Vereador é processado após acidente com morte e suspeita de embriaguez

Relatório da PRF afirma que Luís André Arruda (PPS) conduzia veículo.

09/04/2014 17:26h - Atualizado em 09/04/2014 19:32h

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O vereador de Teresina Luís André Arruda (PPS) está sendo processado pela família de Filipe Farias da Silva, morto aos 23 anos após acidente de trânsito envolvendo o parlamentar. De acordo com a perícia da Polícia Rodoviária Federal, Luís André conduzia o veículo e invadiu a pista contrária da BR 316, onde trafegava a vítima. Além disso, segundo o relatório, foi encontrada uma garrafa de vodka parcialmente consumida no carro do vereador.

Foto: Jailson Soares/ODIA

Filipe Farias da Silva, 23 anos, morreu no acidente 

O Boletim de Acidente de Trânsito produzido pela PRF afirma que o condutor do veículo era Luís André, tendo o vereador prestado depoimento após notificação. A sua assessoria jurídica afirma, no entanto, que quem conduzia o veículo, uma Ford Ranger XLS de placa NIW-5391, era o seu motorista. A notificação por omissão de socorro, segundo a assessoria, foi produzida em nome do motorista.

Foto: Divulgação/Câmara

Vereador Luís André Arruda (PPS) está sendo processado pela família 

Consta ainda no relatório que, no carro abandonado após o acidente, havia “vestígios de consumo de álcool (...): garrafa de vodka parcialmente consumida, copo e energético”. O teste do etilômetro não teria sido realizado, segundo o relatório, porque não havia nenhum condutor presente no local.

Fotos: Relatório/PRF 

A assessoria do vereador declarou que no momento do acidente havia quatro pessoas no veículo, incluindo Luís André. Após a colisão, bastante transtornado com o que havia acontecido, ele resolveu deixar o local. Alguns amigos do parlamentar, que seguiam em outro veículo, teriam ficado e prestado socorro a Filipe, acionando o Samu.

O relatório diz que o vereador prestou depoimento depois de ser acionado pela PRF devido à omissão de socorro. Luís André declarou que, conduzindo o veículo, viu a moto de Filipe se aproximar invadindo a contramão e que chegou a tentar evitar o acidente, mas não foi possível. 

De acordo com a perícia técnica, contudo, o carro de Luís André foi o responsável pela colisão, entrando na pista contrária, colidindo com a moto de Filipe e arrastando o rapaz em sua motocicleta até bater novamente em um veículo estacionado à margem da pista oposta da qual trafegava inicialmente.

OBS: dados pessoais do parlamentar foram omitidos

Luís André presta depoimento como condutor do veículo, dizendo que tentou impedir a colisão. 

V1 é o carro onde estava o vereador, V2 a moto conduzida por Filipe e V3 o carro atingido 

Vereador teria oferecido R$ 1 mil após acidente

O acidente ocorreu em 10 de novembro de 2013 e, depois de seguidas tentativas de acordo, segundo a família, foi decidido iniciar um processo contra o vereador. Os familiares dizem que antes da abertura da ação judicial, Luís André ofereceu R$ 1 mil e um emprego de merendeira para a irmã de Filipe.

A moça, Sheila Maria Oliveira, que afirma ter recebido pessoalmente a proposta, declarou ter se sentido ofendida. “A vida do meu irmão vale R$ 1 mil para ele? A vida do meu irmão não pode ser paga dessa forma, porque o que nós queríamos era ele aqui de volta. Ele era jovem e tinha muitos sonhos”. O rapaz, que sustentava a família formada por ele, pela mãe e mais dois irmãos, queria ser engenheiro e, enquanto trabalhava, planejava retomar os estudos para tentar o vestibular no fim do ano.

Fotos: Jailson Soares/ODIA


Mãe da vítima se emociona ao lembrar do filho

A assessoria jurídica do vereador informou que a oferta nunca aconteceu e que por diversas vezes a família foi procurada por Luís André. Quanto à oferta de emprego, o vereador teria apenas comentado que, já que era Filipe que sustentava a família, seria bom se Sheila pudesse começar a trabalhar.

Família sente falta do rapaz e espera por Justiça

Uma das lembranças mais vivas de Filipe ocorre sempre nas manhãs de domingo, quando ele, a mãe e as irmãs faziam compras em um mercado próximo à casa da família. "Era uma alegria, porque era um momento em que todos estavam reunidos, um momento nosso que era sagrado, toda semana". Para a tristeza de todos, foi em uma manhã de domingo que o rapaz sofreu o acidente e não voltou mais para casa.

De acordo com Sheila, a família desejava apenas que o vereador tivesse prestado socorro logo após o acidente, especialmente na garantia de uma vaga de UTI para Filipe. “Ele sofreu por três dias até morrer. Se ele tivesse ido para a UTI, nós acreditamos que ele pudesse ter tido alguma chance, por mínima que fosse”, disse Sheila.


Sheila Maria Oliveira, irmã de Filipe

Agora, os familiares aguardam que a Justiça decida o caso. De acordo com o advogado da família, Ézio Sousa, todos estão bastante surpresos com a atitude de Luís André, que disse que somente se manifestará quando for convocado pela Justiça. O advogado conta que uma das maiores surpresas da família quanto à omissão do parlamentar está no fato de que a namorada de Filipe, que trabalhava com a equipe de Luís André, sempre falava muito bem do vereador.

“Eles nunca esperavam que ele fosse ter essa atitude. Embora eles não se conhecessem, a namorada dele trabalhava com o vereador. De qualquer forma, agora esperamos que o processo ande e que a Justiça decida”, disse o advogado.

A assessoria jurídica de Luís André declarou que o parlamentar não irá se furtar em cumprir o que for decidido pela Justiça. Destacou que a partir do momento que o processo foi iniciado, o vereador aguarda a citação para seu advogado apresentar a defesa, de forma que prefere não se adiantar nas declarações ao PortalODia.com.

O acidente

Na manhã do dia 10 de novembro de 2013, o vereador Luís André Arruda e o jovem aprendiz de mecânico, Felipe Farias, trafegavam em sentidos opostos da BR 316. Enquanto o rapaz seguia em direção à saída de Teresina, o vereador retornava à capital, após participar de uma festa na casa de show Arrocha O Nó, segundo declaração do próprio parlamentar à PRF. 

Na altura do ponto conhecido como Rodoviária dos Pobres, o veículo do vereador invadiu a pista contrária e colidiu com a motocicleta conduzida por Felipe. O rapaz foi arrastado por alguns metros após a colisão e parou depois que o carro e a moto colidiram com outro veículo, estacionado em frente à Rodoviária. Felipe sofreu múltiplas fraturas nas pernas, além de danos aos órgãos internos, em especial os pulmões.

O vereador não teria prestado socorro e evadiu-se do local, deixando o carro, onde foi encontrada uma garrafa de vodka parcialmente consumida. Felipe foi socorrido e levado ao HUT após ajuda de populares que presenciaram o acidente. Felipe chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu aos danos nos pulmões e morreu três dias depois do acidente. A causa da morte, informada pelo Instituto Médico Legal (IML) à família, foi uma insuficiência pulmonar devido ao forte impacto. 

Os médicos informaram à família que, após a cirurgia, ele precisaria de uma vaga na UTI, mas não foi possível encaminhá-lo a tempo. Durante os três dias de internação, a família disse que o vereador não os procurou pessoalmente e não prestou nenhum auxílio à vítima. 

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Por: Maria Romero

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