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Colocado por Doria, novo chefe do PSDB paulista seguirá cartilha do governador

O PSDB paulista quer eleger mais de 200 prefeitos no ano que vem, num estado de 645 cidades – hoje 176 são administradas pelo partido.

12/05/2019 17:14h

Em um sábado de julho de 2017, Marco Vinholi (PSDB) embarcou para a China em uma missão da comissão de relações exteriores da Assembleia Legislativa de São Paulo. No voo, o então deputado estadual de primeiro mandato encontrou o então prefeito João Doria (PSDB) e aproveitou para pedir uma conversa com o líder em ascensão de seu partido.

Hoje aos 34 anos, Vinholi não esconde que é 100% Doria. Foi por influência do agora governador de São Paulo que o ex-deputado foi eleito no último domingo (5) presidente do PSDB paulista – sem concorrentes. Doria também é chefe de Vinholi, nomeado secretário estadual de Desenvolvimento Regional. A pasta é responsável por atender demandas dos municípios e liberar recursos aos prefeitos.

Embora negue sobreposição de funções, o tête-à-tête com prefeitos e os giros pelo interior também serão atividades de Vinholi no comando do tucanato paulista.

O PSDB paulista quer eleger mais de 200 prefeitos no ano que vem, num estado de 645 cidades – hoje 176 são administradas pelo partido. A recondução de Bruno Covas (PSDB) na prefeitura da capital é outra prioridade.

Marco Vinholi foi eleito presidente do diretório estadual do PSDB em São Paulo (Foto: Divulgação)

"Como regra geral, o PSDB terá candidato próprio em todos os municípios do estado. Para não ter um candidato próprio, tem que passar aqui pela executiva e temos que autorizar", diz Vinholi.

Em entrevista à Folha, o secretário de Doria e presidente estadual do partido revela a estratégia de buscar novas filiações, inclusive de pré-candidatos em grandes centros –algumas já estão acertadas. "Queremos os melhores. Ter bastante gente nova no PSDB, focando em jovens e mulheres."

O próprio Vinholi se filiou jovem, aos 19. A trajetória foi guiada pelo pai, Geraldo Vinholi (PSDB), deputado estadual em quatro legislaturas e prefeito de Catanduva, a 400 km da capital, de 2013 a 2016.

Vinholi, o filho, é nascido em São Paulo e foi presidente do centro acadêmico da PUC, tendo militado na União Estadual dos Estudantes (UEE) e na União Nacional dos Estudantes (UNE), sempre como oposição à esquerda.

Depois de ocupar cargos no PSDB, sua primeira função pública foi de presidente do fundo social de Catanduva, sob a gestão do pai. Em 2015, foi diretor da Secretaria de Desenvolvimento Social do estado e coordenou o programa Vivaleite.

Agora, para recuperar o partido do baque das eleições presidenciais de 2018, Vinholi se volta novamente ao interior, onde o PSDB tem capilaridade e raízes fincadas em 24 anos à frente do governo paulista.

O poder da máquina, de firmar convênios com os prefeitos, não será um trunfo, diz o secretário. "É um poder que é técnico, não tem qualquer olhar político dentro disso."

O governo prepara para o próximo mês um seminário de gestão pública a todos os prefeitos "para passar essa visão nova do governo Doria". "Façam reunião, reduzam custeio, a reforma da Previdência é fundamental para que a gente possa ter melhora no quadro econômico do país", exemplifica Vinholi, como se falasse aos prefeitos.

Vinholi recebeu a reportagem na sede estadual do PSDB, no bairro nobre dos Jardins, em imóvel antes ocupado pela campanha de Doria (e decorado nos tons de cinza que o governador levou ao Bandeirantes).

Naquele dia, o secretário acabara de fazer um anúncio importante. O governo havia liberado R$ 30 milhões a 167 municípios para obras de infraestrutura. Segundo o secretário, a ação é para saldar uma dívida do governo anterior, de Márcio França (PSB).

Para abrir o bolso, porém, o governo Doria quer contrapartidas. "Estamos com uma visão de pactuação de resultados, então a prefeitura que avançar nos principais índices vai ter acesso a mais recursos. É um modelo de meritocracia", diz o secretário.

De porte atlético, olhos azuis e cabelos espetados, Vinholi tem o hábito de correr –já participou até da São Silvestre. Também gosta de frequentar rodeios e festas agropecuárias, mas os hobbies ficarão comprometidos com a agenda apertada.

Vinholi é o mais novo entre os jovens que moldam a nova cara do PSDB –uma restruturação feita sob a batuta de Doria, que deve se consolidar com a eleição do ex-deputado Bruno Araújo (PE), 47, para a presidência da sigla no fim do mês.

Também nesse aspecto, Vinholi segue a cartilha do chefe: quer um PSDB liberal na economia e nos costumes, que defenda a privatização e seja de centro, sem ser em cima do muro. "Centro é ter essas posições equilibradas e não ter posição."

Mudar de nome? Fundir com outras siglas? "Sou aberto, sou contra os dogmas colocados para a modernização do PSDB."

Vinholi repete a ideia usada por Doria para acalmar as cabeças brancas do PSDB que temem uma guinada para longe da social-democracia: "Respeitar o legado, mas olhar com coragem para o futuro".

O presidente tucano de SP diz ainda que o partido terá que enveredar por um combate ético e moral, definir punições e aplicá-las, mas sem "fulanizar". Ele escapa de responder sobre casos concretos como os dos ex-governadores Aécio Neves ou Beto Richa.

O tom pacificador é para fugir de polêmicas e evitar ruídos –a última coisa que Vinholi quer é atrapalhar os planos de Doria, diretamente ligado na disputa ao Palácio do Planalto em 2022.

Também por ser da tropa de choque do governador, Vinholi se tornou líder do PSDB no primeiro mandato. "A gente foi, os deputados, à prefeitura visitar ele. Fizemos um movimento pedindo para que ele fosse candidato a governador", afirma, sem admitir que Doria sonhou e trabalhou pela Presidência em 2018.

Na campanha de Doria ao governo, Vinholi esteve em eventos e na articulação. Era dos mais empolgados na plateia das emissoras durante os debates de TV, puxando aplausos, gritos de apoio e até vaias aos adversários.

Vinholi foi eleito deputado estadual suplente em 2014 e obteve uma vaga em 2017. Ele, porém, só assumiu o mandato graças a uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral. Isso porque, em 2015, a Justiça Eleitoral de SP havia cassado sua diplomação e o declarado inelegível por oito anos por causa de uma propaganda veiculada em julho de 2014 pela Prefeitura de Catanduva, comandada por seu pai.

O tribunal considerou que 50 mil panfletos sobre "Mais 45 obras em andamento", além de outdoors, anúncios no rádio e no jornal local, configuravam abuso de poder. A decisão mostra que a prefeitura manipulou a quantidade de obras para chegar a 45, número do PSDB nas urnas.

Em março passado, porém, o TSE reverteu o entendimento e, por 5 a 2, considerou que as propagandas não tinham referência às eleições. Vinholi ainda venceu outra ação eleitoral e uma ação popular referentes ao pleito de 2014.

Em um outro caso, em 2016, ele e o pai foram condenados em segunda instância por improbidade administrativa. Os recursos a tribunais superiores estão parados até que o Supremo decida casos semelhantes de repercussão geral.

Neste caso, a pena de perda de direitos políticos por cinco anos só é executada após o trânsito em julgado. O processo trata da presença de Vinholi ou de faixas dele em eventos oficiais da prefeitura mesmo quando ele já não era presidente do fundo social. O intuito seria promovê-lo em ano de eleição.

"Quantos candidatos tem no estado com o número 45? Não tem cabimento. Eu tenho certeza que não me favoreceu", justifica Vinholi. O secretário quer deixar claro que a improbidade se refere a uma propaganda e não a nenhum desvio de dinheiro.

Seu pai, Geraldo Vinholi, foi alvo de outras ações de improbidade e não foi reeleito em 2016. É atualmente secretário em Barueri, na gestão de Rubens Furlan (PSDB).

Fonte: Folhapress
Por: Carolina Linhares e Joelmir Tavares

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