PI: quase 50% das vítimas de feminicídios foram mortas em casa

Perfil foi traçado pelo Senado Federal e consta no Painel de Violência Contra Mulheres. A maior parte dos crimes acontece com uso de arma de fogo.

12/04/2019 17:46h

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O Senado Federal divulgou nesta quinta-feira (11) os dados do Painel de Violência Contra Mulheres, que monitora anualmente os casos de agressão (física, psicológica e sexual) e contabiliza as ocorrências de mortes do público feminino. Os dados mais recentes referem-se a 2015 e 2016, e revelam que 66 mulheres foram assassinadas no Piauí em 2015 e 51 em 2016.

Mas o que chama a atenção é o perfil das vítimas de feminicídio no Estado. Em 2015, pelo menos 47% delas eram casadas e em 2016, 45%. E a maioria dos crimes acontece dentro de casa, segundo o painel: em 2015, 37,83% dos feminicídios registrados no Piauí aconteceram dentro das residências das próprias vítimas e em 2016, esse número era de 37,25%.  O segundo lugar onde mais mulheres foram mortas no Piauí foi a via pública (25,76% em 2015 e 29,41% em 2016) e o terceiro foram hospitais ou seja, casos em que a vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu (18,18% em 2015 e 23,53% em 2016)

As vítimas geralmente possuem entre 20 e 49 anos de idade, sendo que as de 20 a 39 anos responderam pela maioria das ocorrências (25,76%) em 2015; e as de 40 a 49 anos foram as principais vítimas (25,49%) em 2016. A pesquisa contempla ainda os meio utilizados pelos agressores para cometer o crime e a arma de fogo é o principal deles: em 2015, 36,36% dos assassinatos de mulheres no Piauí foram cometidos com uso de arma de fogo e em 2016, 35,29% das mortes foram causadas por este tipo de objeto.

As notificações dos órgãos de saúde (hospitais e centros especializados de atendimento à mulher vítima de violência) também foram levadas em consideração para a montagem do relatório. De acordo com o painel, sãos três os principais tipos de agressão sofridos por elas: a agressão física, que em 2015 foi notificada 683 vezes e em 2016, 1.082 vezes; a violência sexual, que em 2015 teve 627 notificações e em 2016, 648; e a violência psicológica, que em 2015 notificou 282 vezes e em 2016, 486 vezes. Os números revelam ainda que houve um aumento nas taxas de notificações de violência contra a mulher de 2015 para 2016, embora o número de mortes no geral tenha diminuído em 15 casos.

A cor da vítima de feminicídios também segue um padrão: a grande maioria delas é parda (74% em 2015 e 80% em 2016), seguidas de vítimas autodeclaradas brancas (11% em 2015 e 6% em 2016) e autodeclaradas pretas (9% em 2015 e 6% em 2016). Percebe-se que, de 2015 para 2016, houve um aumento no número de vítimas de feminicídios pardas e um decréscimo do número de vítimas brancas e pretas.

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Por: Maria Clara Estrêla

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