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Oito veículos foram roubados por dia em THE nos dois primeiros meses do ano

Foram 506 registros em janeiro e fevereiro. Já são 70 ocorrências a mais que o contabilizado no mesmo período do ano passado.

25/04/2019 10:18h - Atualizado em 25/04/2019 13:32h

A Capital piauiense tem contabilizado um dado preocupante no que diz respeito à segurança pública nos primeiros meses de 2019. As ocorrências de roubos de veículos registraram um aumento de 13,8% em relação a 2018 nos dois primeiros meses deste ano. Foram 506 veículos roubados de seus donos em Teresina somente em janeiro e fevereiro, uma média de oito ocorrências por dia. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Piauí.

Os 506 roubos registrados no primeiro bimestre deste ano já ultrapassam os índices de 2016, quando foram roubados 457 veículos, e os índices de 2017, quando foram roubados 328. As zonas Sul, Norte, Leste, Centro e Sudeste aparecem no mapa das zonas com os maiores registros ou que demandam maior atenção por parte dos órgãos da segurança. E foi na zona Leste que, no intervalo de um ano, a professora *Marina Santos teve dois carros roubados.

Em conversa com o Portal O Dia, ela conta que o primeiro caso aconteceu em março de 2018, no bairro São Cristóvão. Ela retornava de um sítio com a família, quando foi abordada pelos criminosos na porta do condomínio de seus pais. “Era um domingo, por volta das 17h30. Eu deixei meu pai na porta, ele já estava com a chave na mão, quando vi pelo retrovisor que vinha um carro. Pensei inclusive em sair do meio, achando que ele quisesse entrar no condomínio, mas o veículo me fechou e saíram dois homens armados, um no banco do passageiro e outro de trás. Me mandaram descer com minhas filhas e levaram o carro com tudo que tinha dentro”, relata.


Foto: Arquivo O Dia

O carro roubado de Marina nesta ocasião era um Fiat Uno branco que foi recuperado ainda no passado após o veículo ser usado por uma quadrilha para roubar um banco na cidade Inhúma. Na ocasião, o veículo foi abandonado na estrada e a polícia conseguiu reavê-lo. Já o segundo carro que foi levado da professora era um Sandero de cor branca. Este roubo aconteceu na Morada do Sol, na porta de um condomínio aonde ela havia ido pegar a filha.

“Eu nem cheguei a desligar o carro. Minha filha estava na aula de canto com uma professora particular e ela foi deixa-la na calçada. Na hora que minha menina entrou, uma pessoa abriu a porta do meu lado, armada e anunciou o assalto. Eles estavam em uma moto e o garupa desceu e levou o veículo”, conta. Marina conseguiu recuperar o Sandero na mesma noite do roubo, após ter acionado a Polícia Militar. O carro foi encontrado na Avenida Presidente Kennedy, em uma barreira policial e, segundo a professora, também já tinha sido usado para prática de outros crimes.

Esse fato de os criminosos usarem os veículos roubados para fazerem assaltos logo em seguida é bastante comum. Segundo o titular da Polinter, delegado Everton Ferrer, os roubos de carros e motos na verdade puxam outros índices de criminalidade como assaltos e tráfico de drogas, por exemplo.

“Geralmente quando esses suspeitos roubam um veículo, eles buscam mais agilidade para cometer outros delitos, então eles fazem arrastões e depois abrem mão do carro ou da moto subtraídos. Outro crime que tem uma ligação bem íntima com o roubo de veículos é a clonagem e o tráfico, porque ninguém vai roubar um carro zero para transportar droga, então eles clonam a placa e usam o veículo em favor de traficantes. Então tudo isso passa indiretamente pelo roubo de carros e motos”, explica o delegado.


Foto: Arquivo O Dia

Índice de resolutividade dos casos de roubo de veículos passa de 70%

A primeira orientação que a polícia dá para quem tiver um carro ou moto roubados é contatar a Polícia Militar por meio do 190. A PM desloca viaturas para a região onde o crime foi registrado para fazer diligências em busca do veículo com as descrições apontadas. O caso segue imediatamente para a Polinter, onde a Polícia Civil abre o inquérito e dá início ao diálogo com as demais forças de segurança e, se necessário, com as seguradoras e órgãos de trânsito.

E geralmente os inquéritos abertos dão resultado a contento. De acordo com dados fornecidos pela Polinter, o grau de resolutividade dos casos de roubos de veículos em Teresina chega a 73%. Somente em 2019, a delegacia já cumpriu 72 mandados de prisão relacionados a este tipo de crime na Capital e tirou de circulação criminosos especializados em roubar carros e motos.

O número de inquéritos abertos é proporcional ao aumento na quantidade de roubos registrados, segundo o que explica o delegado Everton. “Houve mais roubos este ano, mas nós também subimos consideravelmente a quantidade de investigações. Caso o veículo não seja recuperado pela PM, nós diligenciamos, checamos câmeras de segurança que possam ter registrado o crime e normalmente com isso, identificamos o autor. As investigações mais complicadas são as que dizem respeito ao furto de veículo, porque nós temos que nos valer de outros meios que não o depoimento da vítima, já que não existiu contato entre ela e o suspeito”.

 O mapeamento feito pela Polícia Civil aponta que cada zona de Teresina tem suas particularidades. Por exemplo, as zonas Sul, Norte e o extremo Leste têm os principais registros de roubo de moto. Já o Centro e zona Sudeste registram os maiores índices de roubos de carros. A Polinter tem procurado seguir esses índices para traçar estratégias e direcionar suas ações.


Foto: Arquivo O Dia

Evitar distrações e redobrar a atenção são essenciais para evitar ser vítima

A Polícia Civil alerta que pequenos gestos e precauções tomadas por parte dos motoristas podem às vezes impedir o roubo do veículo. Evitar estacionar em locais isolados e escuros é a principal delas. Mas também evitar distrações é essencial. O titular da Polinter pede atenção redobrada, sobretudo nas paradas, chegadas e saídas.

“O momento em que o carro está parado é quando o criminoso aproveita para concretizar o roubo. Evitar ficar parado em locais de pouca movimentação é importante e ficar atento aos veículos próximos e ás pessoas nas cercanias quando se está estacionando ou parando”, finaliza o delegado.

*A vítima não quis se identificar e a reportagem usou um nome fictício.

Por: Maria Clara Estrêla

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