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Vídeos mostram violência de PMs durante abordagens em Altos

Um dos policiais que supostamente aparece nas imagens já está sendo investigado pela Corregedoria da PM por excesso nas abordagens. Denúncia foi feita por morador de Altos.

14/08/2017 18:33h - Atualizado em 14/08/2017 18:56h

Dois vídeos que circulam na internet mostram policiais militares do Piauí agredindo suspeitos durante abordagens no município de Altos, localizado a cerca de 40 km de Teresina.. No primeiro deles, aparecem dois PMs, com uniformes da Força Tática, dando socos em dois homens detidos e algemados numa delegacia. Enquanto um terceiro policial filma o “interrogatório”. No segundo, as agressões acontecem durante um evento. Nas imagens, é possível ver um homem sendo empurrado por um policial e nelas ainda é verificado a presença de outros dois PMs, também com uniformes da Força Tática.

Veja o primeiro vídeo


O Portal ODia recebeu a denúncia de um morador do município.  De acordo com ele, um dos policiais seria o sargento Carlos Alberto, conhecido na cidade como “Cacá”. Ele aparece nos dois vídeos e seria lotado na 2ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar. O mesmo policial apontado pela pessoa que gravou um dos vídeos está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar para averiguar excesso nas abordagens. A denúncia aponta que o sargento Carlos Alberto teria agredido fisicamente um morador (O DIA opta por não colocar seu nome para proteger a sua identidade).

Em contato com o Portal O Dia, ele afirmou que as supostas agressões teriam acontecido duas vezes, sendo a última no dia 2 de agosto deste ano. Segundo ele, o sargento agiria de forma truculenta e usaria palavras de baixo calão durante as abordagens. “Ele já me abordou duas vezes, e todas as duas vezes eu tentei me identificar. Eu não sou contra a abordagem. Sou contra a forma como a abordagem é feita. Nas duas vezes, ele me tratou com muita ignorância. Agrediu com um capacete e vários socos”, relata, que o militar em uma das abordagens não estava fardado.

Para ele, as vítimas das agressões não denunciam os abusos por medo de represálias. O morador informou ainda que a denúncia das agressões físicas foi formalizada na Corregedoria da Polícia Militar no início deste mês. Na ocasião, também foi registrado um boletim de ocorrência na Delegacia de Direitos Humanos e realizado exame de corpo de delito.

Veja o segundo vídeo


OAB condena a violência policial

Para a Comissão de Direitos Humanos da OAB, a truculência nas abordagens policias não é uma forma eficaz de enfrentar a criminalidade. De acordo com o presidente da comissão, o advogado Marcelo Mascarenhas, o excesso da força policial é uma das formas mais frequentes de desrespeito aos direitos humanos, pois, segundo ele, “é o Estado se tornando criminoso”.

“A Polícia mais eficiente que nós temos no Brasil é a Polícia Federal, e você não vê agentes da Polícia Federal agredindo ninguém no meio da rua. Porque não é a violência que faz uma polícia eficiente, e sim o treinamento, a inteligência, uma investigação bem-feita e investimentos em salários, formação e equipamentos”, explica.

Para o advogado, sob a desculpa de enfrentar a criminalidade, a Polícia acaba atuando com excesso e vitimando até mesmo pessoas inocentes. “Se já é reprovável o excesso da violência policial contra pessoas que praticaram crimes, ainda mais contra inocentes, que é o que acaba acontecendo, com se torna um padrão, a violência policial não distingue ninguém, acaba atingindo pessoas que praticaram delitos e pessoas que não cometeram nenhum crime”, pontua.

Contraponto

Em contato com a Polícia Militar, a reportagem do Portal O Dia foi informada de que a corporação já abriu um procedimento investigativo para apurar os supostos excessos praticados pelo policial da Força Tática de Altos. O coronel Raimundo Rodrigues, corregedor da Corporação, declarou que a denúncia contra o sargento foi recebida há 10 dias. “A informação que temos é que ele estaria sendo enérgico demais nas abordagens e que isso estaria causando certo constrangimento nas pessoas. Então abrimos um procedimento de investigação para ver até onde essas informações procedem e tomar as devidas providências caso elas sejam confirmadas”, afirmou o corregedor da PM.

O coronel Rodrigues ressaltou ainda que mesmo com as denúncias tendo chegado à Corregedoria, o policial não foi afastado de suas funções, porque ainda não se tem nada comprovado quanto à sua conduta. No caso de as informações serem confirmadas, a Polícia Militar poderá abrir dois procedimentos: um inquérito, caso seja comprovado que o PM cometeu algum crime, ou um processo administrativo, caso sua atitude se configure apenas como transgressão às normas de abordagem militar.

“Se for comprovado crime, ele é afastado de suas funções e nós encaminhados o processo para a Central de Inquéritos e ao Ministério Público que farão análise da denúncia e da possível condenação proporcional ao ato praticado. Mas se for comprovado somente transgressão às normas militares, ele deverá responder com uma advertência, com a perda da função, afastamento ou até mesmo com a prisão decretada pelo Comandante que tem poder para isto”, explica o coronel Rodrigues.

O Portal O Dia tentou contato com o sargento da Força Tática de Altos Carlos Alberto por meio da Assessoria da PM. No entanto, a reportagem foi informada de que o sargento não se manifestaria e que a PM-PI tem o mesmo posicionamento do corregedor.

Edição: Lisiane Mossmann
Por: Nathalia Amaral e Maria Clara Estrêla

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