'Ser governador não é obsessão, é missão', diz Ciro Nogueira

Senador reuniu lideranças para discutir a articulação para a eleição de 2022 e se colocou como 'mensagem de esperança'

26/04/2021 13:19h - Atualizado em 26/04/2021 16:42h

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O senador Ciro Nogueira (Progressistas) reuniu, no começo da tarde desta segunda-feira (26), diversas lideranças políticas do estado, do seu partido e de outras agremiações, para reforçar a pré-candidatura ao Governo do Estado nas eleições de 2022 deste grupo de oposição. Mesmo sem cravar ser o cabeça de chapa do grupo, o líder partidário admitiu que seu nome é, no momento, o mais forte para enfrentar o candidato governista no pleito.

“Sei que não é o momento ideal para falarmos de política. Não estou aqui para lançar candidatura, mas para dar esperança ao povo nesse momento de tanta dificuldade e sofrimento (...) ser governador não é uma obsessão, mas pode ser uma missão para transformar a vida do povo desse estado. Essa é a nossa diferença, das pessoas que estão do lado de lá, que pensam em fabricar candidatos, enganar a população sem ter um projeto que coloque como principal fator de desenvolvimento do Piauí, o povo desse estado", disse o líder parlamentar.

Ciro Nogueira (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Na ocasião, Ciro Nogueira voltou a fazer críticas ao governador Wellington Dias (PT), seu ex-liado e atual desafeto político. O senador pontuou que, apesar de ter sido reeleito nas eleições de 2018 na mesma chapa que o petista, em quem votou naquela oportunidade, revelou decepção com o modelo administrativo adotado nas sucessivas gestões comandadas por aquele que, o progressista, "loteava cargos".

“Não precisávamos fazer concessão. Era a oportunidade de fazermos as transformações que esse estado precisa. Por isso logo depois das eleições, no começo do mandato, nós do Progressistas entregamos um documento pedindo o enxugamento da nossa maquina publica e que se priorizasse o cidadão (...) Não torço contra a atual gestão, eu votei no governador, quero que ele realize e o que eu puder fazer por esse estado eu vou faze, mas quero uma parceria que seja diferente, com o desenvolvimento", disse o candidato em potencial. 

Firmino Filho era o meu candidato ao Governo do Piauí, revela Ciro Nogueira

Ao ser questionado se uma outra figura da oposição poderia ser o candidato deste grupo de oposição, Ciro Nogueira admitiu que sua preferência para a disputa majoritária era o ex-prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), que morreu no começo de abril. Com a perda prematura do líder do tucano, avalia que o cenário é favorável para sua candidatura, embora afirme que tudo pode mudar no próximo ano a depender das pesquisas eleitorais.

"O seu legado e sua esperança, que não vou ter ao meu lado, será minha inspiração. pode ter certeza que as pessoas que estão aqui hoje vão estar ao nosso lado (...) Não vou negar que o meu candidato, do coração, era o prefeito Firmino Filho para o Governo do Estado. Não porque era o melhor gestor do Piauí, mas do Brasil. Com a falta dele, agora vamos para um projeto de construção. Se as eleições fossem hoje eu seria o candidato a governador, ate porque é a vontade da população”, declarou o senador.

João Vicente Claudino reforça o palanque da oposição e anuncia afastamento da presidência do PTB

O anúncio da formatação do grupo e consolidação da pré-candidatura de oposição ao governo estadual foi marcado pela presença de importantes lideranças do cenário político local. Entre essas figuras estava o ex-senador João Vicente Claudino, atual presidente do diretório do PTB no Piauí, que mantinha conversas e sinalizava aderir ao grupo de Ciro Nogueira.

(Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Na ocasião, Ciro Nogueira demonstrou entusiasmo em reeditar a parceria com o empresário, iniciada em 2010, quando, compartilhando a mesma chapa proporcional, conquistaram as duas vagas piauienses em disputa ao Senado. Caso o progressista confirme sua candidatura a governador, João Vicente ganharia força para pleitear uma cadeira de senador.

“Como é bom estar ao seu lado (...) O que nos falta é um compromisso político, como aquele que tínhamos em 2010. Eu compartilhei com você dos nossos sonhos, mas pode ter certeza de que eles foram apenas suspensos. Vamos retomar esses sonhos no próximo ano”, destacou Ciro Nogueira ao colega diante da imprensa.

Como os deputados e lideranças petebistas integram hoje a base aliada de Wellington Dias, contrariando uma orientação da Executiva nacional da agremiação, João Vicente anunciou que irá se afastar por um mês da presidência do diretório estadual da sigla "para que não haja nenhum constrangimento" em decorrência do seu posicionamento político.

"Não posso dizer uma coisa e fazer outra. Essa questão de ser oposição não é de você fazer escolhas por ser contra. Acho que é uma questão de convicção (...) uma posição de acreditarmos. O sentimento que se coloca aqui é de olharmos para frente e vermos um Piauí desenvolvido, verdadeiramente transformado. É isso o que nos motiva estar aqui agora", explicou o ex-senador.

O evento, reservado por conta das restrições sanitárias impostas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), também teve a participação de dirigentes partidários, como o ex-deputado Luciano Nunes, presidente estadual do PSDB, e de alguns prefeitos, a exemplo do de Parnaíba, Mão Santa (DEM), outro cotado para disputar o Senado no próximo ano

Mão Santa e Ciro Nogueira (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Ciro Nogueira minimiza ausências e descarta dissidência entre deputados do PP

O que também chamou a atenção durante o anúncio foi a ausência de parlamentares do Progressistas (PP), como a deputada federal Margarete Coelho e os deputados estaduais Wilson BrandãoHélio Isaías e Firmino Paulo que, de forma direta ou indireta, ocupam ou indicam espaços na administração do governador Wellington Dias. 

A situação foi minimizada por Ciro Nogueira, que não acredita em dissidências dentro do próprio partido. “Tenho certeza que todos estarão conosco nesse projeto para mudar o Piauí. Da nossa parte não existe nenhum tipo de pressão, eles vão tomar a decisão no momento que acharem melhor (...) Não tenha dúvida que estarão ao nosso lado no próximo ano”, cravou.

Apesar do otimismo do presidente nacional do PP, informações dão conta de que estes deputados não estariam dispostos a desembarcar do Governo e já discutem até mesmo uma reacomodação em outro partido da base aliada de Wellington Dias, como é o caso de Margarete Coelho, que poderia migrar para o PL durante a janela partidária.

Por sua vez, Ciro Nogueira rechaçou esse cenário. Ele lembrou que Margarete Coelho chegou antes dele ao PP, sua única agremiação desde que iniciou sua trajetória política. “Pode ter certeza que ela não é menos ligada a mim. Ela estará no nosso projeto, tenho plena confiança. Podem acreditar e anotar”, enfatizou.

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