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Três são presos fraudando documentos para solicitar visto americano

Op. Visto Fake: grupo falsificava documentos e tentou conseguir visto nos Consulados de Recife, Brasília e Rio de Janeiro. Prisões foram em Assunção do PI e Teresina.

02/07/2019 11:09h - Atualizado em 02/07/2019 11:52h

Três pessoas foram presas em uma operação da Polícia Civil para desarticular uma quadrilha especializada na falsificação de documentos para aquisição de visto americano. A ação, que conta com o apoio do Consulado Americano em Recife, foi batizada de Visto Fake. As investigações começaram após o próprio Consulado perceber indícios de fraudes nas documentações apresentadas pelos suspeitos ao Governo Americano. 

Segundo a Polícia Civil, 11 pessoas tentaram obter o visto americano utilizando documentos falsificados pela quadrilha. Os solicitantes chegavam a pagar ao trio entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para obter as documentações falsificadas, incluindo certificados de faculdades e documentos de comprovação de vínculo empregatício. Os envolvidos deverão ser indiciados pelo crime de uso de documento falso e, caso comprovada a intenção de permanecer em território americano, também poderão ser indicados pelo crime de ingresso de forma indevida no exterior para fins de permanência.

"Eles tinham plena ciência de que estariam cometendo esse crime, de que não teriam os requisitos para obtenção do visto naquele momento e utilizavam desse ardil de pagar pelo documento falso para conseguir entrada em território americano. Já o trio falsificava os documentos, principalmente por meio de uma empresa de Turismo, através desse ex-funcionário", frisa o delegado, acrescentando que até o momento não há indícios de envolvimento da agência de turismo com o esquema.

Em março deste ano, um piauiense identificado como Francisco Junário já havia sido preso em flagrante ao tentar obter o visto americano no Consulado em Recife. Diante dos fatos, o órgão diplomático solicitou apoio da Polícia Civil piauiense para prosseguir com as investigações e chegar na quadrilha responsável pelas falsificações. Foram detidos José de Arimateia Oliveira Lima, Antônio Lima Neto e Leonardo Soares Lima, em cumprimento de mandados de prisão preventiva.


Foto: Divulgação/Polícia Civil

Segundo o delegado-geral Lucci Keikko, Arimateia era responsável por fabricar os documentos falsos. Ele é dono das falsas empresas nas quais os solicitantes indicavam trabalhar para obter os vistos. O suspeito é apontado também como o responsável pelo recebimento dos passaportes quando enviados pelos Correios e, em algumas ocasiões, também pelo agendamento das entrevistas.

Arimateia preparava a falsa documentação e entregava para Antônio Lima Neto, que preparava todo o processo de solicitação dos vistos, inclusive com o preenchimento do formulário com informações falsas, entrega de documentos fraudados via e-mail para uso e apresentação durante as entrevistas nos Consulados e com o agendamento de tais entrevistas. Segundo as investigações, Antônio também recebia os passaportes e os pagamentos pelos serviços de fraude documental.


Foto: Divulgação/Polícia Civil

O terceiro, Leonardo Soares Lima, era o solicitante do visto americano. De acordo com o delegado Lucci Keikko, ele deu entrada no documento apresentando uma papelada fraudada em três consulados. “Como não conseguiu nada lá, ele tentou novamente, com a ajuda de Lima Neto e José de Arimateia, em Brasília e, pela terceira vez, em Recife, também fazendo uso de informações e documentos falsos”, relata o delegado.

Leonardo Lima foi preso no município de Assunção do Piauí. Os outros dois foram detidos em Teresina. 


Operação contou com representantes do Consulado Americano em Recife - Foto: Divulgação/Polícia Civil

Importante ressaltar que o trio agia não só junto ao Consulado Americano em Recife, mas também nos de Brasília e do Rio de Janeiro. Para a operação, os policiais do Piauí contaram com o apoio do Consulado Geral dos Estados Unidos e da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, através do Laboratório de Inteligência Cibernética. 

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil apreendeu computadores, celulares e documentos que deverão passar por perícia para averiguar indícios do esquema criminoso. Segundo o delegado-geral, essa é a primeira fase da operação e há previsão de desdobramentos da ação para investigar a atuação de outras pessoas no esquema.

“Esse caso é um bom exemplo de cooperação e colaboração entre o governo dos Estados Unidos e do Brasil, e também com o estado do Piauí. Esperamos manter esse diálogo e ter mais oportunidades para trabalhar juntos na desarticulação de possíveis fraudes”, finaliza Patrick Grey, policial federal do Consulado Americano que veio ao Piauí para dar apoio na operação.

Por: Maria Clara Estrêla e Nathalia Amaral

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