Piauí já teve oito mortes com motivação homofóbica este ano

Gptrans denuncia maníaco que estaria matando as travestis.

18/07/2014 13:09h - Atualizado em 18/07/2014 13:35h

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Já é considerado preocupante o número de mortes de homossexuais no Piauí este ano. Em menos de sete meses, já foram registrados oito assassinatos violentos no Estado, sendo metade deles só em Teresina.

O primeiro caso foi logo no início de janeiro. A vítima identificada como Valdinei Martins dos Santos, de 44 anos, foi encontrado amarrado, despido e debruçado sobre uma poltrona na sala de sua casa, na rua Lisandro Nogueira.

Três dias depois, uma travesti que se identificava como Fernandinha foi assassinada na Vila Irmã Dulce. Luiz Alberto Oliveira Mesquita, de 39 anos, ainda lutou contra o agressor, mas acabou sendo atingido fatalmente com uma pedra na cabeça.

No mês de abril, a vítima foi Gerciane Pereira de Araujo, de 26 anos. O caso dela, que seria bissexual, ganhou destaque em um site nacional que divulga casos de morte com motivação homofóbica. O suspeito de matar e cortar a vítima ao meio foi identificado como Cleilson da Conceição Mendes (foto ao lado), 27 anos.

No mesmo mês de abril, o Piauí registrou o primeiro caso de assassinato de homossexual no interior do Estado. José Raimundo da Silva, 60 anos, conhecido como “Zezinho Cabeleireiro”, foi encontrado dentro de casa, caído no chão e com sinais de espancamento. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas morreu no mesmo dia.

Em maio, outro homicídio vitimou um homossexual. Trata-se do professor José Wellington Gomes da Rocha, 39 anos (foto abaixo). O corpo foi encontrado em um povoado de José de Freitas. O lado do IML revelou que a vítima teve traumatismo craniano em decorrência de golpes de pau ou pedra. Um adolescente que teria se envolvido com o professor é o principal suspeito de praticar o homicídio.

Mais recentemente, no início de junho, um jovem foi assassinado com golpes de faca no abdômem, no município de São Raimundo Nonato. A vítima, identificada como José dos Santos Pereira Viana, tinha 26 anos e fazia um curso técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI). O delegado Laércio Evangelista reconheceu a possibilidade de motivação homofóbica para o crime.

Já neste mês de julho, Antonio Gomes de Souza, 31 anos, foi encontrado morto dentro de casa, na região do Parque lagoas do Norte. Segundo a polícia, a vítima estaria envolvida com o assassino, que já teria o hábito de seduzir homossexuais, agredi-los e depois roubá-los. O assassino foi identificado como Alessandro Ribeiro Pereira e está foragido.

O caso mais recente é o da travesti Makelly Castro, 24 anos, que teve o corpo encontrado na região do Parque Industrial, zona Sul de Teresina. Ela estava desaparecida há quatro dias. A polícia trabalha com as hipóteses de enforcamento ou envenenamento.

Nenhum dos casos citados tiveram como desfecho a prisão do homicida. Em alguns deles, o assassino sequer foi descoberto pela polícia. Para a militante do Grupo Matizes, Marinalva Santana, existe a sensação de impunidade. “Os homofóbicos acabam se sentindo motivados a praticarem os crimes, pois não veem o resultado das investigações da polícia”, disse a militante.

Gptrans denuncia assassino de travestis

Para Maria Laura dos Reis, representante do Grupo Piauiense de Transexuais e Travestis, o homem que matou Makelly é o mesmo que, há dois meses, tentou matar outra travesti, a Bárbara. “Ele tentou enforcá-la, mas ela conseguiu escapar do ataque”, conta Maria Laura.

A desconfiança sobre o suposto maníaco surgiu porque testemunhas que viram Makelly entrando em um carro, no cruzamento das ruas Eliseu Martins com a 24 de Janeiro, onde ela fazia programa, disseram que o veículo tem as mesmas características do que Bárbara entrou quando sofreu a tentativa de homicídio. “É um Pálio vermelho, com vidro fumê”, disse Maria Laura. Segundo ela, Bárbara não recorda do rosto do agressor. Lembra apenas que é um homem moreno e forte.

Os delegados Sebastião Escócio - da delegacia de Combate às Práticas Discriminatórias – e Robert Lavor – da delegacia de Homicídios, solicitaram as imagens das câmeras do local onde Makelly entrou no carro e de onde ela foi foi encontrada morta. O objetivo é identificar o veículo e, se possível, o rosto do assassino.

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