredita que a suspensão do contrato resolva o problema uma vez que nenhuma empresa vai ter interesse em vir para operar o sistema. Edson Mello afirmou também a municipalização, como vem propondo Dr. Pessoa, não será a solução para o transporte da capital. “Eu não creio em soluções mágicas. O que deve ser feito é a Prefeitura sentar com os empresários, ter poder, obrigar, dar ordem de serviço e monitorar a bilhetagem eletrônica, a quilometragem para que o sistema volte a funcionar”, finalizou o parlamentar.

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