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Detentos saem feridos em rebelião na Casa de Custódia; ambulância é acionada

Movimento começou depois que três pavilhões ficaram sem direito a visitas após tentativa de homicídio a um detento..

16/05/2016 13:44h - Atualizado em 16/05/2016 19:54h

No início da noite a Sejus divulgou uma nota informando que as forças de segurança conseguiram controlar os pavilhões B, C, F e G, e, no momento, estavam contendo a situação no pavilhão H.

"Os pavilhões A e E não se amotinaram e o pavilhão D está vazio, por conta das reformas na unidade. Dois presos se feriram com munição de elastômero (balas de borracha), um no pulso e outro no ombro, mas receberam atendimento médico e hospitalar", acrescentou a secretaria, por meio da nota.

Estão atuando o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), as Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), além de homens da Diretoria de Administração Penitenciária e da Diretoria de Inteligência e Proteção Externa da Secretaria de Justiça, agentes penitenciários e policiais militares da unidade.

"A Sejus está investigando o que motivou os presos a se amotinarem e manterá as forças de segurança na unidade até garantir total pacificação da Casa de Custódia", acrescenta a nota.

Kleiton Holanda, vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, fala que superlotação é a principal causa da rebelião (Foto: Elias Fontinele / O DIA)

O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários esteve na Casa de Custódia e acompanhou todo o trabalho da PM para conter a rebelião na unidade.

Ele afirma que a superlotação das unidades penais é o principal fator que incita os detentos a se rebelarem. 

Holanda voltou a pedir providências imediatas da Secretaria de Justiça no sentido atenuar o caos instalado no sistema prisional piauiense.

As condições degradantes em que os presos vivem e a escassez de servidores nas unidades penais são outros dois graves problemas denunciados de forma reiterada pelo sindicato.

Um grande efetivo policial foi destacado para combater a rebelião na Casa de Custódia (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)

Atualizada às 17h05

O defensor público Juliano Leonel afirmou que a rebelião era inevitável devido à condições do presídio. Há pelo menos um mês, a situação tem se tornado insustentável. "Os presos reclamam do tratamento dado aos visitantes e da demora no julgamento dos processos. Um mutirão que iniciamos há três semanas para agilizar os processos evitou que a rebelião ocorresse antes", declara Leonel.

Por volta das 16h30, uma ambulância do Samu saiu do complexo penitenciário, supostamente com um preso ferido (Foto: Cícero Portela / O DIA)

O capitão Paulo Silas, comandante da Companhia do Promorar, descartou as mortes, mas há presos feridos. Imagens recebidas pelo PortalODIA mostram dois detentos algemados. Um deles tem a cabeça enfaixada e o outro o braço. É possível perceber marcas de sangue e ferimentos com balas de borracha. Uma ambulância de resgate do Corpo de Bombeiros saiu da unidade com a sirene ligada.

Atualizada às 16h20

A todo momento são ouvidos disparos de dentro da Casa de Custódia. Revoltados e temendo que estejam atirando com arma de fogo e não com bombas de efeito moral, os familiares dos presos tentam derrubar o portão de entrada. Desesperada, uma mulher entrou na frente do carro do Bope, impedindo a entrada do veículo no presídio. Ela recebeu a informação de que ele o filho estaria baleado.

Mãe de detento bate no portão da Casa de Custódia, fazendo apelo para que os agentes penitenciários informassem sobre o estado de saúde do seu filho (Foto: Cícero Portela / O DIA)

O coordenador de Apoio ao Preso Provisórion da Defensoria Pública do Piauí, Juliano Leonel, também não conseguiu autorização para entrar na Casa de Custódia. "Eu vou pedir um mandado de segurança, pois é uma prerrogativa nossa entrar em qualquer unidade prisional. Não podem alegar que não entrarei por causa da minha segurança", disse o defensor.

Há informações extra oficiais de que existem mortos, mas o defensor destaca que não é possível confirmar. "Para isso nós precisamos entrar e averiguar. Sempre que há rebelião a defensoria se az presente para assegurar a fiscalização e o respeito aos direitos humanos", destaca Juliano. 

Imagens: Cícero Portela e Maria Clara Estrêla


Atualizada às 15h35

Uma ambulância do Samu chegou por volta das 15h. Segundo o diretor de assuntos sindicais do Sinpoljuspi, Jefferson Dias, o atendimento foi solicitado para uma detenta da Penitenciária Feminina. Ela teria passado mal, após ter ouvido os disparos dentro da Casa de Custódia e se assutado.

A rebelião chegou aos pavilhões A, B e C. De acordo com Kleiton Holanda, os presos quebraram a laje, que é a estrutura de concreto localizada em cima das celas e que leva ao teto do presídio. 

Os membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB foram impedidos de entrar no presídio. Eles querem informações sobre a situação dos presos, mas a direção não permitiu, justificando que a situação ainda não está controlada.

Atualizada às 15h15

Cerca de 300 presos estariam rebelado na tarde desta segunda-feira (16) nos pavilhões E, F e H. Ele quebraram cadeados, tocaram fogo em colchões e estão reunidos no pátio do presídio. A situação é considerada crítica, pois os agentes temem que a detentos de outros pavilhões também se rebelem.

Duas viaturas do Corpo de Bombeiros foram acionadas, sendo uma de resgate, mas não há informações sobre feridos. Viaturas do Rone, do Choque Montado, do Bope e da Força Tática também entraram na Casa de Custódia.


Familiares dos detentos, principalmente mães e irmãs estão do lado de fora e se desesperam ao ouvir barulho de tiros. Sentada no chão, uma senhora chora e grita pelo nome do filho, que estaria preso no pavilhão F. Os parentes aguardam informações sobre a integridade dos presos.

Fátima Silva, mãe de um detento, culpa os próprios agentes pela rebelião. "Eles agitam pra manter o benefício que eles querem. Estou muito preocupada, eu estou passando mal. É a minha família!", disse a mulher, referindo ao indicativo de greve que os agentes penitenciários anunciaram, após não receber os reajustes prometidos pelo governo do Estado.

Pablo Cândido denuncia que tem um irmão com problemas pasquiátricos na Casa de Custódia. Ele foi preso após tentar matar uma pessoa em José de Freitas, em momento de surto. "Estamos há muito tempo tentando transferência para um hospital psquiátrico e não conseguimos. O sofrimento da minha família é em dobro, porque meu irmão nem pode se defender", disse Cândido.

Segundo o representante do Sinpuljuspi, Kleiton Holanda, o que está acontecendo é uma ameaça ao estado. “Desde ontem temos pessoas atirando com arma de fogo nos sentinelas, de fora para dentro. Isso é algo inédito. Os presos se aproveitam das fragilidades e da superlotação para exercer esse tipo de manifestação”, disse Holanda.

Atualizada às 14h48

Presos de pelo menos três pavilhões da Casa de Custódia de Teresina, na BR-316, iniciaram um motim no começo da tarde hoje (16), após terem as visitas suspensas. A suspensão ocorreu como punição por uma tentativa de homicídio registrada ontem (15) pelos agentes penitenciários. A informação é do diretor de assuntos sindicais do Sinpoljuspi, Jefferson Dias.

“Alguns presos quebraram as estruturas das celas, abriram buracos nas paredes, e nós tivemos que retirar às presas o material usado pela construtora que está fazendo os reparos dos danos deixados pelas rebeliões do ano passado. Essas ferramentas podem ser usadas como armas nas mãos dos presos e acabar ferindo alguém”, explica Jefferson.

Ainda segundo ele, pelo menos quatro viaturas da Polícia Militar já se encontram na Casa de Custódia, para reforçar o policiamento interno e tentar controlar os presos.

Confira mais fotos da rebelião na Casa de Custódia:

Viaturas do Rone entram na Casa de Custódia (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)

Por: Nayara Felizardo, com informações de Maria Clara Estrêla e Cícero Portela

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