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Piauí já registrou quatro feminicídios em 2019; nenhum na capital

Somente no mês de janeiro, três mulheres foram brutalmente assassinadas pelos companheiros e ex-companheiros. Em fevereiro, uma morte foi confirmada.

05/02/2019 18:05h - Atualizado em 06/02/2019 14:43h

Em entrevista ao O DIA nesta terça-feira (5), a diretora de Gestão Interna da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP/PI), a delegada Eugênia Villa, fez um balanço dos primeiros casos de feminicídios ocorridos no estado em 2019. Até hoje, quatro mulheres foram brutalmente assassinadas pelos companheiros e ex-companheiros em um contexto de violência de gênero. O último caso aconteceu no sábado (2), na cidade de Castelo do Piauí, quando uma adolescente de apenas 17 anos foi morta a pauladas pelo namorado.

De acordo com os dados, o Piauí vem repetindo os mesmos números em relação a 2018. Somente em janeiro, três mulheres foram vítimas de feminicídios, índice registrado no mesmo período do ano passado. A primeira vítima, identificada como Eliane Sousa Paiva, foi morta a tiros pelo ex-companheiro após terminar o relacionamento. Após assassinar a mulher, o acusado usou a mesma arma para tirar a própria vida. Já o segundo e o terceiro feminicídios ocorreram, respectivamente, nas cidades de São Raimundo Nonato e Simplício Mendes.

Delegada Eugênia Villa faz apanhado dos primeiros casos de feminicídio de 2019. (Foto: Arquivo O Dia)

Segundo a delegada Eugênia Villa, a forma violenta como as mulheres são assassinadas, em sua maioria pelo uso da força física, mostram a intenção do assassino em subjugar e mostrar domínio sobre a vítima. “Eles imobilizam a vítima de modo que elas não tenham condição de se defender. Os golpes são sempre efetuados quando a mulher está em uma situação de subjugação, como deitada, de modo que ela não consegue se desvencilhar, ou então quando a pega de surpresa e ela não tem como controlar o ataque”, afirma, acrescentando que a força física é o fator predominante nesse tipo de crime, assim como a relação de confiança entre o acusado e a vítima.

O modus operandi descrito pela delegada foi observado no caso do feminicídios da adolescente Maria das Graças Silva, de 17 anos, morta em Castelo do Piauí. De acordo com o delegado do município, Francírio Queiroz, o acusado, identificado como Francivando Gomes de Sousa, utilizou um bastão de madeira para ceifar a vida da jovem. “Ele utilizou um bastão para desferir golpes na face da vítima. Ela chegou a ser socorrida e levada para o hospital, mas faleceu”, diz. O acusado se evadiu do local após o crime e foi preso em flagrante enquanto tentava fugir a pé para a cidade de São Miguel do Tapuio.

Assim como no caso de Castelo do Piauí, a maioria dos casos é registrada em locais em que a vítima deveria estar segura, como dentro do próprio lar. Por isso, a delegada destaca que, para que os números não se repitam, é necessário que haja uma mudança cultural, em especial no âmbito familiar e educacional. 

“Já vimos que a lei não é suficiente para barrar o feminicídios, então precisamos mesmo trabalhar a educação. Precisamos vencer esses estereótipos que atribuem papéis na educação e para desconstruir essa cultura é preciso envolver a sociedade. Todas as instituições devem estar envolvidas porque quando acaba na policia é porque nenhuma dessas teve um desempenho favorável”, finaliza.

Por: Nathalia Amaral

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