Polícia identifica novo tipo de traficante de drogas

Uma nova onda de traficantes trabalham como autônomos, rondando bares e faculdades em abordagens discretas, para enganar a polícia.

18/02/2009 08:00h

Compartilhar no
Sem vínculo com facções do tráfico de drogas, eles agem como autônomos, na clandestinidade do crime. São os traficantes que passaram a usar uma nova tática para atender os seus clientes. Eles rondam bares, escolas e faculdades com uma abordagem discreta aos usuários para não chamar a atenção da polícia.

Como não costumam andar com a droga – geralmente deixam a carga escondida nas proximidades, mas em local seguro – e tampouco andar armados, o flagrante é mais difícil. Mesmo com uma pequena fatia desse mercado criminoso, esse grupo isolado já está sendo ameaçado de morte pelas grandes quadrilhas.

Nos presídios e carceragens de delegacias, eles ficam nos chamados “seguro”, celas destinadas a policiais, para não cair nas garras dos traficantes de facções, que os consideram inimigos. Na última sexta-feira (13), dois traficantes, que, agora estão presos, se autodenominavam de “clandestinos” ou “autônomos”.

P.S., 22 anos, vendia drogas por conta própria em Nova Iguaçu há um ano e meio. “Comecei vendendo para algumas pessoas, que já me conheciam, no Centro. Eles mesmo foram divulgando e a procura aumentou. Passei a comprar mais. Deixava sempre a minha carga malocada (escondida) atrás de uma lixeira. Não tinha risco. Mas a maior parte ficava em casa, onde fui preso. Me dedaram (denunciaram), com certeza”, acredita.

Droga em consignação

P. diz que recebia uma carga de 50 sacolés de cocaína que vendia a R$ 5 cada um. “Eu tinha que dar R$ 200 para o meu fornecedor e ficava com os 10 sacolés, que eu podia vender e ficar com o dinheiro ou consumir”, conta o jovem, que, antes de entrar para o crime, trabalhava com instalação de gás.

Um comerciante, 36 anos, que se identificou como Gordinho, é outro que passou a usar a nova modalidade para vender drogas por achar fácil e não chamar a atenção da polícia. Ele acha que só foi preso porque teria sido denunciado por “algum vizinho”.

“Eu comprava para o meu consumo. Mas, no meu bar, um amigo sempre pedia para trazer um pouco mais. Comecei a pegar mais e a vender. Com o tempo passei a distribuir para as pessoas conhecidas. Esse pessoal prefere até pagar mais caro, desde que consiga pegar a droga com segurança”, afirma ele, que tem o comércio há dois anos e que agora é administrado por sua família.

Esquema pulverizado

O delegado Orlando Zaccone, titular da 52ª DP (Nova Iguaçu), monitorou a movimentação de jovens que usavam a nova tática para vender drogas por mais de um mês.

“Com o aumento da repressão, o usuário não quer entrar no morro para ficar procurando boca-de-fumo para comprar a droga. Aliás, esses pontos só se mantêm nos grandes complexos de favelas, como Rocinha e Alemão, por exemplo, que sobrevivem vendendo para o consumo interno”, revela.

“O combate a essa modalidade de crime é mais difícil, já que eles não ficam apenas num ponto fixo. E as apreensões são sempre em pequenas quantidades. É um esquema pulverizado”, afirma o delegado, que descobriu uma extensão desse mercado em sua área.

Segundo ele, com a repressão da polícia em pontos tradicionais de venda de entorpecentes, alguns traficantes estão distribuindo a droga entre os moradores de rua para vender em trechos da Via Dutra. “Eles recebem o material em consignação e vende na rua. É o aproveitamento da miséria”, observa.

Compartilhar no
Fonte: G1
Edição: Portal O Dia
Por: Portal O Dia

É permitida a reprodução deste conteúdo (matéria) desde que um link seja apontado para a fonte!


Deixe seu comentário

Tags: