Pai de Santo é vítima de boatos de Whatsapp e denuncia à Polícia

Tony de Iemanjá está sendo acusado de matar crianças; áudio com foto do pai de santo começou a ser espalhado por whatsapp esta semana

05/07/2017 09:30h - Atualizado em 05/07/2017 10:36h

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Mais uma pessoa está sendo vítima de difamações propagadas via redes sociais e aplicativos de troca de mensagens eletrônicas. O Pai Tony de Iemanjá, que possui um terreiro de umbanda no bairro Dirceu Arcoverde, zona sudeste de Teresina, está sendo alvo de uma corrente criminosa que passou a ser espalhada nos últimos dias em grupos de Whatsapp.

Uma foto do religioso é divulgada juntamente com um áudio em que um homem, que se identifica como Dedê Domingues, denuncia a suposta prática de infanticídios por parte de um criminoso. No áudio, porém, não há qualquer referência ao nome do Pai Tony.

O pai de santo suspeita que alguém tenha agido de má fé, com o intuito de difamá-lo, associando sua foto ao áudio contendo a grave denúncia.

Testemunhas afirmam, inclusive, que este áudio já circula no aplicativo há anos, sempre associado a imagens de pessoas diferentes. 

Pai Tony foi informado sobre a corrente na noite desta terça-feira (4), e se dirigiu imediatamente ao 8º Distrito Policial para registrar um boletim de ocorrência denunciando o crime de que está sendo alvo.

O umbandista contou com a ajuda de amigos para iniciar ainda na terça-feira uma campanha, via aplicativos de mensagens instantâneas e redes sociais, com o intuito de esclarecer a farsa de que ele está sendo alvo. 

"Eu levei um susto muito grande quando soube disso. Meu Deus! Eu trabalho com o bem, trabalho com luz, só faço coisas boas para as pessoas e, de repente, vem uma pessoa fazer uma maldade dessa, falar isso de mim. Eu não tenho coragem de matar nem um mosquito, imagina um ser humano, ainda mais criança, que amo", afirma Pai Tony de Iemanjá, que atua como pai de santo há 16 anos.

Nesta quarta-feira, ele retorna à delegacia para falar com o delegado que investigará o caso. A intenção do religioso é processar civil e criminalmente os responsáveis pela corrente mentirosa.

A Polícia recomenda que as vítimas de crimes virtuais reúnam o máximo possível de provas, de maneira a enriquecer o inquérito e facilitar a formação de uma denúncia contra os autores dos delitos.

Penas

O Código Penal brasileiro prevê pena de detenção de seis meses a dois anos, e multa, para quem comete o crime de calúnia, que consiste em imputar falsamente a outra pessoa fato definido como crime:

Já a pena para difamação varia de três meses a um ano de detenção, e multa. Incorre neste crime quem imputa a outra pessoa fatos que podem ofender sua reputação.

Por fim, o crime de injúria prevê pena de um a seis meses de detenção, e multa. Neste caso, o crime ocorre quando a pessoa ofende a dignidade e ou o decoro de alguém. Mas a penalidade aumenta para um a três anos de reclusão, e multa, caso a injúria esteja relacionada a elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

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Por: Cícero Portela

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