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“Nenhum governo federal deu atenção a policiamento", diz Cel. Carlos Augusto

O deputado estadual eleito esperava que governo Bolsonaro mantivesse o Ministério da Segurança Pública, mas diz torcer por boa gestão do presidente

05/01/2019 11:11h - Atualizado em 05/01/2019 11:33h

O DIA conversou o deputado estadual eleito Carlos Augusto, coronel que no último governo comando a Polícia Militar no Piauí. Durante a entrevista, o Cel. Carlos Augusto falou sobre como pretende utilizar sua experiência com segurança pública no exercício do mandato de deputado estadual e informou que tudo deve levar a Fábio Abreu assumir novamente o comando da Segurança Pública. O deputado eleito criticou ainda a incorporação do Ministério da Segurança Pública com o Ministério da Justiça, o que segundo ele, deve relegar a segurança pública a um segundo plano. O militar também criticou a atuação do governo federal, ao longo dos anos, na segurança pública.


O coronel Carlos Augusto, deputado estadual eleito, em entrevista a ODIA (Foto: Poliana Oliveira)

No último governo de Wellington Dias (PT) o senhor ocupou o cargo de comandante-geral da Polícia Militar. E agora, o senhor aceitaria assumir uma secretaria no governo?
Nós fazemos parte da base. Fomos eleitos com essa intenção mesmo de servir as pessoas, e onde for melhor para servirmos nós iremos. Eu tenho um compromisso particular com a questão da segurança pública. Há muitos deputados que assumem uma pasta, depois outra. Eu jamais assumiria uma pasta fora do eixo da segurança pública. Isso eu posso garantir. Só assumiria se fosse na gestão da segurança.

Mas a Secretaria de Segurança já está bem adiantada para continuar com o Fábio Abreu, que fez um excelente trabalho, é meu amigo, é do meu partido, e contará comigo, inclusive, com meu integral apoio na secretaria, caso ele seja o escolhido. Mas ainda não tem nada oficial. Assim como a eleição da Assembleia, eu acredito que as secretarias também só serão definidas na segunda quinzena de janeiro ou em fevereiro.

Mas estou muito tranquilo. Quem votou em mim, meus 31.810 eleitores podem ficar tranquilos, que eu pretendo me dedicar muito e trabalhar muito, no meu mandato, para continuar uma luta que eu venho mantendo há muitos anos, em favor das pessoas. Eu tenho esse sentimento, por isso fui buscar o mandato de deputado, que é pra trabalhar sempre em prol das pessoas.


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) enfrentou no segundo turno o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que é correligionário do governador Wellington Dias (PT). O Senhor acredita que o deputado capitão Fábio Abreu, por ser militar, pode servir como uma importante ponte entre o Governo Federal e o governo do PT aqui no Piauí?
Eu acredito que isso não vai acontecer só porque somos militares, mas sim pela importância que os deputados têm para o Governo Federal. O Piauí tem dez deputados federais, e o Fábio Abreu pode ser sim importante, se estiver em Brasília, principalmente. Mas o que a gente tem é um compromisso de servir.

Com relação ao Governo Federal, eu vejo com uma preocupação muito grande, por exemplo, a extinção do Ministério da Segurança Pública. Nós passamos 50 anos lutando por esse ministério. Inclusive, como comandante, participei de reuniões do conselho de comandantes-gerais do Brasil inteiro, e nós pedíamos muito a criação do Ministério da Segurança Pública, exatamente para que o Governo Federal pudesse ter políticas voltadas para a atividade-fim, nos estados e nos municípios. Porque sempre que a segurança esteve vinculada ao Ministério da Justiça o número de áreas a serem atendidas pela pasta se tornou muito grande.

O Ministério da Justiça se preocupa mais com a Polícia Federal, com o fundo penitenciário, e a questão do policiamento nos estados nunca recebe a atenção devida em nenhum governo. Em toda a história deste país, nenhum governo [federal] deu a devida atenção ao policiamento ostensivo nas cidades. Nós entendemos que há uma necessidade muito grande de haver uma interferência do Governo Federal no financiamento da segurança pública, como ocorreu, por exemplo, com a criação do Sistema Único de Segurança Pública, o Susp. Eu estava acreditando muito que neste novo governo o Bolsonaro fosse manter o Ministério da Segurança Pública, e ter políticas voltadas para as atividades-fim nos estados.


Então, na sua opinião, essa junção do extinto Ministério da Segurança Pública à pasta da Justiça pode representar um retrocesso no combate à violência no país?
A gente tem essa preocupação, porque agora a segurança novamente vai ficar lá no quintal, nos fundos do Ministério da Justiça. A gente espera que essa junção não traga prejuízos para a grande expectativa que a população brasileira tem com relação à melhoria da segurança pública. Durante toda a minha campanha eu estive falando muito da questão da segurança, foi a experiência que vivi nos últimos 30 anos, e sei da necessidade de a gente ter um financiamento em nível nacional. Os estados estão todos literalmente quebrados. Comandei a Polícia Militar com 95% ou mais de tudo o que era feito sendo bancado com recursos da fonte 100 [recursos próprios do estado]. Não recebemos praticamente nada do Governo Federal em quatro anos. A União ainda tem uma força nacional constituída por policiais militares de todos os estados, inclusive do Piauí, e fica querendo fazer propaganda, mostrando que tem alguma interferência do Governo Federal na segurança, a nível de Ministério da Justiça, usando o material humano das Polícias Militares. Deveria ser o contrário. Eu esperava muito que o Ministério da Segurança Pública fosse mantido. Nós vibramos muito com sua criação, e entendemos que esse ministério deveria ter permanecido para gerir melhor o fundo nacional de segurança pública, que está sendo implantado, de maneira a permitir a distribuição dos recursos desse fundo com critérios, vinculando sempre a aplicação dos recursos à atividade-fim realizada pelas polícias. Estamos preocupados, mas esperamos que seja apenas uma preocupação, que essa junção não atrapalhe. Quero deixar bem claro que a gente torce muito para que o governo Bolsonaro dê certo e para que ele realize todas as mudanças dentro do sistema de segurança pública, que é o maior clamor da população em todos os municípios do Brasil.


De que maneira o Governo Federal poderia ajudar de forma mais efetiva os estados na área da segurança pública?
Nós temos a questão da contratação de pessoal. O Governo Federal, ao investir de fato na segurança, comprando viaturas, armamentos, coletes, enfim, aparelhar as polícias, ele libera os estados, de certa forma, para, ao invés de investir em custeio, investir em pessoal, por exemplo.

No meu comando [na Polícia Militar], durante quatro anos, foram incluídos 1.142 novos soldados e 43 novos oficiais, mas isso é insuficiente. Nós precisamos de mais. Os estados têm que se planejar, porque não basta contratar, tem que pagar. E os estados estão quase todos com os salários atrasados. No Piauí não está atrasado graças a uma gestão que ficou determinada a não atrasar salários.

De certa forma, [o Governo do Piauí] tem um controle, mas isso tem um limite. Nós temos hoje vários estados com salários atrasados e sem contratar nenhum policial. Isso deságua no aumento da criminalidade. O que a gente deseja é que o Governo Federal cuide de uma parte dessa responsabilidade, principalmente resolvendo a questão do desaparelhamento das polícias, e libere os estados para contratar mais pessoal. O Piauí mesmo necessita muito de mais policiais. O Brasil inteiro precisa disso, e é urgente.

Fonte: Jornal O Dia
Por: Cícero Portela

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