“PSDB tem obrigação de se recompor para voltar a ter presença”, diz Freitas Neto

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Dia, o ex-senador e ex-governador do Piauí Freitas Neto fez uma avaliação do cenário eleitoral em 2022.

03/05/2021 11:29h

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Em entrevista exclusiva ao Jornal O Dia, o ex-senador e ex-governador do Piauí Freitas Neto fez uma avaliação do cenário eleitoral em 2022. O político também avaliou o PSDB, citou Luciano Nunes e Silvio Mendes – que não é filiado ao partido – como nomes importantes para recomposição da sigla para disputas eleitorais no Piauí. Freitas falou ainda da sua relação com o partido e como atua no desenvolvimento dele. Apesar de ter se recusado a avaliar os quatro primeiros meses de gestão do prefeito de Teresina, Dr. Pessoa (MDB), ele ressaltou a necessidade de oferecer à cidade um modelo que a população abrace, que, segundo ele, foi proporcionado pelos psdbistas. Freitas Neto, que também é diretor na FIEPI, comentou ainda sobre o setor empresarial, que vem sofrendo com a pandemia da Covid-19. Veja a entrevista completa.

A gente tem vivido um movimento político muito grande no Piauí, inclusive, uma quase pré candidatura do senador Ciro Nogueira. Comisso, começa as conversações para as eleições do próximo ano. O senhor é muito ligado ao PSDB. 

Qual seria o destino do partido sob sua orientação para o pleito de 2022?

Olha, eu acho que essas movimentações vão começar agora. O Piauí gosta muito de antecipar as coisas, é uma característica do Estado. Quando passa a eleição de governador, logo começa as movimentações para prefeito e vice-versa. Com isso, eu acho que até prejudica um pouco o foco central dos problemas do Estado, mas é a realidade do Piauí. A gente verifica que já existe, dos dois lados maiores, ou seja, governo e oposição, cada um tomando as suas posições. O governo já fala em um nome de um provável candidato e o senador Ciro

Nogueira provavelmente vai se colocar à disposição do seu partido e daqueles que querem entrar com ele no sentido de também de disputar o Governo do Piauí. Eu não sou dirigente e nem da executiva do PSDB, o presidente é o deputado Luciano, e ele de vez em quando me procura para trocar uma ideia mesmo eu não sendo mais político militante e é uma posição natural do PSDB marchar na oposição. O partido, portanto, passará por conversas, como, por exemplo, questões ligadas ao projeto de governo ou direcionamento de cada legenda, na questão do plano nacional, tudo isso deve interferir no posicionamento final do partido. Agora, respondendo à sua pergunta, como ele é um partido que perdeu para o governador Wellington Dias, ele ficou na posição aqui no Piauí e, claro, a posição mais natural dele é marchar com a candidatura de oposição.


(Foto: Elias Fontinele/ O Dia)

O partido teria nomes para indicar alguém como vice na chapa de Ciro Nogueira?

O partido reduziu muito. O PSDB, que tinha grande liderança com prefeito Firmino Filho, que sucedeu a Wall Ferraz e Silvio Mendes, ainda continua sendo admirado pelo grande prefeito que foi e sua memória sempre será lembrada. O PSDB é o partido mais forte da capital do Estado do Piauí – tão tal que teve prefeitos eleitos nas últimas quatro eleições. No entanto, é um partido que nunca soube se estadualizar. Quando o Wilson Martins foi presidente do PSDB, que depois sucedido por mim, nós ainda conseguimos fazer com que o PSDB marchasse rumo ao interior e se fortalecesse um pouco naquele tempo com o objetivo de ser um partido estadual.

Contudo, hoje, ele voltou a ser um partido de Teresina e, claro, que ele perdeu a prefeitura. Sem dúvidas nenhuma ainda tem um time forte aqui na capital e será um parceiro muito bom para quem precisar ser governador, pela força que tem e poderá manter na capital do Piauí.

Nas últimas quatro eleições o governador Wellington Dias venceu todas em primeiro turno. Uma possível disputa de um candidato de Wellington Dias, o senador Ciro Nogueira pode mudar esse histórico?

Sim, é claro, cada eleição tem a sua lógica e nunca acontece a mesma coisa, às vezes o resultado pode até ser o mesmo, mas é uma coisa que a gente só sabe quando os times entram em campo. Você verifica a composição com quem cada um marcha, você verifica também a qualidade dos candidatos, a capacidade do candidato transmitir segurança, esperança, a questão mesmo da imagem do candidato, tudo isso vai interferir na eleição de governador. Entretanto, o senador Ciro Nogueira teve a votação expressiva no Senado nas eleições de 2018 e é um candidato muito forte.
O senhor falou que esteve com Luciano Nunes, tratando sobre assuntos do partido. Até que ponto a morte do prefeito Firmino, enfraqueceu a sigla e quais são as estratégias a serem analisadas?

O PSDB não era forte no interior do estado, mas fortíssimo em Teresina. A liderança mais forte era o saudoso prefeito Firmino Filho. Evidentemente que ele não só fará falta como está fazendo à capital em si, como ao PSDB. Ele vai fazer muita falta. Fora que o partido fica na obrigação de seus dirigentes municipais, na figura do presidente Edson Melo, em até homenagem a história de Firmino, ele precisa lutar, se recompor, para ser uma sigla que volte a ter presença em Teresina e com essa presença ele possa ser definitivo na eleição de um próximo governador do Estado.

O senhor teria um nome mais próximo do que era Firmino? Quem seria?

O próprio Luciano é um nome, e o Silvio Mendes, que hoje não está filiado ao PSDB, mas todos nós sabemos que o Silvio é PSDB. Então dos que estão filiadas ao PSDB, sem dúvidas o Luciano é um nome. Das pessoas que não estão filiadas ao partido, tem o nome do Silvio Mendes.

O convite vai ser feito ao Silvio Mendes para retomar ao partido? O Kleber Montezuma é também um bom nome?

Não foi feito porque estamos respeitando esse período de luto. Temos também a deputado Lucy, que também não está filiada ao partido. O Kleber Montezuma também, ele que teve uma votação boa, não é muito político, como ele mesmo faz questão de dizer, mas ele é uma pessoa que pode ajudar na reestruturação do PSDB em Teresina, como a equipe administrativa do Firmino.

Há quatro meses Teresina não está mais sob administração do PSDB. Já é possível fazer algum tipo de avaliação da atual gestão?

Antigamente, a gente dizia que dava seis meses para o governante. Afinal de contas, ele assume, ele vai compor o seu governo, além de verificar os problemas que o município tem. Eu não gostaria de fazer julgamentos ainda a respeito do atual prefeito. Desejo como teresinense e como piauiense que ele faça uma boa gestão. Agora, eu tenho certeza que essa gestão do PSDB em Teresina e todas aqueles que adotaram o modelo do PSDB, que na capital sempre contou com grandes prefeitos, aquele modelo deu certo e por isso foi repetido. Isso tudo porque a população aprovava. Então, a atual gestão tem que oferecer a cidade um modelo que a população abrace.

O senhor também é ligado ao setor empresarial. Como o senhor avalia a condução de Wellington Dias nesse setor econômico tão atingido pela pandemia?

Essa é uma situação muito difícil para qualquer governante porquê, de um lado precisa verificar a vida, a questão de preservar a vida, já que esse vírus é traiçoeiro e de certa maneira desconhecido e todos os dias estamos perdendo pessoas. Então, é preciso redobrar os cuidados. Agora, por outro lado, tem a questão econômica. A nossa economia já é fragilizada. Vi uma entrevista, se não me engano, do presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, dizendo que lá os comerciantes não aguentam mais. Chegou ao limite do limite. Eu acho que a grande sabedoria do dirigente é encontrar essa medida. De preservar a vida, das recomendações dos órgãos nacionais e internacionais de saúde, mas que dê folego a economia. Um meio termo. Vários setores econômicos, como comércio, serviços, bares, restaurantes, turismo, estão praticamente fechando. É preciso equilíbrio e fiscalização rígida.


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