Cientista Político aponta dificuldades enfrentadas nos 100 primeiros dias

Vitor Sandes analisa Governo Federal e Estadual. No caso do Piauí, o especialista ressalta que é improvável haver rupturas na base aliada do governo.

10/04/2019 06:48h

Compartilhar no

Nessa quarta-feira (10), o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) chega à marca simbólica dos 100 dias, período que foi marcado por diversas polêmicas, como queda de ministros e dificuldades no relacionamento com poder legislativo. Os três primeiros meses também foram marcados pela queda na aprovação de Jair Bolsonaro, que, de acordo com a última pesquisa Datafolha, está em 32%. 

Na avaliação do cientista político Vitor Sandes, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal do Piauí- UFPI, o maior entrave do governo Bolsonaro é o relacionamento com o Congresso Nacional, o que pode gerar dificuldade na tramitação de matérias consideras prioritárias. 

“O governo Bolsonaro propôs fazer um governo negociando com as bancadas temáticas. Ele mesmo admitiu que não funcionou e fez uma nova rodada de negociação com os presidentes de partido e os líderes partidários. Você só consegue governar se tiver o apoio das lideranças partidárias. Ele montou o gabinete, ou seja, a composição dos ministérios, de maneira muito errática, trouxe muitos militares, outros ministros sem filiação partidária. Então, é  muito difícil gerar um compromisso dos lideres partidários com o governo”, avalia.


Cientista político, Vitor Sandes analisa os primeiros dias de gestão - Foto: O Dia

Ainda de acordo com Vitor Sandes, a tramitação da Reforma da Previdência deve gerar ainda mais desconfortos entre a base de apoio de Bolsonaro. “Uma reforma como essa demanda votação em dois turnos, com maioria qualificada, e para isso é necessário um apoio muito sólido. Então, o custo para que os deputados e senadores apoiem essa reforma é muito alto”, pontua. 

Governo Wellington Dias

Sobre os 100 primeiros dias da quarta gestão de Wellington Dias à frente do governo do Piauí, o cientista político Vitor Sandes afirma que a tendência é que não ocorram rupturas na base aliada, e que o executivo não tenha grandes dificuldades para implementar medidas consideradas impopulares. 

“Mesmo com medidas impopulares, como reforma administrativa e corte de cargos, Wellington Dias não deve ter grandes dificuldades para governar nesse primeiro ano. O bloco partidário que sustenta o governo vem sofrendo algumas oscilações ao longo do tempo, mas as peças  da configuração geral não mudaram. então, não teria uma razão para que ocorressem dificuldades, ainda mais porque é uma estrutura de poder que já perdura desde 2003, praticamente”, avalia o cientista político. 

Compartilhar no
Por: Natanael Souza - Jornal O Dia

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário